Sarampo: o vírus que pode infetar cerca de 90% dos contactos próximos não protegidos
Desde o início deste ano, foram confirmados dois casos de Sarampo em Portugal. Um dos casos foi importado do Reino Unido.
Chegou a ser dado como erradicado de Portugal pela Organização Mundial de Saúde (OMS) em 2016, depois de anos com elevada cobertura vacinal. Mas desde o início de 2026, e depois de também terem existido registos nos anos anteriores, foram confirmados dois casos de Sarampo em Portugal, um numa criança e outro num adulto, ambos não vacinados. O caso da criança foi detetado na região de Lisboa e Vale do Tejo e foi importado do Reino Unido, enquanto o do adulto foi registado na região do Alentejo, avançou a Direção Geral da Saúde (DGS). De acordo com dados da OMS, uma pessoa infetada pode transmitir o vírus a cerca de 90% dos contactos próximos não protegidos, ou seja, que nunca tenham tido a doença, ou não sejam vacinados.
A DGS avança que, até ao momento, "não foram identificadas cadeias de transmissão, mantendo-se em curso a investigação e a identificação de contactos pelas autoridades". Sendo uma das infeções virais mais contagiosas, o sarampo pode evoluir com gravidade. A transmissão dá-se através do contacto direto com gotículas infeciosas ou por propagação no ar quando a pessoa infetada tosse ou espirra.
Deve estar atento aos seguintes sintomas: febre, mau-estar, corrimento nasal, conjuntivite, olhos vermelhos e lacrimejantes e tosse. Com o avançar da infeção podem surgir pontos brancos no interior das bochechas, às quais pode suceder o aparecimento de manchas que se espalham depois para a zona do tronco e membros. Pode ainda existir extremo cansaço físico e específico, de acordo com dados do SNS.
O contágio do vírus pode ocorrer desde quatro dias antes até quatro dias após o início da erupção cutânea. Se tiver tido um contacto próximo com alguém infetado com sarampo, deve ser vacinado, preferencialmente nas primeiras 72 horas após a exposição, se assim aplicável, recomenda o SNS. Devem ser realizados exames para confirmação do diagnóstico e deve ser ainda comunicado aos profissionais de saúde o conjunto de pessoas com quem esteve em contacto, para que a Unidade de Saúde as possa sinalizar. No que toca ao tratamento, a maioria das pessoas recupera com o tratamento dos sintomas. É aconselhável a toma de medicamentos para baixar a febre, vitamina A e descanso e hidratação permanentes, de acordo com a OMS.
"Num contexto de circulação internacional do vírus e de elevada mobilidade, podem ocorrer casos importados ou pequenas cadeias de casos, sendo determinante manter uma vigilância epidemiológica e laboratorial robusta, com investigação célere de casos e contactos", referiu a DGS em comunicado.
Os números de 2025 apontam para 21 casos de Sarampo confirmados, de acordo com o Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças, que alertou para o facto de que a vacinação levou um aumento do número de casos detetados na Europa.
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