"É preciso saber para transgredir"
Vicky Fernandes, especialista em consultoria de imagem, apresenta hoje o segundo livro no qual a etiqueta é o pretexto para falar de comportamentos.
Vicky Fernandes, especialista em consultoria de imagem, apresenta hoje o segundo livro no qual a etiqueta é o pretexto para falar de comportamentos. O dos portugueses não é mau, mas a falta de pontualidade é imperdoável. Há até lição sobre beijar.
– Apresenta hoje o seu segundo livro de etiqueta. Ficou por dizer o quê em relação ao primeiro?
– O primeiro livro chamava-se ‘Saber Estar’ e, tal como este, ‘Chic em Qualquer Ocasião’, tratava da importância da gestão da imagem, porque é com ela que comunicamos. Num como noutro, a etiqueta não é protagonista, mas figurante. O segundo é uma extensão do primeiro, funciona como um manual de consulta rápida e decorre das dúvidas que me foram colocadas...
– E as mais recorrentes são?
– Os códigos servem para ser descodificados, mas é preciso saber para transgredir... A gaffe mais recorrente é talvez a da troca de talheres, mas, atenção, a vergonha não está em atrapalhar-se, mas em atrapalhar-se por tão pouco!
– Revela-nos uma gaffe sua?
– Uma muito comum a que também não escapo é a de esquecer o nome de alguém com quem tenho de falar... A saída airosa é esperar que alguém diga o nome sem ter de o perguntar, isso, só in extremis.
– E quantos beijos são politicamente correctos numa saudação?
– Pois, essa questão não é linear porque decorre da moda, da geografia. Em Cascais, onde moro, a regra é um só, mas entre seguir a tendência e deixar alguém em pose de espera, opto por dar dois.
– A sua formação artística, pintura e joalharia, sugere uma atitude mais boémia do que clássica.
– A função da etiqueta não é oprimir, mas libertar, aproximar e não distinguir entre quem cumpre e quem não cumpre. É isso a arte.
– Os portugueses sabem estar?
– Os portugueses sabem comportar-se, mas têm um grande defeito que é a não-pontualidade. É quase uma característica nacional, mas não deixa de ser imperdoável. Temos de mudar.
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