Polanski pode ficar detido na Suíça durante anos

A situação do cineasta franco-polaco, indiciado por um crime de pedofilia ocorrido nos Estados Unidos há mais de 30 anos, começa a complicar-se.

30 de setembro de 2009 às 10:22
importa Foto: Brainpix
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Não se sabe ao certo por quanto tempo Roman Polanski vai permanecer detido em Zurique, mas tudo indica que a situação vai arrastar-se. A Justiça federal suíça fez saber ontem que tomará uma decisão 'nas próximas semanas' em relação à petição apresentada pelos advogados do cineasta franco-polaco, de 76 anos, contra a sua prisão, que ocorreu no passado sábado, em resultado de um pedido de extradição feito pelas autoridades norte-americanas.

Em causa está um processo judicial de abuso sexual de uma adolescente de 13 anos, crime ocorrido em 1977 que o próprio Polanski confessou ter perpetrado. Na época, o cineasta chegou a ser preso, mas fugiu do país mal obteve a liberdade condicional. As autoridades dos Estados Unidos querem agora que o realizador seja presente novamente perante a Justiça para ser julgado e sentenciado.

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O autor de filmes como 'Lua de Mel, Lua de Fel' e 'O Pianista' estava na Suíça para receber um prémo de carreira no Festival de Cinema de Zurique.

Lorenz Erni, o advogado suíço do cineasta, garantiu aos jornalistas que vai combater a extradição e que, apesar de o realizador estar bem, a detenção está a ser-lhe penosa. O cônsul-geral de França, Jean-Luc Fauré-Tournaire, já visitou o realizador na prisão e confirmou que ele está a ser bem tratado pelas autoridades locais.

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O problema está agora no pedido de extradição, um processo extremamente complexo que pode arrastar-se durante anos. Pelo menos é o que afirma um porta-voz do Ministério da Justiça suíço, segundo o qual, sendo teoricamente possível, é pouco provável que Polanski seja libertado mediante pagamento de fiança, situação que ocorreu aquando da primeira detenção nos Estados Unidos e que levou à sua fuga. E o processo ficará ainda mais complicado se for contestado pelo cineasta, como parece ser a sua vontade e a dos seus representantes legais.

O chanceler francês Bernard Kouchner revelou entretanto que está em contacto com as autoridades polacas bem como escreveu à secretária de Estado americana Hillary Clinton sobre o caso Polanski. Por seu lado, uma fonte do gabinete do governador da Califórnia, que tem jurisdição sobre o caso, disse que Arnold Schwarzenegger possui autoridade para conceder perdão, mas até ao momento não houve qualquer contacto por parte do cineasta.

Muitas figuras da comunidade artística norte-americana já manifestaram o seu apoio ao realizador, enquanto em França está a suceder justamente o contrário, quer junto de artistas quer de políticos para os quais o tema da pedofilia tem um carácter muito sensível.

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