Rita Mendes: “Não me vou armar em supermulher”
Aos 33 anos, Rita Mendes vive um turbilhão de emoções. Grávida de cinco meses e separada do namorado, Roger Branco, a DJ admite que nem sempre é fácil
Aos 33 anos, Rita Mendes vive um turbilhão de emoções. Grávida de cinco meses e separada do namorado, Roger Branco, a DJ admite que nem sempre é fácil lidar com a ruptura e, para ter o apoio necessário durante a gestação, decidiu dividir casa com a mãe. Feliz, garante que não está de portas fechadas para o amor.
hegou agora aos cinco meses de gestação. Como está a correr a gravidez?
- Tem sido vivida de uma forma muito intensa, tendo em conta todas as contingências. Qualquer gravidez é intensa mas a minha tem sido um rol de sentimentos muito grande. Agora, estou finalmente a concentrar-me mais em mim e no que me está a acontecer, porque até aqui tem sido um rodopio de emoções.
- Decidiu separar-se do seu namorado enquanto estava grávida. Como tem lidado com a ruptura, numa fase em que os sentimentos estão mais à flor da pele?
- Não tenho sentido muita diferença porque eu já sou assim naturalmente: gosto muito de rir, de chorar, de sentimentos. É óbvio que tenho os meus momentos mas estou tão preocupada com coisas práticas e logísticas que não me tenho permitido a esses caprichos.
- Como tem lidado com a gravidez e a separação?
- Eu acho que nisso o universo é fantástico, porque nos dá nove meses para nos adaptarmos a tudo. Neste momento, o meu objectivo e do Roger é conseguirmos nos dar coerentemente, de forma a que o centro das atenções deixe de ser a nossa ex-relação para passar a ser o nosso filho.
- Foi fácil tomar essa decisão nesta altura da sua vida?
- Ao contrário do que se possa pensar, a gravidez deu-me uma grande força. A decisão foi tomada e, se calhar, noutras situações voltava atrás e pensava duas vezes. A gravidez deu-me uma força imensa e inexplicável mas não digo que seja fácil. Tenho os meus momentos e nem sempre consigo pensar assim tão à frente.
- A ruptura é, portanto, definitiva?
- Eu não gosto de dizer ‘desta água não beberei' porque, no fundo, vai nascer um filho, que muda muita coisa. Mas, à partida, não é esse o percurso que eu quero seguir. Quero que o Afonso tenha uma mãe e um pai presentes. Há muitas famílias ditas tradicionais que não funcionam bem, por isso mais vale assumir que não temos a família estruturada dessa forma, mas esta acaba por existir, porque biologicamente o filho vem dos dois e ambos vamos gostar dele. As coisas têm é que se gerir de outra forma.
- O Roger tem estado muito presente na gravidez?
- Não tem estado muito presente, só nas alturas essenciais mas essa não presença deve-se mais a mim do que a ele, porque é complicado gerir tudo.
- Tem pena que não haja essa partilha?
- Às vezes, olho para as minhas amigas que estão a passar ou já passaram por gravidezes e assumo que tenho uma certa tristeza por não estar a passar pelo mesmo. Mesmo assim, não deixo de partilhar as coisas com ele. Por exemplo, assim que o Afonso se mexeu pela primeira vez telefonei-lhe logo a contar, mas não é a mesma coisa do que ter uma relação, porque a partir do momento em que nos decidimos separar também acaba por haver um afastamento.
- Entretanto, com a separação mudou-se para casa da mãe...
- Não me mudei para casa da minha mãe. Ambas decidimos ter uma casa nossa. Nós somos muito amigas e a minha mãe é, sem dúvida, um pilar muito forte na minha vida. Claro que é uma situação ambígua porque, aos 33 anos, voltar a viver com a minha mãe tem coisas fantásticas mas, de repente, parece que se está a dar um passo atrás. No entanto, esta não é altura para me armar em supermulher, porque vou ter aquelas dúvidas todas comuns às pré-mamãs e acho que foi uma boa opção ter a minha mãe ao pé de mim. Até está a ser uma fase engraçada.
- Quem vai assistir ao parto?
- Ainda não decidi. Tenho vindo, passo a passo, a estruturar uma série de coisas mas essa situação é um bocado complicada. Sei que o pai vai estar presente mas não sei se quero que ele esteja na sala de parto. Ele quer assistir mas vamos ver o que acontece até lá.
- Se não for o Roger, quem gostava de ter ao lado?
- Não sei. No fundo é uma substituição muito dura. Ainda não consegui tomar essa decisão. É uma coisa que me tem atormentado mas ainda tenho alguns meses pela frente e até lá vai fazer-se luz.
- E o momento do parto assusta-a?
- Acho que vou ficar assustada na altura certa. Eu nunca fui operada a nada, nunca levei uma anestesia geral e não gosto de hospitais, por isso, é claro que tenho os meus receios. Mas estou a ter aulas de ioga, que me têm ajudado a fazer exercícios de respiração que me vão ajudar na altura.
- Teve muitas preocupações no início da gravidez, tendo em conta que no passado sofreu um aborto espontâneo?
