Cláudia Oliveira: “Até agora nunca pensei em ser mãe”

Licenciada em Engenharia, a actriz de ‘Pai à Força’, de 33 anos, não tem dúvidas de que é a representar que é feliz.

09 de janeiro de 2010 às 10:30
importa Foto: Vítor Mota
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Licenciada em Engenharia, a actriz de ‘Pai à Força’, de 33 anos, não tem dúvidas de que é a representar que é feliz. Reservada, prefere não falar da relação de mais de seis anos que viveu com Vítor Fonseca (Cifrão, dos D’ZRT) mas confessa que ainda espera por um príncipe.

- É uma mulher muito apaixonada em ‘Pai à Força’. Fale-nos um pouco do seu papel...

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- Sou a Doutora Natália, uma anestesista que é muito boa profissional e que gosta muito do que faz e da vida que tem. Vai apaixonar-se pelo Miguel, a personagem de Pepê Rapazote, mas rapidamente percebe que ele não está interessado nela e corta relações. Para ela, as coisas tinham que ser sérias, ele queria brincar... No fim, voltam a encontrar-se.Mas não posso  desvendar mais.

- Quais são as semelhanças que vê entre si e a personagem?

- Também sou muito metódica e autodisciplinada a nível profissional. Na questão amorosa, concordo com a atitude dela, eu também faria o mesmo. Sou uma mulher de relações sérias. É assim que vejo as coisas. Se sinto alguma coisa é para investir, não é para ser algo fortuito. Não estou a condenar quem vive assim – mas para mim não faz sentido.

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- É uma mulher de relações duradouras?

- Sim, mas não quer dizer que também não haja paixão. Quando acontece, em princípio, é para durar. Pelo menos, gosto de pensar que sim.

- O Vítor Fonseca [Cifrão, dos D’ZRT] foi o único namorado que assumiu publicamente. Desde então não teve outras relações?

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- Eu assumi a relação porque a Imprensa falou nisso. Na altura coincidiu com o final do namoro. Mas estivemos juntos seis anos e meio. Eu sou muito reservada e não gosto de falar nessas coisas.

- Continuam amigos?

- Sim, sempre. Éramos amigos antes e continuamos. Simplesmente, achámos que já não fazia sentido continuarmos como namorados.

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- Aprecia o trabalho dele?

- Eu apreciava muito o trabalho dele enquanto bailarino, que era o que eu conhecia, no entanto não tenho acompanhado a carreira dele enquanto cantor. Pelo que sei, está mais dirigido para um público juvenil.

- Se agora tivesse outro grande amor, assumiria?

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- Quando as coisas têm que ser vistas ou faladas acontecem naturalmente. Mas reforço que não gosto de falar sobre mim.

- Sonha, entretanto, com um príncipe encantado?

- Posso dizer que sim.

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- Como é que ele tem de ser?

- Um príncipe é a pessoa perfeita para se encaixar na minha forma de ser.

- Considera que o vai encontrar?

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- Não quero responder...

- Gostava, por outro lado, de se casar?

- Para mim, não faz muito sentido assinar um contrato quando se está a falar de amor. Considero a hipótese de fazer uma festa para partilhar com amigos. Eu não sou católica – e isso igualmente não ajuda.

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- E ter filhos, gostava?

- Não sei. Quando for a altura – se for a altura – logo pensarei nisso. Para já, acho que não.

- Mas gosta de crianças?

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- Adoro crianças, todavia nunca pensei em ser mãe. Penso que acabará por acontecer – mas para já julgo que não.

- Estará relacionado com o facto de ainda não ter encontrado a pessoa certa para estar ao seu lado?

- Penso que não tenha nada a ver com isso.

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- Como é que se descreve?

- Sou uma pessoa muito simples. Só dou importância àquilo que vale a pena, que são os afectos e a família, a de sangue e aquela que nós fazemos ao longo da nossa estadia no Planeta.

- Como é que começou a sua experiência como actriz?

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- Eu estudei Engenharia, e quando acabei o curso pensei: ‘O que é que eu faço agora à minha vida?’ Não era bem aquilo que eu queria e não me sentia realizada; então reuni coragem, porque era muito tímida, e decidi experimentar. Não fui para o Conservatório porque, tendo acabado um curso de cinco anos na universidade, precisava de trabalhar e fazer um curso em horário pós-laboral. Estudei durante dois anos, ao mesmo tempo que fazia parte de uma companhia de teatro amador. Depois fiz a novela ‘Tudo por Amor’; e fui mais um ano para Londres, para completar os estudos, porque achava que precisava de mais. Eu gosto de estudar e de aprender.

- Pensava que não estava preparada?

- Sim. Mas se me perguntar se eu me sinto preparada hoje também não sei responder. Faço gosto em estar sempre a aprender.

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- E agora, imagina-se a viver fora de Portugal?

- Não, eu gosto muito de cá estar, e sair agora implicava muitas coisas. Sair para ir estudar é uma coisa mas sair para ir trabalhar é muito diferente. Agora não podemos trabalhar nos EUA, por exemplo, sem ter um visto de trabalho. São entraves. Eu quero viver a minha vida a vários níveis e há várias coisas que contam, não é só o trabalho. Ia perder tempo.

- Alguma vez pensou em desistir?

