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Gótica

A angústia existencial atravessa todo o disco e é isso que o torna belo.

05 de maio de 2018 às 00:30

Há discos assim: parecem surgidos do nada e acabam por ser uma luz no meio da escuridão. E isso é mais relevante quando nos defrontamos com um álbum de contornos profundamente góticos como é ‘Dead Magic’, de Anna von Hausswolff. Há aqui um mundo de escuridão, mas nele vislumbramos uma claridade atraente. A cantora e autora sueca, neste seu quarto disco, transporta-nos para um universo de sombras, muito tenso e enigmático, com um ambiente sónico que nos envolve completamente.

Há beleza e mistério, especialmente em dois dos temas que ultrapassam 12 minutos, num exercício quase fílmico. O som da bateria, curiosamente, quando surge, não tem muito a ver com o que costumamos estar habituados no rock: tem um efeito orquestral, dando ênfase a momentos de maior tensão. A angústia existencial atravessa todo o disco e é isso que o torna raro e belo.

É essa beleza rara que Anna von Hausswolff busca mo meio da escuridão e da decadência. ‘Dead Magic’ transporta-nos para lugares estranhos e sombrios, mas ao mesmo tempo abre janelas de claridade. No meio de tudo está a sua voz envolvente, para nos comunicar ideais e nos converter a uma melodia estranha. Às vezes lembra-nos aqui alguns momentos mais sombrios de Kate Bush. E há grandes momentos de emoção como ‘The Mysterious Vanishing of Electra’, um poderoso tema que não deixa ninguém indiferente.

Este disco foi gravado numa catedral da Dinamarca, onde o órgão de tubos, aqui a base melódica do disco, ocupa todo o espaço, dando ao ouvinte uma experiência inolvidável. Por isso, este disco também é sagrado. E único.

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