Histórias de Bastidores: Sentido adeus

Ele estava incrivelmente pálido e trémulo. Falou-me de poética da mente e desgostos

11 de abril de 2010 às 10:30
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Chorei quando recebi a notícia. "O Mark Sandman, dos Morphine, morreu nesta noite quando dava um concerto perto de Roma, no festival ‘Em nome do rock’. Foi vitimado por um enfarte enquanto cantava ‘My Brain’, a segunda canção do derradeiro alinhamento. Perante a perplexidade de duas mil almas, Mark caiu inconsciente no chão do palco, um médico presente no local interveio de imediato, fez-lhe uma massagem cardíaca que de nada valeu."

Fiquei destroçado. Tinha estado com ele dois dias antes em Lisboa, no final do concerto convidou-me para ir até aos camarins, não me sai da memória a sensação que tive, qual prenúncio do doloroso choque. Ele estava incrivelmente pálido e trémulo.

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Perguntei-lhe o que tinha, preferiu falar-me de forma algo abstracta de "poética da mente", "terapêutica das emoções", "desgostos amparados", das dores que frequentemente sentia e das consequentes curas via música. É então que me diz algo aparentemente a despropósito: "Fado quer dizer fé. Quer dizer fatalismo e pessimismo. Quer dizer luto."

Ainda hoje me questiono sobre as coincidências dessa última noite em que estivemos juntos, a noite do seu definitivo concerto. Um dia destes um amigo músico contava-me: "Se não fosse a droga marada que lhe deram em Lisboa o Mark Sandman ainda hoje estaria vivo."

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