Hugo Sequeira: “Deixo-me levar pelas paixões imediatas”

Diz que nunca foi mimado pelos outros mas gosta de mimar-se. É actor por escolha mas podia ser cozinheiro. E escreve prosa e poesia.

08 de janeiro de 2011 às 10:30
importa Foto: Sérgio Lemos
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Hugo Sequeira diz que nunca foi mimado pelos outros mas gosta de mimar-se. É actor por escolha mas podia ser cozinheiro. E escreve prosa e poesia. Ama o filho, Xavier, de dois anos, e lembra que está separado da actriz Dina Félix da Costa. Hugo revela que todas as suas relações começaram por uma atracção.

- O Bernardo, que interpreta em ‘Laços de Sangue', é um galã ou um ‘pintas'?

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- É um ‘pintas' convencido de que é um galã. Na cabeça dele é um galã, tipo Tony de Matos. Mas o resultado é que é um ‘pintas'.

- Como é que construiu a personagem?

- Vi o ‘Trainspotting' e lembrei-me do gordinho do ‘Seinfeld'. Não tive uma personagem, tive várias, como pessoas na rua.

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- É observador?

- Sou muito observador.

- Em Portugal há muitos ‘pintas'?

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- Ainda temos muitos ‘pintas'. Curiosamente, achava que os ‘pintas' eram tipo marialvas de Alfama, mas hoje há mais ‘pintas' executivos, novos ricos.

- E o bigode? Sente-se bem com ele?

- Para ser sincero, quando vou gravar adoro ter o bigode, mas andar com este bigode na rua é das coisas mais insuportáveis com que já vivi.

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- O Hugo é um rapaz mimado como o Bernardo?

- Eu considero-me uma pessoa bastante mimada, mas mimada por mim próprio. Nunca fui muito mimado pelos outros. Gosto de ter o meu espaço, preciso imenso de estar sozinho. Tenho um filho e estou separado da mãe do meu filho e, sinceramente, gosto imenso de ser pai solteiro. Sou coleccionador de DVD. Mimo muito a minha colecção e mimo-me muito no que como e no vinho que bebo.

- E essa necessidade de estar sozinho está relacionada com a sua profissão?

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- Está. Sempre me considerei uma pessoa vaidosa e egocêntrica. Desde que fui pai acho que isso diminuiu bastante. Fiz seis ou sete anos só de teatro e quando fiz a primeiro novela tive muita sorte com a minha personagem, o ‘Manuel do Coice' na ‘Filha do Mar'. De repente, saía à rua e toda a gente se metia comigo. Primeiro fiquei aterrorizado, mas depois o meu ego levou-me a ficar super vaidoso. Adorei durante 15 dias. Hoje posso dizer que preferia, mantendo a mesma profissão, não ser reconhecido na rua.

- Mas foi esse reconhecimento que o levou a isolar-se e a mimar-se?

- Sim. Mas cumpro o meu papel na rua, apesar de ter deixado de ir a centros comerciais aos domingos e feriados e a discotecas de adolescentes. Mas acho que devo tudo ao público, trabalho para ele.

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- Saiu de casa dos seus pais muito cedo. Porquê?

- Desde os 15 anos que queria sair de casa, queria ser independente. Hoje arrependo-me por ter saído tão cedo, porque saí com ‘uma mão à frente e outra atrás' e podia ter saído em melhores condições. Os meus pais podiam ter-me ajudado mais.

- Mas saiu em colisão com os seus pais?

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- Não. Queria viver sozinho e, depois, como vim estudar para o Conservatório... Eu sou do último ano do Conservatório no Bairro Alto, portanto vim meter-me no meio do Bairro Alto, a viver sozinho com 18 anos. Foi a loucura. Aliás, eu tive três anos em que estudava no Conservatório, a dez metros era a porta da minha casa e a trezentos era o Teatro da Cornucópia, onde eu trabalhava. Estive enfiado num ‘bunker' e não sei como é que não fiquei alcoólico, porque vivia ali e nem copos pagava. Tenho saudades desse tempo, mas hoje já não aguentava fazer isso.