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- Já me passou pela cabeça. Passam-se semanas e meses em que não tenho um trabalho regular, e penso: ‘Será que vale a pena? Será que isto vai evoluir?’ E uma pessoa sente-se frustrada.

- Essa frustração está apenas ligada à precariedade da profissão?

- Deve-se à falta de trabalho, às vezes relaciona-se com a qualidade desse trabalho e com as condições. Não posso generalizar mas há actores que vivem muito, muito mal. É muito difícil trabalhar a recibos verdes. Quando não há trabalho, não há mesmo dinheiro. Trabalhar como actor é frustrante, por vezes.

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- A Cláudia tem escapes financeiros para nesses mesmos momentos poder subsistir?

- Sim. Dou aulas a crianças de expressão dramática e corporal e dança – e também já dei de inglês. Também já dei explicações. Tem de ser – mas, por outro lado, gosto muito.

- Gostava de experimentar outra área profissional?

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- Sim, gostava de me dedicar à ajuda humanitária. Sou voluntária das Nações Unidas e a qualquer momento podem chamar-me para uma missão.

- Nunca chegou a exercer Engenharia?

- Exerci durante uns meses, quando ainda não tinha terminado a licenciatura. Fazia estudos de impacto ambiental. Mas depois despedi-me, porque não era aquilo de que gostava.

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- Como foi a sua infância?

- Nasci em Coimbra mas morei sempre na zona de Lisboa. A minha infância foi muito feliz. Fui filha única quase até aos sete anos e tenho os melhores pais do Mundo. Sempre fui muito solitária: então brincava muito sozinha, depois comecei a conviver mais com outras crianças. Escrevia e lia muito. Era muito boa aluna.

- Era popular na escola?

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- Não. Era a pior. Era muito envergonhada e toda a gente gozava comigo. Não conseguia dizer as coisas, corava muito. Era muito mau.

- Considera que esse lado reservado da sua personalidade a prejudicou ao longo da vida?

- Não me causou danos graves mas, se calhar, em algumas situações prejudicou-me. Podia ter sido mais extrovertida. Isolava-me muito.

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- Voltemos à infância: como era a sua relação com os seus pais?

- Sempre fui muito obediente. Nunca ninguém gritou comigo. Bastava dizerem-me ‘não faças isso’ e eu não fazia.

- Como foi sempre tão obediente, não lhe apetece agora quebrar as regras?

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- Não. Não sinto que me tenham castrado. Não foi excessivo. Fiz tudo na idade certa, fui uma adolescente normal. Se tiver que gritar, grito, se tiver que dar uma gargalhada, dou.

- Tem muitos amigos?

- Tenho poucos mas bons. Para a amizade se manter tem de ser alimentada, e também não há tempo para nos dedicarmos a 100 pessoas da mesma maneira. Por isso, dedico-me às pessoas que são mesmo importantes. São família, são aquelas pessoas que estão lá incondicionalmente.

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- É acarinhada pelo público?

- Eu sou um pouco discreta mas às vezes as pessoas reconhecem-me. É sempre com muito carinho, e isso é bonito. Às vezes até fico meio sem jeito, porque as pessoas são muito generosas ao dar esse feedback. É importante, porque nós trabalhamos para o público.

- Mudava alguma coisa na sua vida?

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- Não. Penso que as quedas fazem-nos tanta falta e têm tanto sentido como os saltos e as vitórias. Fazem muita falta para definirmos o nosso carácter. Eu errei, como todos nós, mas foi a melhor forma de aprender.

- Quais os seus erros?

- Há pessoas que me perguntam porque é que eu estive cinco anos num curso para depois não exercer mas eu não o interpreto como um curso. Aprendi muito, e o facto de ter tirado um curso técnico desenvolveu o meu raciocínio – e eu agradeço por isso. Mas, como disse, nunca encaro nada como negativo.

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- Qual é o seu lema de vida?

- Gosto muito da palavra ‘perseverança’ e de uma citação de um escritor: "Os detalhes estragam a vida, simplifiquem, simplifiquem."

- É feliz?

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- Sou feliz sempre mesmo quando estou a chorar. Gosto muito de viver. Para mim, a felicidade é uma escolha consciente. Todos devemos usufruir, sentir o bom que há em cada momento. Eu podia escolher estar triste e andar aborrecida com o mundo por causa desta profissão. Mas era pior, só eu é que ia perder com isso.

NA INTIMIDADE

- Quem é que gostaria de convidar para um jantar a dois?

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- É segredo. Eu sei quem é – e essa pessoa também sabe.

- ‘Não consigo’ resistir a...

- ... fazer exercício físico todos os dias.

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- Se pudesse, o que mudava em si, no corpo e no feitio?

- No corpo não mudava nada, ficava com os meus defeitos todos. No feitio, era menos ansiosa.

- Sinto-me melhor quando...

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- O que não suporta no sexo oposto?

- Qual é o seu pequeno crime quotidiano?

- O que seria mesmo capaz de fazer por amor?

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- Tudo. Amor, no sentido lato, é a única coisa que existe, por isso era capaz de fazer tudo.

- Complete: a minha vida é...

- ... uma loucura.

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A Vidas agradece a colaboração de Killah e Pizzaria Maritaca – 21 3939400

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