Leonel Vieira: "Num filme, sexo não é fundamental"

Leonel Vieira diz que as cenas escaldantes não são uma fórmula que garanta o sucesso de um filme.

13 de fevereiro de 2011 às 16:26
importa Foto: Tiago Sousa Dias
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Leonel Vieira diz que as cenas escaldantes não são uma fórmula que garanta o sucesso de um filme. O realizador considera que o cinema em Portugal não está bem, mas acredita que vai melhorar devido à nova forma de financiamento.

Correio da Manhã - A beleza é importante numa actriz?

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- Nem sempre, mas considero que Portugal precisa dela. As telenovelas começaram a fazer o recrutamento de actrizes bonitas. Aparecem actrizes lindas, gostosas, com corpos fantásticos. O que ainda não se fez foi a triagem da actriz bonita com supertalento. Nos actores já temos isso, mas não digo nomes.

- Hoje parece que qualquer figura pública pode ser actor ou actriz...

- É verdade que hoje a televisão só chama os jovens por serem bonitos. O cinema é mais exigente, mas também não caio na velha escola porque, no passado, o cinema português não tinha gente bonita. E a verdade é que precisa dessa gente.

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- É fundamental haver sexo?

- Não. É fundamental haver sexo se a história tiver que ver com isso. Posso dar vários exemplos de filmes que tinham sexo e não venderam nada. Não existem fórmulas. Existe, isso sim, vontade de comunicar para muita gente. E isso não é uma fórmula, é uma atitude.

- Como vai o cinema em Portugal?

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- Não acho que o cinema português esteja bem, sobretudo no que respeita a regras de financiamento. Em Portugal nunca se deu atenção ao cinema como noutros países. Por exemplo, em França, Inglaterra, Espanha, Itália e Alemanha, há políticas fortes para o cinema.

- O que está a falhar?

- Deveríamos ter uma regulamentação do audiovisual. Num país civilizado, quando o Estado atribui licenças para canais de televisão cria contrapartidas para a indústria audiovisual. Mas o cinema vai melhorar em Portugal graças à nova forma de financiamento que é o FICA (Fundo de Investimento para o Cinema e o Audiovisual). É uma arma que começa a funcionar. Para atingir a qualidade é necessário produzir mais filmes.

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- Em que projectos está envolvido?

- Estou a fazer o lançamento do filme ‘Budapeste', baseado no livro do mesmo nome, de Chico Buarque, e realizado por Walter Carvalho. Pela parte portuguesa participam dois grandes actores de gerações diferentes: Nicolau Breyner e Ivo Canelas. Estou ainda envolvido no filme ‘A Montanha', que é realizado por Vicente Ferraz. Além disso, estou a produzir, em parceria com Espanha, o filme ‘Sexo dos Anjos'. Acabámos, entretanto, a rodagem em Barcelona de uma grande produção sobre a I Guerra Mundial.

- Escolhe os actores pela experiência ou arrisca em desconhecidos?

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- Arrisco num desconhecido, mas hoje tenho um grupo de actores de quem gosto muito e que me fascinam.

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"NÃO ME APAIXONO COM FACILIDADE"

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- Como nasceu o gosto pelo cinema?

- A minha primeira paixão pelo cinema, que entretanto ficou adormecida, aconteceu aos sete anos, quando assisti pela primeira vez a uma rodagem de um filme, perto da minha escola. Chamava-se ‘A Guerra de Mirandum'. Despertei para o cinema em Coimbra, durante o período que estive em tratamento por motivos de saúde. Comecei a ir mais ao cinema e, aos 15 anos, escrevi num bilhete de cinema: "Prometo a mim próprio que um dia vou ser realizador de cinema."

- O sucesso é importante para si?

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- Não para mim, mas para os filmes. O retorno dos filmes é o meu retorno.

- É um homem de paixões? Apaixona-se facilmente? É boémio?

- Sou um homem de paixões, mas não me apaixono facilmente. Na escola, era boémio, mas agora sou pouco.

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- Como vai de amores?

- Não tenho ninguém.

"CASA PIA É DEMASIADO POLÉMICO"

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- À semelhança do ‘Ballet Rose', o processo Casa Pia também poderia dar um bom argumento?

- Qualquer ideia pode dar um bom filme, dependendo da qualidade do guião. Mas o processo Casa Pia é demasiado polémico.

- E o polémico não vende?

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- Não. Ter um tema polémico nas mãos tem o apelo mediático, mas não significa que se tenha um filme bem-sucedido.

- Nos seus filmes, tem a preocupação de passar uma mensagem?

- Os meus filmes não são veículos de reivindicação social. Têm uma mensagem mas, acima de tudo, o que eu procuro fazer é cinema, histórias que seduzam plateias.

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- Um realizador que ache genial?

- Martin Scorcese.

- Uma actriz que admire?

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- Meryl Streep.

PERFIL

Leonel Vieira nasceu em Miranda do Douro há 42 anos. Começou por estudar Design, História de Arte e Pintura e ingressou depois no Curso de Cinema Escuela Superior de Artes e Espectáculos TAI, em Madrid. Foi casado com a apresentadora Marta Leite Castro, de quem tem uma filha, Maria Emília, de cinco anos.

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