Klaus Meine: “O disco gravado em Lisboa colocou os Scorpions de novo no mapa”

Com o álbum ‘Sting in the tail’ e uma última digressão mundial, a banda alemã põe fim a uma brilhante carreira de quatro décadas.

21 de março de 2010 às 10:32
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Com o álbum ‘Sting in the tail’ e uma última digressão mundial, a banda alemã põe fim a uma brilhante carreira de quatro décadas. À Vidas, o líder dos Scorpions explica o porquê do toque de finados e ressalta a importância de Portugal.

- No último álbum dos Scorpions (‘Sting in the Tail’) há quatro canções que têm ‘rock’ no título. É, efectivamente, uma declaração de intenções?

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- (risos) É, pode ser entendido desse modo. Está um disco muito forte, e até cheguei a sugerir ao Rudolf (guitarrista) que mudássemos o título do álbum para uma dessas canções que levam ‘rock’ no título. Porque é isso mesmo que os Scorpions são, uma banda de rock, e quis que isso se reflectisse no título do álbum (risos). Mas não foi possível.

- Porque decidiram pôr ponto final no grupo ao fim de 40 anos. Não há mais paixão?

- Não, não tem a ver com isso, pelo contrário, é por causa da nossa paixão. Deixa-me situar as coisas assim: é como nos Jogos Olímpicos, isto é, o que podemos desejar mais quando já ganhámos medalhas de ouro? Que podemos querer mais? Prata, bronze? Pensamos que temos um belo disco e foi quando percebemos isso que decidimos parar este ‘comboio’, após 40 anos, com um álbum forte e uma digressão. Queremos acabar com classe, sem andarmos por aí a arrastar-nos. Vamos fazer mais de 70 concertos, em 25 países, a banda está num bom momento de forma e queremos manter as coisas desse modo. É por isso que julgamos que esta é a melhor decisão. Sei que vai ser difícil quando chegarmos ao último concerto mas ainda falta um longo caminho até lá.

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- Conseguiram atingir aquilo que ambicionavam quando formaram os Scorpions?

- Muito mais do que alguma vez sonhámos. Na altura só queríamos fazer parte da família rock internacional, poder ombrear com AC/DC, Aerosmith, Van Halen... Todas essas grandes bandas. Queríamos tocar em todo o Mundo e fazer uma carreira internacional, o que é muito difícil quando o inglês não é a nossa língua-mãe. Lembro-me de que na altura as pessoas diziam "OK, podem ter algum êxito na Alemanha, ou até no resto da Europa, mas esqueçam a América’. Mas nós conseguimo-lo e, olhando para trás, penso que foi uma jornada fantástica, é um privilégio termos fãs em todo o Mundo, de Portugal ao Brasil, da Sibéria aos EUA. Concretizámos muitos sonhos, tivemos a oportunidade de viver os nossos sonhos.

- Como gostaria que os Scorpions fossem lembrados?

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- Como a banda que ‘abalou’ o Mundo como um furacão. ("Rock the World like a hurricane", numa alusão ao tema ‘Rock You Like a Hurricane’).

- A última digressão vai passar por Portugal?

- A ‘tour’ vai durar dois anos e meio a três e queremos muito tocar em Portugal. Temos muitos fãs aí, sempre fomos muito bem recebidos, lembro-me perfeitamente dos tempos que aí passámos, dos concertos no Atlântico e não só, do álbum ‘Acoustica’. Temos uma relação muito forte com os fãs portugueses. Para já não há ainda nada confirmado, não sei quando poderemos tocar aí, mas é claro que Portugal vai fazer parte da digressão.

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- Quão importante foi Portugal na carreira dos Scorpions?

- Muito importante. Quando gravámos o ‘Acoustica’ em Lisboa, em 2001, a música alternativa dominava a indústria, a década de 90 fora muito difícil, e depois de gravarmos o álbum sinfónico ‘Moments of Glory’ (2000) decidimos avançar para um disco acústico e era importante encontrarmos o lugar certo. Esse disco (‘Acoustica’) representa, de certo modo, o que levou à formação dos Scorpions, e quando descobrimos o Convento do Beato percebemos que aquele era o local certo para gravar o acústico. Há muito que procurávamos um lugar assim, perfeito, e depois esse álbum valeu-nos um prémio muito importante, de diamante, no Brasil. É um projecto muito especial e aconteceu numa altura muito difícil para a banda. O ‘Acoustica’ gravado em Lisboa foi o disco que colocou os Scorpions de novo no mapa.

- A canção que fecha o novo disco, ‘The Best is Yet to Come’ (‘O melhor está ainda para vir’, em tradução livre) parece outra declaração. O que querem dizer?

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- Nessa canção eu canto "the spirit of our songs remains the same" (‘o espírito das nossas canções é o mesmo’), e o que quero dizer é que fazemos as nossas canções com a mesma alma, com a mesma paixão de há 40 anos. Se olharmos para o Mundo desde então vemos que tudo mudou mas a nossa paixão pela música não se alterou. E por isso mesmo é que pus essa canção no final do disco, como uma pequena ironia, um piscar de olho.

- Quer isso dizer que tem planos para depois dos Scorpions ou vai somente deitar-se ao sol e gozar os seus rendimentos?

- Para dizer a verdade, nesta altura ainda não sei. Sou músico, sempre fui compositor, é o que sei fazer... Mas não tenho quaisquer planos, sei lá... Penso que vou ficar ligado à música de algum modo. Por exemplo, nunca gravei um álbum a solo, pode ser que aconteça, nunca se sabe, aliás não sei mesmo o que vou fazer depois. Mas com certeza que há-de aparecer qualquer coisa.

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- E os restantes Scorpions, sabe o que vão fazer?

- É curioso, porque quando fiz a mesma pergunta ao Rudolf ele disse-me que talvez venha a gravar um álbum com o irmão (Michael Schenker), e eu disse-lhe ‘então depois liga-me’ (risos). Porque não? Pode ser possível, nunca se sabe. Mas nesta fase ainda é cedo para pensar seja no que for. Para já estamos apenas concentrados no disco e na digressão que aí vem. Primeiro teremos de chegar à meta, encontrar o modo ideal de sair de cena com classe e pôr um ponto final na história dos Scorpions.

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