- O Hugo é uma pessoa divertida? E é sincero no amor?

- Divertido acho que sou. Sincero no amor, acho que já tentei sê-lo várias vezes. Percebi em absoluto o que é o amor quando o meu filho nasceu.

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- E é por isso que diz que a Dina Félix da Costa é ‘a pessoa mais especial' da sua vida? Porque ela é a mãe do seu filho?

- Por isso e só por isso!

- Só?! Mas viveram juntos três anos e meio. Não ficou mais nada?

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- Ficou, mas só porque nasceu o Xavier.

- A vossa separação esteve relacionada com o facto de a Dina ter encontrado a mãe biológica?

- Não vou responder a essa pergunta. A única coisa que digo é que tive um filho com a Dina. O que passou, passou. Não foi uma ruptura tempestuosa. Eu e a Dina somos pessoas completamente diferentes, não nos identificamos um com o outro, mas vamos estar ligados para o resto das nossas vidas. Portanto, desejo-lhe o melhor do mundo, porque ela é mãe do meu filho. Espero um dia manter uma relação boa, mas é um capítulo fechado da minha vida.

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- O Xavier vive com quem?

- Vive comigo e com a mãe. Mas desde sempre esteve mais tempo comigo. O que posso dizer é que quando o Xavier nasceu, há dois anos, eu estive bastante tempo sozinho em casa com ele, porque a Dina estava a trabalhar, portanto a minha ligação ao Xavier é quase umbilical, e acho que nada neste mundo vai poder mudar isso. A não ser que um dia ele cresça e ache que o pai é um grande cromo.

- Tem guarda partilhada?

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- Isso está a resolver-se. Os tribunais decidem essas coisas, mas eu acho que o que interessa é a verdade e o amor entre um pai e um filho.

- Falou em tribunais. Estão a resolver a guarda do Xavier em tribunal?

- Sim, estamos a fazer a regulação do poder paternal, um processo normal.

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- E como é ser pai e estar a gravar uma telenovela?

- Bem, ele já é o ‘hit' do estúdio. Sempre que não tenho de gravar mais de três a quatro cenas [cerca de quatro horas] levo-o comigo e ele delira. Ele é muito musical. Às vezes ponho-me a imaginar o que ele será um dia. Já me perguntaram várias vezes se gostava que ele fosse actor. Eu gostava que fosse o que gostasse, mas incomodava-me se ele quisesse ser militar ou polícia.

- Não gosta de fardas?

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- Não tenho nada contra, mas tudo o que imponha regras, autoridade e formas rígidas de funcionar não me agrada.

- E a Rita Mendes, considera-a uma ‘mana'?

- Sim. Eu tenho três grandes amigas: a Rita, a Paula Neves e a Mafalda Vilhena. Há alturas em que me dou mais com uma ou com outra. A Rita é uma pessoa que eu adoro e admiro, e é uma pessoa que tem uma imagem pública que não condiz com o que ela é. E ela ficou grávida na altura em que me separei.

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- E quando ela se separou.

- É verdade. Portanto, nunca estive tanto tempo com a Rita como estou hoje.

- Apoiaram-se um ao outro?

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- Completamente. Ela ajudou-me a ultrapassar a separação. Às vezes brinco com ela e digo-lhe: "É pena que não me tenha apaixonado por ti há dez anos", porque se calhar a vida tinha sido muito mais fácil. Se não assumo uma relação com a Rita é porque não há nada para assumir. Mas também não fecho a porta porque a acho uma pessoa extraordinária. Mas há dez anos lembro-me de estar com a Rita e de beijá-la na boca, por brincadeira, e ninguém dizia que eu era namorado dela.

- Acredita na amizade entre um homem e uma mulher?