- No meu caso, acho que foi mesmo o destino que assim o quis, porque não foram contingências físicas que ditaram que eu tivesse perdido o bebé. Há pessoas que têm dificuldade em manter os fetos, comigo não foi assim. Mas claro que ao início acaba por haver sempre uma nevoazinha. Nos primeiros tempos, quando soube que estava grávida, conduzia a 20 km/h com medo de passar por um buraco. Ao início tudo mete medo. Agora já percebi que estar grávida é uma situação perfeitamente normal.
- Foi uma gravidez muito desejada?
- Há mulheres que vão cultivando essa vontade ao longo do tempo. Eu, desde pequena que sabia que queria ser mãe e que ia ser uma etapa muito importante da minha vida. Noutras relações não aconteceu e noutras fases da minha vida não quis, porque tinha outras prioridades, mas, a partir do momento em que aconteceu, aceitei esta gravidez de braços abertos. Tanto, que o meu filho vai chamar-se Afonso Luz, porque acho que vai ser uma luz na minha vida.
- Acha que aconteceu na altura certa?
- Sim, foi na altura e na idade certa, em que eu consigo lidar com os problemas e a maternidade de outra forma, apesar de preferir que estivesse a ser muito mais tranquilo. Mas a minha vida tem sido um sobressalto e tenho de aceitar. Tenho que arranjar mecanismos para dar a volta e tornar as coisas positivas.
- Já abrandou o ritmo de trabalho?
- Já comecei a abrandar, porque o meu trabalho é muito exigente ao nível físico. E, ao contrário do que se possa pensar, é mais complicado o meu trabalho de relações públicas do que o de DJ, porque em duas horas ponho música e vou-me embora. O que acontece é que estou a evitar ambientes de fumo e, como relações públicas, felizmente trabalho com a Flávia Moreira e, nesta altura, estou a fazer mais trabalho de bastidores. Mas tenho outros planos...
- Quais são esses planos?
- Estou a terminar o meu curso de produção de música e tenho um projecto para lançar um livro com crónicas e textos que tenho vindo a escrever ao longo dos tempos numa rubrica para uma revista.
- De todos os projectos, o que mais a satisfaz?
- Neste momento estou, sem dúvida, muito apaixonada pela música. Por exemplo, um dos meus grandes objectivos agora é aprender a tocar piano. A musica é uma parte muito importante da minha vida. Antes ficava muito deprimida por não saber dizer qual era minha profissão, hoje já não porque, no fundo, sei que sou comunicadora. Dentro dessa área vão surgindo coisas, mas mesmo assim estou um bocadinho mais centrada. Até porque chegas a uma altura da minha vida em que se não te centrares mesmo numa coisa és sempre boazinha naquilo que fazes e nunca és muito boa. Tens jeitinho.
- Entretanto, a imprensa noticiou que se tinha reaproximado do seu ex-namorado [o actor Hugo Sequeira]. Confirma?
- Sem dúvida que estou muito mais próxima dele. É um amigo de há dez anos e o que acontece é que ambos estamos a passar por situações complicadas ao nível emocional e acho que isso acabou por nos juntar. Mas não temos nenhuma relação amorosa. Amo-o como amigo, mas não lhe dou beijinhos nem durmo com ele à noite. A situação pela qual estou a passar não é fácil nem muito normal e o Hugo, não tendo obviamente passado pelo mesmo tem uma sensibilidade muito própria.
- Acha que se vai voltar a apaixonar?
- Claro que vou, de certeza. O amor é o mais importante do mundo. Acho que depois de nascer um filho essa nossa perspectiva de amor muda e passa a ser muito mais concentrada nesse ser, mas isso não impede que os pais, neste caso a mãe, deixem de ter uma vida emocional. Não sei é se será tão fácil estruturar-me ao nível familiar, voltar a viver com uma pessoa e mudar de vida, ando cansada disso. Já são muitos anos a não acertar na ‘mouche' e, parecendo que não, não mata mas mói. Claro que agora não penso nisso, mas não estou fechada para o amor. O meu príncipe há-de andar por aí.
- Portanto, não se sente desiludida com o amor...
- Há um período de quase luto, em que ficas desconfiada das pessoas, tens medo de te entregares e de sofrer. Mas, como já disse, não estou fechada para o amor. Quando isso acontecer acho que me fecho para a vida.
INTIMIDADES
- Quem gostaria de convidar para um jantar a dois?
- O meu filho Afonso. Gostava de andar uns aninhos para a frente e conhecer a personalidade dele e a pessoa que ele vai ser.
- Não consigo resistir a...
- A um bom dia de praia. Sou filha do sol e do mar. Qualquer aberta me leva à praia.
- Se pudesse, o que mudava em si, no corpo e no feitio?
- No meu corpo, gostava de ser um bocadinho mais alta, portanto esticava-me. No feitio, costumo dizer que a minha qualidade e o defeito são os mesmos, que é uma grande sensibilidade, portanto há momentos em que gostava de ser um bocadinho mais durona.
- Sinto-me melhor quando...
- Estou em paz comigo mesma.
- O que não suporta no sexo oposto?
- A desatenção. Os homens, no geral, são muito desatentos.
- Qual é o seu pequeno crime diário?
- Os doces, principalmente agora. Tento controlar-me mas gosto imenso.
- O que seria capaz de fazer por amor?
- Quase tudo. Acho que o amor é tudo na vida, por isso se se devem fazer esforços e levar avante coisas loucas por alguma coisa, é por amor.
- Complete. A minha vida é...
- ... uma surpresa constante. Nunca sei como vai ser a minha próxima semana.
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