Infertilidade: um problema que atormenta cada vez mais os casais

Segundo a OMS uma em cada seis pessoas enfrenta problemas de fertilidade. Mas, quando assim é, pode haver um "caminho a seguir".

28 de julho de 2026 às 11:02
Bebé Foto: Getty Images
Partilhar

Conseguir uma vida estável, com casa comprada e capacidade financeira para criar um filho, pode ser um verdadeiro tormento para um casal. Em Portugal, a idade média para ter o primeiro filho, em 2025, era de 30,4 anos, segundo dados divulgados pela Portada. A Organização Mundial de Saúde (OMS) indica que uma em cada seis pessoas enfrenta problemas de fertilidade. O Correio da Manhã falou com Cláudia Zennaro, médica da Ferticentro - clínica de fertilidade em Coimbra, para tentar perceber que fatores podem ser determinantes na vida fértil de um casal.

Atrasar sucessivamente a decisão de ter um filho pode ser o principal fator. Segundo a médica Cláudia Zennaro, a idade 'pesa' e é preciso ter conhecimento que a mulher tem uma reserva ovárica que vai diminuindo ao longo do tempo, começando ainda quando a bebé se encontra na fase de gestação. Na primeira menstruação, a mulher tem "uma média de 500 mil óvulos" e, durante, todos os ciclos menstruais, independentemente de serem usados ou não métodos contracetivos, há perda de óvulos. Quanto mais tarde se pensar em ser mãe, menor vai ser a reserva ovárica disponível para a célula sexual feminina ovular. 

Pub

Além da quantidade, importa falar de um conjunto de fatores que poderão ter impacto negativo na qualidade dos óvulos e espermatozoides. Ao Correio da Manhã, a especialista da Ferticentro indica que os hábitos mantidos do dia-a-dia podem ser inimigos da fertilidade. É o caso do consumo de alimentos pouco saudáveis e, cada vez mais, industrializados, o tabagismo, um estilo de vida marcado pelo stress, um sono pouco ou nada reparador e a carência de vitamina D. A partir dos 35 anos, a fertilidade feminina tende a diminuir de uma forma mais acentuada. No caso dos homens esta tendência verifica-se dez anos mais tarde, aos 45.

Quando um casal, com mais de 35 anos, está a tentar há seis meses de forma regular - com relações sexuais pelo menos três vezes por semana - e não consegue engravidar, deve procurar ajuda médica, no caso uma clínica de fertilidade, aponta a especialista: "Temos uma experiência muito grande de rastreio, diferente da maneira como o ginecologista age no processo de infertilidade".

Ao Correio da Manhã, a profissional aponta as clínicas de fertilidade como "um caminho a seguir e uma esperança" para os casais que estão com dificuldades. Nestas clínicas é possível proceder à Fertilização in Vitro (FIV) - uma técnica de Procriação Medicamente Assistida. 

Pub

Em entrevista, a especialista fala sobre a importância dos marcadores FSH - hormona folículo-estimulante - que mede a qualidade dos óvulos, e do AMH - hormona anti-Mulleriana - que analisa quantitativamente a reserva ovárica. Aos marcadores, junta-se o índice de massa corporal, a idade e a contagem de folículos. No caso do homem é feito um espermograma que avalia a qualidade do esperma. A médica refere que "é mais fácil ultrapassar as barreiras de uma infertilidade masculina que a feminina. Enquanto o óvulo é uma célula única e não há como manipulá-lo, no caso do espermatozoides "existem várias técnicas que permitem fazer uma melhor seleção". É ainda feito um rastreio a doenças imunes que podem ter consequências no processo de gravidez, assim como à trombofilia - aumento da tendência de formação de coágulos no sangue.

Entre os 25 e os 31 anos, este é o melhor período para a mulher engravidar porque, segundo a médica, é quando "existe um maior índice de embriões geneticamente normais", ou seja, sem alterações nos cromossomas.

Apesar de puderem ser uma "solução", estes tratamentos de fertilidade não são economicamente acessíveis para todos. "Eu digo que o tratamento de reprodução humana é para os guerreiros. Tem de haver um alinhamento muito grande com o parceiro e uma reflexão financeira para seguir os tratamentos porque o primeiro sucesso pode não acontecer na primeira transferência".

Pub

Cláudia Zennaro fala ainda sobre uma "pressão psicológica muito grande" considerando a "responsabilidade de não errar na medicação". Esta pressão tem efeitos físicos, com a mulher a sentir-se tendencialmente mais cansada e desgastada, sendo desde o início importante que haja acompanhamento psicológico. Isto porque existe um "luto" quando os tratamentos iniciais nem sempre correm bem e outro quando a decisão a tomar é optar por óvulos doados.

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

Partilhar