José Moutinho: "Adopção plena nunca foi opção"
O empresário e ex-militar revela toda a verdade sobre João Pedro, jovem que hoje completa 15 anos e a quem proporcionou uma família de acolhimento.
O empresário e ex-militar revela toda a verdade sobre João Pedro, jovem que hoje completa 15 anos e a quem proporcionou uma família de acolhimento. A adopção plena não era hipótese e a criança quis a mãe.
– Como chegou ao João Pedro?
– Cheguei até ele através de um artigo publicado no CM, que pedia brinquedos para a Casa dos Rapazes do Barreiro. Acontece que a minha mulher (a empresária Elsa Gervásio), que é muito atenta a questões sociais, não descansou enquanto não foi até lá, onde tomou conhecimento do projecto de famílias de acolhimento. Decidimos, casal e filhos, que podíamos e queríamos ajudar alguém. A instituição indicou-nos o João Pedro.
– Qual foi a primeira impressão?
– A minha primeira impressão dele, são duas... Quando o fomos conhecer, para facilitar a transição da instituição para casa, andámos a passear pelo Parque da Cidade e, segundo ele, tudo o que víamos, era obra do pai. Acontece que ele não conhece o pai. Depois, já em casa, o primeiro banho de banheira revelou-se um acontecimento, uma festa.
– O que foi que correu mal?
– Aconteceu que a mãe começou a aparecer lá na instituição... Dos sete aos treze anos ele passou connosco fins-de-semana e férias. Quando vinha desestabilizado já sabíamos que tinha estado com a mãe. Levá-lo de volta era um drama cada vez maior. Ele queria ficar de vez, mas não estávamos preparados. A adopção plena nunca foi opção. E como família de acolhimento não nos quis mais. Quis a mãe mas, como ela não tem condições, ele continua na instituição.
– Traumático mas repetível?
– Traumático e irrepetível, mas também inesquecível e positivo. Tudo isto podia e devia ter sido evitado. Foi um choque e uma surpresa para toda a família. Perdemos todos mas o maior prejudicado foi o João Pedro, uma pessoa adorável de que é impossível não gostar.
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