A menos de um mês de ser mãe de mais uma rapariga, a actriz, de 36 anos, revela como está a viver a recta final da gravidez.
A menos de um mês de ser mãe de mais uma rapariga, a actriz, de 36 anos, revela como está a viver a recta final da gravidez.
- Está na recta final da segunda gravidez. Como está a correr?
- Foi semelhante à primeira, porque não tive aqueles desejos malucos nem enjoos. As coisas que me apetecia comer na gravidez da Júlia [há quase cinco anos] foram as mesmas de que agora: quilos de tomate e pepino com vinagre de maçã. E pickles, ou seja, tudo o que fosse amargo... De diferente é capaz de haver, inconscientemente, uma ansiedade menor, porque já não vou para o desconhecido. Não vou com medo, tenho muita confiança no meu médico, somos muito amigos e já lhe disse: faça-me o que quiser, desde que a miúda saia cá para fora.
- E a Júlia, como é que está a lidar com o facto de vir a ter uma irmã?
- É fantástica e não me deixa apanhar nada do chão (risos). Agora já me perguntou se é antes do Natal que a irmã nasce, mas tem sido muito paciente, porque para uma criança esperar nove meses é complicado e ela aguentou muito bem. E, depois, é muito maternal. Levei-a às aulas de preparação e, numa delas, a enfermeira pôs uma bebé de três dias no colo dela, para a fazer participar, e também ajudou a mudar uma fralda. É giro: eu brinco com ela às bonecas e vou passar a brincar com uma boneca de carne e osso.
- Ela foi muito participativa?
- Muito, até escolheu o nome da irmã, que vai chamar-se Leonor. Eu também gostei, claro. Agora vão ser três contra um, mais a tartaruga. Naquela casa é só mulheres...
- E na casa do seu marido, o Pepê Rapazote, é só homens...
- Sim, ele vivia num universo de homens e agora tem o oposto (risos).
- Pensa que a sua filha irá ressentir-se de atenção?
- Eu sou irmã do meio e não tenho essa percepção, mas deve ser um choque muito grande porque, para todos os efeitos, a Júlia viveu quase cinco anos com uma gestão familiar a três e sabemos que o quarto elemento é sempre complicado. Até por uma questão de logística. Neste caso, a minha mãe vai voltar a ajudar-me imenso, e a minha irmã, que trabalha em Viseu, também, embora por telefone. Mas, por muito acompanhado que estejamos, a verdade é que, geograficamente, não podemos estar em três ou quatro sítios ao mesmo tempo. Mas já fiz um pacto com o meu marido e prometi a mim mesma que vamos tentar agilizar as coisas de maneira a que ela não sinta tanto e nós também não.
- Está preparada para não dormir nos primeiros tempos?
- Esperamos que a Leonor seja calminha, porque a Júlia gritou-me durante quatro meses. Mas as pessoas mais velhas dizem-me sempre: "Não se preocupe que se a primeira foi terrível a segunda vai ser calminha." Portanto, vai depender muito da bebé.
- O Pepê queria um rapaz. Ficou triste por saber que iam ter outra menina?
- Ele não queria propriamente um rapaz, disse é que vai ficar sem a experiência de ser pai de um menino. Há muitos homens que querem mesmo um rapaz e ficam tristes quando isso não acontece. Ele longe disso, até porque está maluco com a Júlia. O que o Pepê queria mesmo é ter filhos: ele adora crianças e queria ter um rancho. Eu até compreendo, mas estamos no século XXI e não é possível.
- A Mafalda tinha alguma preferência?
- Sim, por raparigas. O desconhecido não me atrai e comecei a imaginar: agora vem aí um rapaz, é brinquedos diferentes, tudo novo. Mas não é só por isso. A minha irmã também tem duas meninas e estou muito habituada às raparigas. É claro que se viesse um rapaz iria gostar dele igual, mas antes de saber o sexo brinquei logo com o meu médico a dizer que se não fosse uma menina que o matava. E ele disse: "Tens sorte!"
- Pensa ficar por aqui?
- É uma coisa que nós não podemos dizer mas na minha profissão é complicado, porque desde o Verão que estou a fazer perninhas. Perco algum trabalho, mas não se pode ter o rei – neste caso a rainha – na barriga e ter trabalho. Também consegui ficar com a Júlia e dar de mamar durante nove meses, e há muitas mães que não conseguem levar os filhos para o trabalho. Cada um tem a profissão que tem.
- Espera fazer o mesmo com a Leonor?
