Julio Iglesias divulga alegadas mensagens privadas para se defender de acusações de agressão sexual

Partilha de conversas surge como tentativa de desacreditar as denunciantes e sustentar a sua versão dos acontecimentos.

23 de janeiro de 2026 às 12:33
Julio Iglesias Foto: Direitos Reservados
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O cantor espanhol Julio Iglesias tornou públicas, através das redes sociais, várias mensagens privadas que afirma terem sido enviadas por duas mulheres que o acusam de agressão sexual e outros crimes. Esta divulgação surge como uma tentativa de desacreditar as denunciantes e sustentar a sua versão dos acontecimentos, num processo que se encontra ainda numa fase preliminar de averiguação por parte da justiça espanhola. 

Num comunicado publicado no Instagram, Julio Iglesias afirma que as mensagens no WhatsApp demonstram a “falta de veracidade” das acusações que lhe são imputadas. Segundo o artista, estas mensagens trocadas durante e após o período em que as mulheres trabalharam para si, revelariam incoerências com os relatos apresentados na denúncia.

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“Este é o único meio que me permite exercer legitimamente o meu direito à defesa e demonstrar a absoluta falsidade dos factos relatados”, declarou, após a recusa do Ministério Público espanhol em permitir que se constituísse como parte no processo em fase de diligências pré-processuais, de acordo com o jornal El País

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FOTO: Reprodução Redes Sociais
Mensagens partilhadas por Julio Iglesias

Nas mensagens partilhadas é possível ler-se: "Professor, boa noite, espero que consiga dormir sem desconforto, sonhe com os anjinhos e descanse. Amo-o muito e, se precisar de alguma coisa, estou à sua disposição. Obrigada pela sua paciência e pelos ensinamentos de hoje. Todos os dias ao seu lado são valiosos para mim, porque aprendo um pouco mais. Um beijo e um abraço! Boa noite".

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"Olá, professor, quando precisar, ligue-me, estou à disposição" ou "estou a sair, professor, aviso quando chegar, amo-te muito, obrigado por tudo", lê-se em outras mensagens.

O cantor espanhol partilhou ainda uma mensagem de aniversário em que se lê: "Feliz aniversário, Julitooo! Querido professor, que Deus continue a dar-lhe muita saúde, para que possa continuar a desfrutar desta vida maravilhosa. Um beijo e um abraço. AMO-TE. Lembro-me sempre de si com carinho. Da sua fisioterapeuta para sempre".

A denúncia foi apresentada no dia 5 de janeiro pela organização internacional 'Women’s Link Worldwide', em nome de duas ex-empregadas do cantor - uma empregada doméstica e uma fisioterapeuta. Estão em causa alegados crimes de tráfico de seres humanos para fins de trabalho forçado, crimes contra a liberdade e autodeterminação sexual, assédio, lesões e violações dos direitos laborais. Os factos teriam ocorrido em 2021, em residências de Julio Iglesias na República Dominicana e nas Bahamas. 

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As mulheres apresentaram às autoridades documentos laborais, mensagens, gravações, fotografias e registos de chamadas para sustentar as acusações, que incluem agressões sexuais, humilhações e abusos sistemáticos no contexto profissional. Algumas das mensagens agora divulgadas pelo cantor são posteriores aos alegados factos, com data de 2022 e 2023, e apresentam um tom afetuoso e cordial. 

Embora ainda não exista um processo judicial formal contra Julio Iglesias, a legislação espanhola proíbe a divulgação da identidade das vítimas de crimes de violência sexual. O cantor revelou os nomes das mulheres associadas às mensagens, ainda que não esteja confirmado publicamente se correspondem às denunciantes. Especialistas alertam que, caso o processo avance, esta ação poderá ser interpretada como má-fé e utilizada pela defesa das vítimas. 

Segundo especialistas em políticas de igualdade e direito penal, esta estratégia é comum em casos de violência sexual: desviar o foco dos factos denunciados para o comportamento das vítimas. O objetivo passa frequentemente por sugerir que uma atitude cordial ou uma aparente “vida normal” invalida a existência de violência. 

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Independentemente das mensagens divulgadas, caberá aos tribunais avaliar se existiram atos de violência, se houve ou não consentimento e de que forma a relação laboral poderá ter condicionado a liberdade das mulheres envolvidas. As comunicações privadas, por si só, não substituem a análise jurídica. 

O caso continua em fase de averiguação pelo Ministério Público espanhol, que vai decidir se existem indícios suficientes para avançar com uma ação judicial formal. Até lá, mantém-se o princípio da presunção de inocência. 

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