Oriente

Sakamoto dedica-se à interligação entre arte, ciência e música.

03 de março de 2018 às 00:30
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Poucos nomes são tão simbólicos como o de Ryuichi Sakamoto. Se muitos o recordam pela sua presença como actor (e músico) em "Feliz Natal Mr. Lawrence", ao lado de David Bowie, a sua influência musical ultrapassa muitas fronteiras.

Foi uma estrela pop (se bem que influenciado pela música rock e clássica, o tecno-pop da Yellow Magic Orchestra tornou-se global), mas também um influenciador da música techno e um reputado autor de bandas sonoras para filmes. Com o tempo dedicou-se mais à exploração sonora e isso é visível neste seu novo "Async Remodels", versão revista de "Async", do ano passado. Conta com a participação, por exemplo, de um colaborador de Bjork, Arca. Hoje Sakamoto dedica-se muito à interligação entre a arte, a ciência e a música, isto para além de apostar em projectos experimentais sonoros que deixam no ar um universo onde se buscam os significados da mortalidade e da imortalidade. Como ele próprio o diz: "Estava ciente do tema da mortalidade na minha música desde 2009.

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A decadência e o desaparecimento do som do piano simboliza muito a vida e a mortalidade. Não é triste. Eu apenas medito sobre isso". Este disco tem a ver com isto, tal como tem um outro, extremamente aliciante, "Glass", feito com Alva Noto. Sakamoto não deseja apenas criar temas: quer criar um ambiente. E há aqui um sentimento de fragilidade latente, que tem a ver com um conceito filosófico de emoções (escute-se "Andata" ou "Disintegration"). São as experiências que movem Sakamoto. E este é um disco apaixonante.

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