- Espero que haja trabalho para isso, senão passo o dia a falar de fraldas (risos). Acho que é muito uma aflição das mulheres dos dias de hoje: é sermos mães, ficarmos logo giras e magras e continuarmos no activo, pois parece que o mundo à nossa volta nos cobra isso, o que acaba por ser uma crueldade. Por isso é que eu desta vez disse: vou fazer a minha gravidez tranquila, como uma mulher normal. Faz de conta que estou a viver numa aldeia onde ninguém me conhece. Senão, às tantas, somos escravas de tudo e não usufruímos do momento presente. Estar sempre a pensar como é que vou ficar e se vou ter trabalho é depressivo.
- Engordou 16 quilos. Pensa que vai recuperar facilmente a forma?
- Sim, e não tive grandes apetites. Da Júlia engordei 12 quilos e perdi-os sem esforço nenhum. Desta vez, se tiver de fazer algum esforço também não é por aí.
- Na primeira vez o Pepê assistiu à cesariana. Como vai ser agora com a Leonor?
- Ele diz que eu pedi mas eu não me lembro. Porque, ao fim de 16 horas a tentar parto natural, é mesmo para esquecer. Mas ele diz sempre: uma vez que vi uma coisa que não é suposto ninguém ver, porque a imagem não deve ser mesmo nada bonita, desta vez, venha como vier, vai voltar a assistir. Mas o Pepê também não é muito impressionável.
- Como é que se conheceram?
- Foi na novela ‘Ganância’, da SIC, onde fazíamos marido e mulher e tínhamos três filhos. A partir daí fomo-nos conhecendo, trabalhávamos todos os dias juntos, e foi aí que começou.
- Estão juntos há quanto tempo?
- De casados vamos fazer oito anos mas já estamos juntos há nove ou dez. Acho que é ter a sorte de encontrar alguém de quem se gosta verdadeiramente. Não acredito muito naquela história da alma gémea mas estamos muito bem um com o outro, respeitamo-nos muito e temos uma admiração mútua muito grande. Se algum dia ele deixar de ter orgulho em mim como mulher, como ser humano e como profissional, e eu igual, é porque as coisas começam a esmorecer.
- Casar era um sonho?
- Não, longe disso. Nunca tinha pensado muito no assunto mas o Pepê gostava muito de casar e pediu-me em casamento. Ele diz que fui eu que o obriguei mas acho que vamos demorar para aí uns 20 anos a chegar a um consenso (risos). A verdade é que nós somos católicos e quisemos casar. Foi uma festa íntima, com 30 pessoas para cada lado. Não foi nada megalómano mas foi a nossa festa.
- Profissionalmente, o que gostava de fazer após a maternidade?
- Gosto muito de televisão, por isso, e já que estamos numa de pedidos ao Pai Natal, gostava de fazer uma série em que, por exemplo, gravasse três vezes por semana. Não pode ser é uma personagem que tenha uma carga horária grande, porque acho que nos primeiros três meses é cruel para a mãe e para o filho. É muito violento, mas é claro que ninguém vive do ar.
REFLEXO
- O que é que vê quando se olha ao espelho?
- Neste momento vejo uma Mafalda Vilhena um bocadinho mais inchada. Gosto de estar grávida e nos primeiros seis meses até acho graça, porque já tive duas gestações e nunca tive um enjoo. Agora nos últimos três meses... sinceramente. Tenho amigas e familiares que adoram até ao último minuto mas eu confesso que as pernas pesam um bocadinho. Já não acho que a mulher fique assim muito bonita mas as pessoas são sempre simpáticas e dizem que estou linda.
- Gosta do que vê?
- Sim, gosto.
- Alguma vez lhe apeteceu partir o espelho?
- Não, porque nunca tive nenhum conflito com o espelho.
- Quem gostaria de ver reflectido no espelho?
- Acho que não queria ver ninguém. Com mais ou menos caracóis, mais ou menos despenteada, gosto de mim.
- Pessoa de referência?
- Eu sei que é um clássico mas são os meus pais.
- Momento marcante?
- Vou dizer um profissional: quando pisei o palco do D. Maria II com a Eunice Muñoz e a São José Lapa, na peça ‘As Troianas’. Foi a primeira grande peça que eu fiz, tinha 22 anos e acabado de me formar. Foi uma superestreia e é um momento que me vai marcar para o resto da vida.
- Qualidade e defeito?
- Um defeito é ser extremamente rigorosa e metódica, e, por vezes, exijo dos outros igual. A qualidade acho que é ser generosa.
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