- Eu sou daqueles que têm de acreditar, porque quase só tenho amigas. Tenho dificuldade em ter amigos.

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- E até hoje nenhuma dessa amizades com mulheres degenerou em amor?

- Não. Quando uma mulher não entra nesse campo de relação amorosa, torna-se minha amiga. Mas uma coisa garanto: se tivesse uma relação com a Rita, seria a primeira pessoa a assumi-la publicamente.

- E dava-lhe gozo?

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- Seria uma experiência totalmente diferente das que tive até agora.

- Nunca namorou com amigas?

- Não. As minhas relações começaram sempre por uma atracção. Eu deixo-me muito levar pelas paixões imediatas.

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- É um homem de impulsos?

- Sou. Completamente.

- E essa dificuldade em ter amigos deve-se a quê?

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- Nunca me identifiquei com a onda ‘macho man'. Encontro mais sensibilidade nas mulheres, tenho um certo fascínio pelo universo feminino, inclusive em termos artísticos. É mais denso. E os homens embirram comigo.

- Porquê?

- Acho que a razão mais forte é eu ter só 1,70 m de altura. Sou um alvo bom para embirrar. Eles embirram porque eu nunca tive grupos de homens e eles não gostam muitos de homens que se dão bem com mulheres, a não ser que sejam gays.

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- É actor por escolha?

- Sou, completamente por escolha. Escolhi aos 15 anos, aos 16 fui para o curso do Teatro de Cascais, fiz o 10º, 11º e 12º lá e depois saltei para o Conservatório e nunca me passou pela cabeça fazer mais nada.

- E a dedicação mantém-se?

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- De seis em seis meses penso que vou deixar de ser actor. Porque acho que vivo num país que é um bocado ingrato para os actores. Pensava que precisava de chegar aos 50 anos para estar farto deste meio. Mas já estou, porque tenho um filho e gostava de lhe dar uma boa condição económica e uma estabilidade que esta profissão não me permite.

- E vê-se a fazer o quê?

- Se não fosse actor, gostava de ser cozinheiro. Adoro cozinhar.

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- Tem alguma especialidade?

- Cozinha indiana. Gosto mesmo de cozinhar, relaxa-me. Mas acho que é um bocado tarde para começar agora a ser cozinheiro. Eu não quero deixar de ser actor, gostava era de estabilizar mais. E gosto de escrever. É como um hobbie.

- E escreve prosa, poesia?

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- Escrevo prosa e poesia.

- O que é que o inspira?

- As emoções, os estados de alma.

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INTIMIDADES

- Quem gostaria de convidar para um jantar a dois?

- O Tim Burton.

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- Não consigo resistir a...

- Gomas

- Se pudesse, o que mudava em si, no corpo e no feitio?

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- No corpo gostaria de ter mais dez centímetros, para funcionar melhor em palco, porque sou baixo. No feitio, gostava de ser menos teimoso.

- Sinto-me melhor quando...

- Me deito na almofada com a consciência tranquila.

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- O que não suporta no sexo oposto?

- Serem pirosas.

- Qual é o seu pequeno crime diário?

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- Fumar.

- O que seria capaz de fazer por amor?

- Alguma coisa que ultrapassasse tudo o que fiz até agora.

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- Complete. A minha vida é...

- O Xavier.

PERFIL

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Hugo Sequeira tem 34 anos e um filho, Xavier, com dois anos. Actor, fez o Curso de Interpretação da Escola Profissional do Teatro de Cascais e o Curso Superior de Representação no Conservatório Nacional. Representou na Cornucópia e na Comuna, entre outras salas, antes de ganhar fama, em 2001, como Manuel do Coice na telenovela ‘Filha do Mar'. O sucesso foi tanto que Hugo nunca mais parou, tendo participado, por exemplo, em ‘Anjo Selvagem'‘Dei-te Quase Tudo'‘Deixa-me Amar'

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