Oceana Basílio: “As drogas foram um escape na minha vida”
O passado marcado pelas drogas fê-la dar valor à vida. Agora, oito anos depois, a actriz de ‘Perfeito Coração’ é uma mulher feliz.
O passado marcado pelas drogas fê-la dar valor à vida. Agora, oito anos depois, a actriz de ‘Perfeito Coração’ é uma mulher feliz. A representação enche-lhe a alma e a filha Francisca dá alegria aos seus dias. Divorciada de Pedro Laginha, Oceana confessa que vê no empresário Nuno Almas alguém muito especial.
- Que balanço faz do ano que passou?
- Foi um ano de decisões muito importantes na minha vida. Foi um ano bom, de crescimento e de dedicação às coisas que eu gosto. Correu muito bem com a minha filha, por isso só posso estar contente.
- O facto de se ter divorciado de Pedro Laginha marcou o ano negativamente?
- Todos os acontecimentos existem por algum motivo, portanto não podemos encarar as coisas de forma negativa. Se tomamos decisões é para que possamos estar melhor e mais felizes.
- O Pedro continua a ser uma pessoa importante na sua vida?
- Sim, é um dos meus melhores amigos.
- Foi publicado que a separação se deveu a um aborto que a Oceana fez sem o consentimento do Pedro...
- Isso é completamente mentira. Essa situação vai ser resolvida no sítio devido.
- Como é que a sua filha Francisca reagiu ao divórcio?
- Reagiu bem, continuamos todos muito amigos e eles dão-se bem.
- E, neste momento, como está o seu coração?
- Está tranquilo.
- Tem-se feito acompanhar, algumas vezes, de Nuno Almas...
- O Nuno é uma pessoa especial na minha vida.
- E pode passar de pessoa especial a algo mais sério?
- Isso ninguém sabe. Se eu pudesse adivinhar o futuro seria fantástico [risos].
- Há uns meses disse que o ideal para si seria encontrar um homem para toda a vida. Acha que o seu desejo se vai concretizar?
- Não sei, mas quero acreditar que sim. O ideal de qualquer pessoa é ter um relacionamento tão bom que o caminho seja uma vida inteira em conjunto.
- E como é que tem que ser esse homem?
- Não tem nenhum requisito especial. Tem que ser uma pessoa que tenha a ver com a minha forma de viver e de estar. Tem de ser uma pessoa compreensiva, inteligente, extrovertida, que me aceite como eu sou e que consigamos viver momentos bons.
- Gostava de voltar a ser mãe?
- Claro que sim.
- De que forma o nascimento da Francisca veio mudar a sua vida?
- Ser mãe muda muita coisa. Deixamos de estar em primeiro lugar e isso muda tudo o resto.
- A Francisca é parecida consigo?
- É, muito. Ela é muito traquina e extrovertida e como vivemos sozinhas somos mesmo muito cúmplices.
- Tornou público o seu passado com drogas. Fê-lo porque já é um assunto totalmente ultrapassado na sua vida?
- Passaram oito anos e é um assunto completamente resolvido. Falo nele para ser tomado como um exemplo.
- De que forma?
- As coisas que nos fazem sair da realidade e que são uma fuga aos sentimentos não valem a pena. Inteligentes só podem ser as pessoas que aprendem com os erros dos outros. Eu posso mostrar o porquê de não valer a pena.
- Por que é que não vale a pena?
- Porque é muito mais valioso nós conseguirmos lidar com os nossos sentimentos, com a realidade e não precisar de fugas. As drogas são um escape, um mundo imaginário. É importante olhar para as coisas e perceber que existe um problema e que é possível ultrapassá-lo.
- Tira algum aspecto positivo dessa fase?
- Cresci depressa, tornei-me uma pessoa mais terra a terra, mais humilde e sei que cada dia é valioso e que a vida é efémera. Há que viver da melhor maneira e para isso não é necessário viver no limite. Só não se ultrapassa a morte e tudo tem que ser encarado com muita luta. Nunca desisti.
- Quando é que tomou consciência de que tinha que parar?
- Quando percebi que tinha que reconquistar tudo e que todos os sonhos que eu tinha por realizar seriam possíveis se eu estivesse bem. Hoje em dia faço aquilo de que gosto, aquilo que quero.
- Nasceu em Tavira. Quando é que veio para Lisboa?
- Vim viver para Lisboa com 16, 17 anos para estudar teatro.
- Como é que foi a sua infância?
- Foi uma infância muito feliz, muito livre. O Algarve é um espaço óptimo nesse sentido. É uma terra pequena, conhece-se toda a gente e brinca-se na rua.
- Sempre quis ser actriz?
- Sempre gostei de recriar situações, contar histórias...
- Apesar do seu percurso em teatro, foi com ‘Morangos com Açúcar’ que se tornou conhecida do grande público. Como é que lidou com a fama nessa altura?
