Histórias de Bastidores: Caetano Veloso
Certa vez, Caetano Veloso confidenciou-me que começou a namorar com a sua primeira mulher, Paula Lavigne, quando ela tinha 13 anos e que fizeram amor pela primeira vez no dia em que ele comemorava o seu 40º aniversário.
Fiquei atónito. 'Como no Brasil só depois dos 14 anos é que uma pessoa pode ter relações sexuais sem ser considerado estupro presumido, antes dessa idade, mesmo que tenha sido ela a querer e tenha gostado, não tem jeito e um cara pode acabar na prisão.'
Alguém levantou o véu desta questão e Caetano foi consultar um advogado, o próprio sogro, que lhe terá dito: 'Deixe isso p’ra lá. O caso já prescreveu. Como vocês já são casados e têm dois filhos, não há maneira de o punirem.' Lembrei-me disto porque ontem ele fez 67 anos. Da última vez que falámos, em Outubro de 2007, recordámos a sua ambiguidade sexual, ouvi-o lamentar-se de que já não se acha bonito e que tem saudades do tempo em que se sentia uma beleza na flor da idade.
Contou-me que tinha perdido de vez a vaidade e o narcisismo, que considerava que exercia uma actividade para a qual não tem muito talento, que se aproximava, enquanto figura pública, daquilo a que Andrew Sullivan chamou 'uma tendência ubíqua e vagamente homoerótica'. Homoerótica?
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