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Conheça as várias tendências da alimentação vegetariana

Nem todos os vegetarianos consomem ovos, laticínios ou outros produtos de origem animal.
Por Vanessa Fidalgo e Carolina Cunha 14 de Agosto de 2020 às 08:24
Vegetais
Vegetais FOTO: Getty Images
O vegetarianismo tem cada vez mais adeptos em todo o Mundo, mas nem todos o seguem da mesma maneira. A nutricionista Beatriz Vieira explica quais são as várias correntes deste regime alimentar e como excluir as proteínas de origem animal do prato com segurança. "A alimentação vegetariana pode classificar-se como ovolactovegetariana, lactovegetariana, ovovegetariana e vegana. Atualmente, também ouvimos falar em alimentação ‘semivegetariana’ ou em ‘flexitarianismo’. Nestes dois padrões, só esporadicamente se consome carne ou peixe", explica a nutricionista da Clínica de Santo António.

Além de excluir a carne e o peixe, a base nutricional da alimentação vegetariana é composta por cereais, leguminosas, hortícolas, frutas, frutos oleaginosos e sementes. "A inclusão de ovos e laticínios é um dos principais fatores de diferenciação das dietas. Enquanto a dieta ovolactovegetariana permite a ingestão de ovos e laticínios, a lactovegetariana apenas pressupõe o consumo de laticínios e a ovovegetariana permite somente a ingestão de ovos", explica a especialista.

Beatriz Vieira esclarece ainda que na dieta vegana "são excluídos todos os alimentos de origem animal do regime alimentar e também dos hábitos quotidianos". Assim, na prática, o vegano não consome nem utiliza produtos de origem animal – como vestuário (lã, peles, couro) ou produtos testados em animais. Todo o estilo de vida de um vegano procura ser o mais próximo possível da natureza.

Já os regimes esporádicos, como o flexitarianismo, podem ser saudáveis, mas não são considerados formas de vegetarianismo, de acordo com a Associação Vegetariana Portuguesa.

Sem abusar do sal e das gorduras
De acordo com as ‘Linhas de Orientação para uma Alimentação Vegetariana Saudável’, da Direção-Geral da Saúde, os alimentos de origem vegetal têm sido associados a um menor risco de doenças crónicas; oncológicas; cardiovasculares; obesidade; diabetes; hipertensão; e ainda a uma maior longevidade.

Mas é importante ter em atenção que a adoção de uma alimentação vegetariana exige rigor. "A exclusão de alimentos de origem animal na alimentação, total ou parcialmente, não implica que esta seja automaticamente mais saudável. Uma dieta vegetariana mal planeada, por exemplo com défice de nutrientes ou com excesso de gordura ou sal, pode ser desequilibrada", avisa Beatriz Vieira.

Já os suplementos não devem ser utilizados como substitutos da alimentação. "Só no caso da vitamina B12, que não existe naturalmente em fontes vegetais, e que deverá ser obtida através de alimentos enriquecidos ou por suplementos alimentares", recomenda a especialista.

Acompanhamento médico na infância é importante
São recomendados cuidados redobrados com as crianças vegetarianas. É crucial garantir a capacitação dos indivíduos que as rodeiam e deverão ser acompanhadas periodicamente por profissionais de saúde, de modo a assegurar o seu adequado crescimento e estado de saúde.

DISCURSO DIRETO
Beatriz Vieira, nutricionista da Clínica de Santo António
CM – As crianças podem ser vegetarianas?
- Segundo a Direção-Geral da Saúde, uma alimentação vegetariana, quando bem planeada, pode ser adaptada a todas as fases do ciclo de vida, incluindo a gravidez, lactação, infância, adolescência ou até atletas. A alimentação deverá ser completa, equilibrada e variada, devendo ter em atenção o aporte energético e de alguns nutrientes, tais como proteínas, ácidos gordos essenciais, cálcio, zinco, ferro, iodo, vitamina D e B12.

- Os vegetarianos têm de tomar suplementos?
- A alimentação deverá ser a primeira a assegurar as necessidades nutricionais. Na dieta vegetariana deve-se ter em atenção a ingestão apropriada e a biodisponibilidade de alguns nutrientes como a proteína, ácidos gordos essenciais, vitaminas (B12 e D) e minerais (iodo, ferro, cálcio e zinco).
Nos grupos vulneráveis, pode ser necessário recomendar alimentos fortificados ou suplementos.

"Alimentação é uma filosofia"
Aos 35 anos, Sofia Ribeiro faz questão de manter uma alimentação saudável e equilibrada. Hábitos diários que desenvolveu após a luta contra o cancro da mama. "A base da minha alimentação são frutas, vegetais e legumes. Alimentação é uma filosofia de vida, porque acredito ser mais saudável para o meu organismo e porque me sinto de facto melhor desde que assim é ", revelou a atriz da TVI.

Na sua dieta, Sofia eliminou uma série de alimentos que considera prejudiciais: "Em concreto, evito comer açúcares refinados (que são considerados venenos para as nossas células)… Evito comer trigo e lactose porque sou mesmo intolerante. Só bebo leite vegetal e qualquer tipo de queijo é também raro. Evito comer farinhas brancas e processados, não fazem bem a ninguém. Só uso azeite e óleo de coco. É cada vez mais raro comer carne ou peixe. Carne vermelha e enchidos, então, é quando o rei faz anos! E não sinto falta nenhuma", acrescentou.
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