Eugénia Melo e Castro: “A minha vida é uma viagem constante”
A cantora portuguesa reúne em disco três décadas de parcerias inéditas, com nomes como Caetano Veloso, Tom Jobim e Gal Costa
Foi por causa de ter visto ao vivo artistas como Ney Matogrosso, Gal Costa e Caetano Veloso, quase sempre no Coliseu dos Recreios, que Eugénia Melo e Castro decidiu cedo o que queria fazer e para onde queria ir. "A primeira viagem ao Brasil foi exactamente o que tinha imaginado. A alegria, a música, as pessoas, as casas, as ruas, tudo era como eu tinha lido, ouvido e imaginado", conta.
Trinta anos depois, a cantora portuguesa reúne agora em disco três décadas de encontros profissionais que deram em amizade, e amizades que deram em parcerias inéditas. "São viagens reais e viagens musicais", como diz.
‘Canta, Canta Mais’, já editado entre nós, reúne duetos feitos por Eugénia Melo e Castro com nomes como Tom Jobim, Ney Matogrosso, Chico Buarque, Caetano Veloso, Gal Costa, Simone e Gonzaguinha. "São pessoas com quem eu também converso muito. São pessoas que nestes últimos 30 anos tiveram uma atenção especial para comigo e que são muito presentes na minha vida", explica.
Não se pense, contudo, que Eugénia sente a sua carreira preenchida no que toca a parcerias. "Faltou gravar com muita gente. Gostava muito de ter gravado com a Maria Bethânia. Cantei com ela mas nunca registámos. E também gostava de ter gravado com a Marisa Monte. São falhas técnicas na minha carreira, mas claro que ainda vou a tempo", diz.
Filha de Portugal, mas adoptada pelo Brasil, Eugénia Melo e Castro diz que nos últimos 30 anos a sua vida tem sido "uma viagem constante", de tal forma que há três décadas que escreve todas as suas memórias em grandes agendas: "Todos os dias escrevo o que fiz, desde consertar a torradeira até ao encontro com o Caetano Veloso."
A cantora garante, no entanto, que nunca se divorciou do seu país de origem. "Acho que alguns portugueses entenderam a minha opção. Outros não. Adoro Portugal, mas, estando eu na música, tinha de partir. Naquela época era tudo muito proibido em Portugal e eu era das poucas mulheres que cantavam. Sempre senti que Portugal é um país mais fechado e mais triste", desabafa a cantora, que garante que, mesmo do outro lado do Atlântico, nunca deixou de falar da sua paixão por Portugal: "Se dava uma hora de entrevista, 50 minutos era a falar de Portugal."
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