Sociedade Recreativa: Pop total
O incrível é que algumas canções dos ABBA resistiram ao tempo
Quando em 1974 os ABBA ganharam o Festival da Eurovisão, inaugurou-se uma nova era na pop. Os membros femininos do grupo, Agnetha e Anni-Frid, davam ao grupo um fascínio erótico que faria corar de vergonha Lady Gaga. Se juntarmos isso às melodias fáceis de trautear e às roupas incandescentes pilhadas do ‘glam-rock’ de Gary Glitter ou dos Sweet, seria difícil que o grupo não fosse uma espécie de conto de fadas numa altura em que o rock sinfónico perecia com falta de ideias e o punk ainda estava a ser semeado.
Mas o modelo dos ABBA era Bryan Ferry, o elegante vocalista dos Roxy Music, que sabia juntar o glamour ao rock. Os criadores das canções dos ABBA, Bjorn e Benny, sabiam o segredo do sucesso: canções que ficavam no ouvido. Mas o que é fascinante é que, mais de 35 anos depois, quando se escuta ‘The Definitive Collection’, a sua nova colectânea de êxitos, ainda ficamos abismados.
O que é mais curioso é que os ABBA eram o grupo de que era proibido gostar nesses anos. Tal como aconteceu com o ‘disco-sound’ pouco depois. A música pop era, por esses dias, um símbolo burguês, de quem não gostava de música séria. Era semelhante à pastilha elástica, mas os ABBA eram superiores a isso.
Se escutarmos hoje canções ‘The Winner Takes it All’, ‘Money Money Money’‘SOS’ ou ‘Waterloo’ percebemos que está ali a faísca melódica da melhor pop. Aquela que apenas deseja o nosso prazer. Os ABBA eram divertimento no mais puro termo da palavra. Não queriam revolucionar o mundo, da mesma forma que Lady Gaga não o deseja hoje. Eram apenas um reflexo do seu tempo.
Os ABBA continuaram indiferentes às mudanças do mundo que os rodeava mas acabaram por se separar em 1982. Mas o que é incrível é que algumas das suas canções resistiram ao tempo.
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