Medicamento para o cancro do pâncreas a caminho

Fármaco foi aprovado nos Estados Unidos, com a Europa a preparar-se para fazer o mesmo. Custa cerca de 34 mil euros por cada mês de tratamento e duplicou taxa de sobrevivência dos doentes.

29 de agosto de 2026 às 01:30
Tratamento é aplicado após algumas sessões de quimioterapia. Foto: iStockphoto
O Rasonque é tomado uma vez por dia na forma de comprimidos. Foto: AP

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A venda de um novo fármaco, chamado Rasonque, foi aprovada esta semana pela Food & Drug Administration (FDA), a agência americana do medicamento. Tomado uma vez por dia na forma de um pequeno comprimido, pode ser uma luz ao fundo do túnel no tratamento do cancro do pâncreas. A notícia foi divulgada pela própria FDA que, em comunicado, fala numa "opção fundamental para os doentes que enfrentam um cancro extraordinariamente difícil e, historicamente, de difícil tratamento".

Para já, a aprovação da venda foi apenas dada pela FDA, mas tudo indica que a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) poderá seguir o mesmo caminho. Até porque já foi aberto um processo de aprovação rápida, tendo em conta o impacto que pode ter no tratamento de um dos cancros mais mortais. Em Portugal, todos os anos surgem mais de mil novos casos, sendo a taxa de sobrevivência uma das mais baixas: 15,9%, segundo o último Registo Oncológico Nacional, divulgado em maio.

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Ainda não é certo quando o medicamento poderá chegar a Portugal, mas é expectável que a aprovação a nível europeu possa acontecer no final deste ano ou início de 2027. Após este passo, é necessário que o Infarmed também viabilize a comercialização. Este processo, normalmente, costuma durar vários meses.

Nos Estados Unidos, cada mês de tratamento custa de 39 800 dólares (aproximadamente 34 298 euros).

15,9%

é a taxa de sobrevivência ao cancro do pâncreas em Portugal

Atuação: proteínas

Para obter os resultados positivos, o medicamento atua junto de mutações do gene KRAS, cuja proteína (quando está ativa) estimula o crescimento celular. As mutações no gene mantêm essa proteína em atividade permanente, como um interruptor ligado. Este medicamento 'agarra-se', no fundo, a essa proteína, tentando desligá-la. É aqui que está a diferença para a quimioterapia, que apenas tenta travar o crescimento celular.

Adultos: tratamento

Este novo tratamento destina-se a adultos, que já tenham feito pelo menos um outro anterior (como quimioterapia) para tratar este cancro metastizado. Nos ensaios clínicos, a taxa de sobrevivência dos doentes mais do que duplicou, passando de 6,7 meses para 13,2.

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