Virgílio Castelo: "Nunca me senti bem na pele de galã”
Virgílio Castelo é avô desde sexta-feira e ainda não conhece bem o seu ‘novo papel’, mas já está a gostar de o representar.
Virgílio Castelo é avô desde sexta-feira e ainda não conhece bem o seu ‘novo papel’, mas já está a gostar de o representar. O actor tem na família o seu mais ambicioso projecto.
– Como é que combina agora o título de galã com o de avô?
– Ser avô é um papel tão recente que ainda só sei que me sinto muito bem nele, com a ideia de ver a família a crescer. Em contrapartida, para mim, ser galã nunca foi um título nem justo nem interessante. Não sinto que haja contradição entre uma e outra coisa, até porque nunca me senti galã... Em Portugal, essa adjectivação é sempre pejorativa.
– Ser bonito prejudica mais do que beneficia, é isso?
– Não será este o tempo certo para fazer juízos históricos, mas ser galã foi sempre um presente envenenado, uma pele com a qual nunca me senti bem. Neste país, no universo dos actores, não se reconhece o que é reconhecido no Mundo inteiro. Conhece muitos galãs de quem se diga que são também bons actores? Posto isto, não há qualquer contradição com o meu papel de avô.
–Tendo sido pai há pouco mais de um ano e avô há menos de uma semana, os papéis confundem-se ou já são distintos?
– Ainda não sei. Neste momento, a única coisa que sinto é um sentimento de amor instintivo pela minha neta. Não me sinto à vontade para comparar e distinguir o que é ser avô do que é ser pai. Para ter opinião sobre o que é ser avô, terá de me fazer essa pergunta daqui a um ano. É tudo tão recente, tão fantástico, tão novo, que fazer juízos de valor é cair em lugares-comuns.
– Qual a relação da sua família com a sua carreira?
– A família, para mim, é o mais ambicioso projecto da minha vida porque é o mais difícil de concretizar e porque implica muita coisa. A família é uma obra de arte nunca terminada. Não é uma obrigação nem uma herança. É algo que se constrói e, para se construir, exige a mesma dedicação e a mesma mística que exige uma qualquer perfeição que se quer atingir... É difícil traduzir coisas assim tão importantes.
– A sua última aventura profissional, o romance, já tem sucessor?
– Estou a trabalhar nisso mas só sairá para o ano. O meu primeiro livro (‘O Último Navegador’) era sobre Portugal, o segundo é sobre o Amor e o terceiro será sobre Deus. São as únicas coisas que realmente interessam. Tudo o resto é bastante dispensável.
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