Ruth Marlene: "Espero por um príncipe"
Sem pudores, Ruth Marlene, de 31 anos, abriu a porta de sua casa à Vidas e falou do seu amor incondicional à família, da desilusão do divórcio
Sem pudores, Ruth Marlene, de 31 anos, abriu a porta de sua casa à Vidas e falou do seu amor incondicional à família e da desilusão do divórcio, do sonho de ser mãe e da paixão fiel à sua música.
- Lançou recentemente um novo trabalho. Fale-nos um bocadinho dele…
- Chama-se ‘O Melhor de Ruth Marlene’ e tem 18 temas, três deles são inéditos: o ‘SMS do Amor’, o ‘Despe, Despe’ e uma balada muito linda feita por mim que se chama ‘O Melhor de Mim’. Além disso, tem temas muito conhecidos como o ‘A moda do Pisca-Pisca’, o ‘Só à Estalada’ e o ‘Show de Bola’. As músicas têm uma nova roupagem.
- Um divórcio é sempre um divórcio e foi muito complicado. Quando me casei [com João Miguel Silva, em Dezembro de 2006] era com o intuito de ser para sempre, mas agora estou bem, graças a Deus.
- Então neste álbum está reflectida uma nova Ruth?
- Sim, é uma nova Ruth, cheia de energia e muito positiva. O ‘Melhor de Mim’ retrata a minha essência. Uma pessoa tem que gostar dela própria para poder gostar dos outros, e eu aprendi isso. Às vezes as pessoas têm medo de estar sozinhas, e eu acho que também pode ser muito bom estar sozinha. Depois do divórcio fiquei um pouco sensível e estava habituada a estar acompanhada, mas agora estou bem.
- Na altura fechei um pouco, quis estar sozinha. Agora já passou um ano e se eu me apaixonar vou ficar muito contente. Tem que haver amor na vida.
- E o que é que falhou no casamento?
- Fiquei mesmo um pouco desiludida. Éramos duas pessoas diferentes, com objectivos diferentes.
- Os problemas de anorexia que teve estiveram relacionados com isso?
- Sim, na altura afastei-me de toda a minha família por causa dele e fui-me muito abaixo. Com o ‘stress’, eu não comia mesmo. Quando me apercebi, passado um mês, estava com 12 quilos a menos. A infelicidade emagrece. Eu não provocava o vómito, simplesmente o meu organismo rejeitava a comida. Não conseguia comer. Além disso, era obcecada por fazer exercício físico.
- E agora, como se sente?
- Uma anoréctica vai sentir-se a vida toda gorda. Mas agora tenho consciência de que são coisas da minha cabeça. Já percebo que estou normal.
- E a nível emocional, já ultrapassou a dor?
- Sinto-me muito bem. Posso dizer que estou a viver a melhor fase da minha vida. O trabalho corre-me bem e tenho a minha família ao pé de mim.
- Arrepende-se de se ter afastado da família durante o casamento?
- A família é o mais importante da minha vida. Os meus pais não eram a favor do casamento, e eles tinham as razões deles e eu respeito-as. Fiquei doente por isso, não tenho dúvidas. Nós somos muito unidos, muito chegados. Naquela altura em que estive sem eles senti-me completamente vazia.
- Como é a vossa relação agora?
- Temos uma relação muito boa. Cada um tem a sua casa mas estamos sempre juntos. É a minha mãe que faz as minhas roupas e as dos bailarinos. Ela é uma deusa, é muito criativa.
- Considera-se uma mulher sexy?
- Sexy não, mas sensual. Todas as mulheres são sensuais porque têm hipótese de se arranjar, usar maquilhagem, adereços... Mas tudo está na cabeça, depende do estado de espírito. A mulher pode estar de calças de ganga e ser sensual.
- E em cima do palco, como é a Ruth Marlene?
- A minha mãe sempre me fez roupas de bonecas e eu associei isso a roupas queridas e não sensuais. Sinceramente, não considero sexy a roupa que uso, embora eu represente aquilo que cante, e adapto a minha roupa às canções. Num espectáculo chego a mudar nove vezes de roupa.
- Fez uma produção ousada para a revista ‘FHM’. Repetiria a experiência?
- Sim, se fosse algo do género fazia. Foi na altura em que comecei a recuperar da anorexia, engordei um bocadinho, e gostei muito. Mas na ocasião não me estava a sentir bem com o meu corpo.
- E se a convidassem para algo ainda mais ousado?
- Aí acho que não. É muita exposição, apesar de serem fotos artísticas. Há muitas crianças que vão aos meus espectáculos e eu não me ia sentir muito bem em saber que elas me iam ver despida. Eu própria acho bonito, mas penso é nas outras pessoas.
