Dúvidas

A vida privada deixou de o ser e os discos de Jay-Z e Beyoncé mostram isso.

22 de julho de 2017 às 00:30
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Num mundo em que nada já parece muito importante, um disco de Jay-Z ainda faz parar as pessoas para o escutar. Não porque seja um corte com um estilo de música e introduza uma nova tendência. Algo que, lamentavelmente, não faz. Mas apenas porque todos desejam ver o que ele canta, para identificar se há ali alguma coisa que não se saiba sobre a sua vida privada. 

O maior problema de "4:44" é exactamente isso: discute-se, não por causa da sua qualidade musical, mas porque é o primeiro disco do rapper editado após "Lemonade" de Beyoncé, o ambicioso álbum conceptual da cantora que foi editado num período crítico da sua relação matrimonial com Jay-Z.

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A "infidelidade" deste parecia ser colocada na praça pública, mas nada que admirasse. Neste mundo em que todos se expõem perante as redes sociais, Jay-Z tinha dado o flanco: nos seus últimos álbuns (cada vez menos estimulantes) falava muitas vezes sobre o seu idílio no casamento e sobre a sua relação sentimental.

A vida privada deixou de o ser e os discos de Jay-Z e de Beyoncé mostram isso mesmo. O primeiro tema do novo disco do rapper parece falar de tudo isso, num disco que vive à volta do conceito de "perdoa-me". E aí o que sobra para a música? Pouco.

Numa altura em que o hip-hop vê surgir uma nova era de ouro, com nomes como Kendrik Lamar, Vince Staples, Danny Brown ou Chance The Rapper (que lembra o empolgante início da década de 1990, com os De La Soul ou A Tribe Called Quest), e que falam do que se passa à sua volta, Jay-Z perde-se a falar de si próprio, de Beyoncé, dos inimigos e do dinheiro. É pouco. 

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