29 anos sem Diana: O legado da 'Princesa do Povo' que redefiniu a monarquia britânica
Diana utilizou a projeção mediática alcançada para quebrar estigmas e dar voz a causas humanitárias marginalizadas, mesmo no seio da conservadora realeza britânica.
Na noite de 31 de agosto de 1997, a Princesa Diana, conhecida popularmente como 'Lady Di', morreu num trágico acidente de viação em Paris, França. O veículo em que seguia despistou-se no túnel do Pont de l'Alma, quando era perseguido por cerca de 30 fotógrafos. Dentro do veículo seguia o seu namorado, Dodi Al Fayed, que também perdeu a vida, o motorista Henri Paul, que teve o mesmo fim e ainda o guarda-costas Trevor Rees-Jones, o único sobrevivente.
A notícia da morte de Diana, aos 36 anos, teve um impacto profundo a nível global, gerando uma vaga sem precedentes de luto público e comoção internacional. O funeral, realizado a 6 de setembro de 1997 na Abadia de Westminster, foi acompanhado por milhões de pessoas em todo o mundo.
As últimas palavras e a esperança inicial do socorro
Xavier Gourmelon, um dos bombeiros que prestou os primeiros socorros no local do acidente, revelou anos mais tarde que a princesa recuperou brevemente a consciência nos primeiros momentos após o embate. Ao ver o cenário, Diana terá perguntado: "Meu Deus, o que aconteceu?". Devido à aparente estabilidade inicial após manobras de reanimação, o socorrista admitiu ter acreditado que a princesa iria sobreviver, antes de sofrer uma paragem cardíaca irreversível devido a graves lesões internas.
Horas antes da tragédia, os príncipes William e Harry encontravam-se de férias no Castelo de Balmoral, na Escócia, onde falaram com Diana através de uma breve chamada telefónica. Anos mais tarde, em documentários dedicados à memória de Diana, ambos confessaram o profundo desgosto por terem cortado a conversa com pressa para regressar às brincadeiras, admitindo que viriam a carregar para o resto da vida o remorso por aquela ter sido a última despedida.
O legado humanitário: Da quebra do estigma da SIDA às minas terrestres
Conhecida como a 'Princesa do Povo', Diana utilizou a sua projeção mediática para quebrar estigmas e dar voz a causas humanitárias marginalizadas. Em 1987, chocou os padrões da época ao cumprimentar sem luvas um doente com VIH num hospital de Londres, um gesto que repetiu em 1991 ao abraçar crianças infetadas durante uma visita oficial ao Brasil.
O seu ativismo estendeu-se também à luta internacional contra as minas terrestres antipessoal, tendo protagonizado imagens históricas ao caminhar por campos minados em Angola.
Após a sua morte, o legado humanitário foi formalmente continuado com a criação do Fundo Memorial Diana Princesa de Gales, dedicado a apoiar a prevenção da sida, a saúde mental e a erradicação de minas terrestres.
Além destas bandeiras internacionais, Diana dedicou grande parte do seu trabalho a apoiar os sem-abrigo, crianças doentes e vítimas de violência doméstica, visitando regularmente hospitais e instituições de caridade. A sua abordagem empática e a recusa do distanciamento protocolar tradicional redefiniram o papel público da realeza britânica e cimentaram o seu legado humanitário.
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