Dalila Carmo: "Miséria deixou-me chocada"
A actriz Dalila Carmo protagoniza ‘Quero Ser uma Estrela’, que a levou ao mundo do tráfico humano e da exploração sexual. Eis alguns dos seus segredos
A actriz Dalila Carmo protagoniza ‘Quero Ser uma Estrela', que a levou ao mundo do tráfico humano e da exploração sexual. Eis alguns dos seus segredos:
- É a protagonista do filme ‘Quero Ser uma Estrela', que aborda a temática do tráfico humano. Como define a sua personagem?
- Nós vamos esgotando as palavras à medida que falamos das personagens. A ‘Teresa' é uma mulher que tem uma missão e que, ao longo do filme, vai tentar solucionar um grande problema. As pessoas têm de ver, porque a minha legenda acaba por ser um bocadinho desnecessária, mas é um filme cheio de acção, de conflitos e de dor. Pega numa questão bastante pertinente e dolorosa.
- Parte do filme foi rodado em Moçambique...
- Foi a terceira vez que fui a Moçambique em trabalho. Mas esta abordagem a Moçambique foi completamente diferente das anteriores. Não há, obviamente, a perspectiva turística. Não é um Moçambique bonito. Houve um contacto muito mais cruel com aquela terra. Não estive lá de ânimo leve.
- O que mais a chocou?
- A miséria. A questão central do filme, que é a exploração sexual de menores, é um dos problemas lá. Não posso dizer que seja um contacto leve com aquela terra, mas este trabalho é uma forma de contribuir, chamar a atenção para um problema que existe.
- Sente que, de alguma forma, deve fazer algo para ajudar?
- Sinto-me mal por não poder contribuir de uma forma mais directa. Está tudo por fazer e nós temos uma profissão muito mais vaidosa do que altruísta. Às vezes, sinto um certo pudor em dizer que esta é a forma que eu tenho de poder ajudar. Tenho vontade de fazer muitas coisas, mas prefiro fazer e falar depois ou nem sequer falar, porque as boas acções não se promovem.
APLAUSOS PARA 'ESTRELA' NO CCB
Durante sete semanas, com apenas quatro folgas e 15 horas de trabalho diário , o elenco de ‘Quero Ser uma Estrela', que tem como protagonista Dalila Carmo, esteve em filmagens em Moçambique para retratar o drama do tráfico de seres humanos. O esforço foi elogiado pelo realizador na antestreia do filme, segunda-feira à noite, em Lisboa. José Carlos de Oliveira não se cansou de agradecer aos actores e a todos aqueles que tornaram o momento possível.
"Toda a equipa esteve sempre muito entusiasmada e nunca protestou pelo excesso de trabalho, mas a verdade é que gravámos em tempo recorde", explica o cineasta, que, no discurso que antecedeu o início do filme, agradeceu ao CM a parceria "independente". "Desde a primeira hora que o Correio da Manhã se revelou um parceiro independente, que publicou sempre matéria jornalística imparcial e de qualidade."
A antestreia do filme contou com a presença de um sem-número de figuras públicas, que encheram o grande auditório do Centro Cultural de Belém e brindaram o realizador e o elenco com uma forte e prolongada salva de palmas.
No final, José Carlos de Oliveira era um homem "realizado". Apesar das más condições de som da exibição. "O filme resistiu ao mau som da sala do CCB e surpreendeu, agarrando as pessoas até ao fim", disse o cineasta. "Este foi um primeiro passo muito bom antes de o filme chegar ao grande público", já no próximo dia 28, completou José Carlos de Oliveira, depois dos muitos elogios e cumprimentos recebidos no final da exibição.
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