- Na altura não tive muita noção do ‘boom’ dos ‘Morangos’ porque a minha vida era passada a gravar em estúdio e depois com a Francisca.
- Enveredou na área das novelas pelo dinheiro?
- É óbvio que a televisão é um poder económico maior. Em Portugal continua a ser muito difícil porque não temos qualquer apoio, trabalhamos a recibos verdes e temos que saber gerir muito bem as economias para as alturas em que não trabalhamos.
- Que balanço faz da sua participação em ‘Perfeito Coração’?
- Foi uma personagem gira. Acima de tudo gostei muito da equipa técnica, da produção, dos actores... foi um grupo muito bom. Foi um trabalho muito tranquilo, com muito bom ambiente.
- Gosta de fazer novelas?
- Gosto de todas as áreas. O teatro dá uma adrenalina diferente, é muito mais imediato. O feedback é no momento e vivemos aquela personagem intensamente. Na televisão não. É um trabalho diário e é muito mais exaustivo a nível de horas. Mas gosto imenso das duas áreas.
- O teatro continua a ser a sua grande paixão?
- É aquilo que eu não consigo deixar nunca.
- É uma mulher realizada em termos profissionais?
- Não posso dizer que sou realizada porque espero sempre mais qualquer coisa. É uma busca constante, mas posso dizer que me sinto feliz naquilo que faço e nas pequenas conquistas que vou conseguindo na minha profissão.
- Há algum projecto que gostasse muito de concretizar?
- Há, mas não quero falar sobre ele. Neste momento estou concentrada na minha peça, ‘Mundo Submerso’, com encenação de Pedro Marques, e com Guilherme Barroso, Helena Salazar, entre outros.
- Em termos pessoais, também é uma mulher realizada?
- A 100% não, mas não me posso queixar. Tenho uma atitude grata perante a vida. É claro que há muitas outras coisas que eu espero realizar.
- Sempre disse que não posaria para uma revista masculina. O que a levou a fazê-lo agora?
- Aceitei porque a produção é numa onda artística. É óbvio que são umas fotografias sensuais e que puxam por um lado que se pode chamar de sexual, mas não mostram absolutamente nada.
- Sente-se uma mulher sensual?
- Tem dias. Principalmente tenho que me sentir bem fisicamente, com saúde. Além disso, tem muito a ver com os momentos.
- Gosta do que vê no espelho?
- Gosto. Não tenho problemas nenhuns com o meu corpo nem com a cara. Não tenho inseguranças.
- Gosta de ouvir elogios?
- Gosto, claro. Sabe sempre bem ouvir elogios das pessoas que gosto e que eu respeito e admiro.
- A nível profissional, gostava de experimentar outra área?
- Honestamente não consigo imaginar, por isso é que me dedico tanto quanto possível à Guilherme Cossoul [escola artística] e ao teatro, porque acho que é isso e gosto imenso de tudo o que tem a ver com arte. Gosto muito de arte. Também gosto muito da área da restauração. Se tiver que fazer outro trabalho, faço.
- E em relação à sua filha, que profissão gostava que ela tivesse?
- Gostava que ela fosse médica [risos]. Honestamente, seja qual for a decisão dela, eu estou aqui para a apoiar e ajudá-la a seguir da melhor forma essa caminho.
- Prefere manter bem delimitado o seu papel de mãe em relação à Francisca, ou quer que ela a sinta como uma amiga?
- Acima de tudo quero ser mãe. Acho que é muito importante para todos nós termos um pilar. Por vezes ela pode achar que eu estou a ser dura.
- Quais são os seus desejos para 2010?
- Tenho um desejo há muito tempo – que o trabalho de todos os artistas seja reconsiderado e que possamos usufruir de tudo como um trabalhador normal. À parte disso, desejo muita saúde. Cada vez mais percebo o quanto isso é importante. Desejo que todas as pessoas que eu amo continuem bem e comigo e que tenhamos momentos muito bons.
NA INTIMIDADE
- Quem gostaria de convidar para um jantar a dois?
- A pessoa com quem eu gostaria de jantar sabe quem é...
- Não consigo resistir a...
- Chocolates. São a minha grande perdição.
- Se pudesse, o que mudava em si, no corpo e no feitio?
- No corpo não mudava nada, sinto-me bem como sou. No feitio gostava de ser menos orgulhosa, às vezes é prejudicial.
- Sinto-me melhor quando...
- Consigo ter tempo para ler e para usufruir da minha casa. Quando estou a gravar intensamente não tenho tanto tempo quanto gostaria.
- O que não suporta no sexo oposto?
- Não suporto que falem mal do outro sexo.
- Qual é o seu pequeno crime diário?
- Comer muitos chocolates, sem dúvida.
- O que seria capaz de fazer por amor?
- Seria capaz de fazer quase tudo.
- Complete. A minha vida é...
- Aquilo que tenho de mais precioso.
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