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Descubra qual é o seu padrão de sono

Há uma mão cheia de razões por que ter uma boa noite de sono pode ser uma tarefa difícil. Saber qual é o seu padrão de sono pode ajudar.
Por Rita Avelar/Máxima 21 de Abril de 2020 às 08:03
Noite de sono
Noite de sono FOTO: Unsplash

A privação de sono é um caso sério. Se as perturbações de sono não forem tratadas, estas terão sérias implicações na saúde a longo prazo, pois o sono é essencial e é um dos pilares fundamentais de uma vida com boa saúde. Segundo o recém publicado livro A Arte de dormir, do nutricionista Rob Hobson (Clube do Autor) o "sono é o estado natural do descanso durante o qual os nossos olhos estão fechados, os músculos estão relaxados, o sistema nervoso encontra-se inativo e a consciência está praticamente suspensa." Sabia que dormir aumenta a produção de células da pele, de glóbulos vermelhos e de glóbulos brancos? E em que as proteínas são reabastecidas mais rapidamente para auxiliar o crescimento e a renovação? É também o tempo que o cérebro usa para processar informação, memórias e experiências. A falta de sono prolongada pode ter diversas consequências como cansaço extremo, stress, irritabilidade ou até aumentar o consumo de energia (em 300 calorias) por dia.

Segundo o autor deste livro, estudos recentes consideram que os padrões de sono são programados pelo nosso ADN. "A nossa propensão para dormir a uma determinada hora, durante um período de 24 horas foi definida pelos cientistas como o nosso cronótipo e está especificamente relacionado com o gene PER3. Dois cronótipos comuns utilizados para definir a forma como as pessoas dormem são referidos como sendo "cotovia" ou "coruja"."

Quais são as particuladades de umas e de outras? As pessoas "cotovia" deitam-se entre as 21h e as 23h, acordam entre as 5h e as 7h, e acordam naturalmente. Adoram manhãs e o pequeno-almoço, sentem menos fadiga diurna, são mais propensas a ser prestáveis, criteriosas e perseverantes, e provavelmente não são procrastinadoras. As pessoas "coruja" deitam-se entre a meia-noite e as 3h da manhã, acordam entre as 9h e as 11h, e acordam com despertador. Adoram as noites e o jantar. Dormem a sesta, procuram novidade e originalidade e são mais abertas ao pensamento criativo. Aventureiras e propensas a uma personalidade viciante, e têm tendência a procrastinar.

Outros estudos, realizados pelo psicólogo clínico Michael Brues e mencionados no livro, definiram outras quatro categorias descritivas, classificadas como Golfinho, Leão, Urso e Lobo, e que se posicionam noutra zona do espectro.

Acredita-se que a classificação "Golfinho" represente cerca de 10% da população. O que a caracteriza? Sono leve e dificuldade em dormir a noite toda, acordando repetidas vezes. A insónia de que sofrem estas pessoas está relacionada com a ansiedade. São pessoas cautelosas, introvertidas, neuróticas e inteligentes. Evitam o risco, procuram a perfeição e o pormenor. Não acordam restabelecidas e continuam a sentir-se cansadas até à noite. Já a classificação "Leão" calcula-se que represente cerca de 15% a 20% da população. Levantam-se de madrugada, com apetite, e após um robusto pequeno-almoço estão prontas para enfrentar o dia. São pessoas concentradas, com uma estratégia e objetivos claros. Criteriosas, práticas, estáveis e otimista, ambiciosas e interativas, que priorizam a saúde e o exercício físico. Aparentemente, 50% da população identifica-se com a designação do "Urso". São pessoas que procuram dormir pelo menos oito horas por noite, se não mais, e sentirem-se completamente acordados pode demorar algumas horas. São amistosas, cautelosas, tolerantes e extrovertidas, evitam conflitos e aspiram a ser felizes e saudáveis, gostam do que lhes é "familiar". Tem um sono profundo mas apetece-se sempre dormir mais tempo. Por fim, o "Lobo" representa cerca de 15% a 20% da população. São pessoas que "ganham vida" quando o sol se põe. De dia é raro terem fome, à noite estão sempre esfomeadas. São pessoas criativas mas imprevisíveis, mas também mais suscetíveis à depressão e ansiedade. Impulsivas, pessimistas, temperamentais, ousadas, hedonistas e emotivas.

Recentemente, o site TheCut.com dedica um artigo à explicação do porquê de certas pessoas se sentirem sempre cansadas. Em Why Am I Always Tired?, a jornalista Charlotte Cowles parte da sua própria experiência para identificar pelo menos sete causas para a privação de sono, que levam a uma sensação de fadiga constante, depois de falar com três especialistas. São elas o desequilíbrio hormonal crónico; défice nutricional (por exemplo: falta de ferro, magnésio ou vitaminas B e D); stress continuado (crónico, pode levar à produção excessiva de cortisol); efeitos da genética (recentemente, vários cientistas identificar um "gene do sono" chamado CLOCK); hábitos pouco saudáveis (exagero, à noite, nos consumos de álcool, açúcar, cafeína, ou tempo excessivamente passado no telemóvel ou no computador); transtornos respiratórios (apneia do sono, sinusite ou rinite alérgica, desvio do septo nasal, ressonar…); e, por fim, uma doença auto-imune ou um vírus, em casos mais graves (como fibromialgia ou doença de Tiroidite de Hashimoto).

As conclusões? Se dorme mal, procure um especialista para descobrir a razão, mas não se esqueça que pode começar com simples (grandes) gestos como comer de forma saudável e com intervalos regulares; tentar dormir cedo; evitar pensamentos maus antes de dormir e hábitos pouco saudáveis como beber em excesso ou consumir cafeína à noite (a não ser que tenha um trabalho nocturno), evitar livros ou séries com cenários "turbulentos ou inquietantes", evitar passar demasiado tempo nas redes sociais antes de dormir, entre outras recomendações.

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