- E os seus pais iriam apoiá-la?
- Os meus pais são os primeiros a apoiar-me. Mas para já não vou fazer. A não ser que houvesse um problema grave na minha vida. Se o meu pai estivesse a morrer e precisasse de muito dinheiro, eu despia-me e fazia uma produção. Mas repito, tinha que ser por uma causa mesmo muito importante.
- Costuma ouvir piropos na rua?
- Costumo. Mas, normalmente, dizem-me coisas engraçadas.
- Que cuidados tem com o seu corpo?
- No Verão, normalmente não vou ao ginásio, e adoro comer pizas e hambúrgueres. Confesso que não tenho mesmo cuidado nenhum.
- Foi dito recentemente que fez uma rinoplastia. É verdade?
- Não. O meu nariz está partido e ainda não fui operada. Já tinha rachado o nariz na ‘1ª Companhia’ e depois pratiquei pugilismo durante um ano e ficou ainda pior. Agora até estou com mais problemas de sinusite. Por isso vou ser operada em breve.
- E há mais alguma mudança que faria no corpo?
- Já pensei aumentar o peito mas depois de ser mãe, não agora.
- Ser mãe é um objectivo que pretende realizar em breve?
- É. Mesmo não estando casada, quero muito ser mãe. Adoro crianças. Um filho é sempre bem-vindo, com ou sem pai.
- Mas não gostava, efectivamente, de construir uma família?
- Sim, mas, infelizmente, agora as pessoas casam-se e divorciam-se rapidamente, e depois as crianças sofrem e têm que se dividir pelas casas da mãe e do pai. Mas sonhar é viver. Claro que estou à espera do meu príncipe.
- Voltaria a casar?
- Só se fosse mesmo, de facto, com um grande príncipe.
- É uma mulher romântica?
- Sou, muito. Tudo o que eu componho é a falar de amor.
- Tem oito tatuagens. Está a pensar fazer mais alguma?
- Sim, com o nome do meu filho.
- Como está a correr o seu Verão?
- Está a correr muito bem. Andamos sempre de um lado para o outro, em diversos espectáculos.
- O amor pela música compensa tudo?
- Sempre vivi da música e para a música. Não sei o que é estar sem fazer nada que não esteja relacionado com a música, porque, graças a Deus, as pessoas sempre apareceram nos meus espectáculos e me apoiaram. Eu gosto muito de cantar e estar em palco. Não gosto de televisão, gosto de cantar ao vivo.
- Como tem sido o feed-back das pessoas na rua ao longos destes anos?
- As pessoas apoiam-me imenso, principalmente as crianças.
- Não a incomoda que as pessoas a rotulem de cantora pimba?
- Não me ofende nada. Sou com muito prazer.
- Como é que lida com a fama?
- No primeiro ano em que fui famosa, entrei em pânico porque não consegui gerir as coisas. Não era por vedetismo, simplesmente não sabia o que havia de dizer às pessoas. Mas depois habituei-me e as pessoas são muito queridas comigo. Eu sou uma tagarela, então é óptimo falar com toda a gente na rua.
- Como é a Ruth para lá dos palcos?
- Adoro ficar no sofá a ver filmes e comer porcarias e ir ao McDonald’s com a família e os amigos. Sou muito descontraída, muito simples.
- É uma mulher realizada?
- Sou. Só me falta ser mãe. É o meu maior sonho.
REFLEXO
- O que vê quando se olha no espelho?
- Vejo uma mulher linda por dentro.
- Gosta do que vê?
- Depende, quando acontece fazer directas não gosto muito. Mas quando não gosto de alguma coisa tento melhorá-la, por isso tento dormir mais.
- Alguma vez lhe apeteceu partir o espelho?
- Por acaso já parti um, há muitos anos, estava chateada. Mas não tive muito azar.
- Quem gostaria de ver reflectido no espelho?
- O meu príncipe.
- Pessoa de referência?
- A minha mãe. É a mulher mais corajosa e mais forte que eu conheço. Ela não pára. Chega a dormir três horas para ir aos espectáculos e depois acorda cedo para arrumar a casa toda e fazer o comer para nós. Nunca chegarei aos pés dela. Ela tem um talento surreal.
- Momento marcante na vida?
- Foi o nascimento do meu sobrinho, Diogo. Quando as enfermeiras o trouxeram vi que era lindo.
- Qualidade e defeito?
- Defeitos: fico rabugenta quando durmo e sou muito dorminhoca. Qualidades: sou uma boa amiga, não traio os meus amigos. Sou sincera, e quando me pedem que guarde um segredo eu guardo-o mesmo.
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