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Falta de rastreios afeta diagnóstico de cancro da mama

Paragem devido à pandemia deixou por diagnosticar 15 mil cancros. Liga alerta que mortalidade vai aumentar.
Por Edgar Nascimento 26 de Setembro de 2020 às 09:42
Rastreio ao cancro da mama
Rastreio ao cancro da mama FOTO: Direitos Reservados
Durante três meses, de 16 de março a 16 de junho, não houve rastreios aos cancros da mama, útero e colorretal em todo o País, devido à pandemia de Covid-19. Na região Norte, só agora vão ser reiniciados os rastreios ao cancro da mama, graças a um novo protocolo entre a Administração Regional de Saúde e a Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC). Estima-se que devido à paragem dos rastreios e à reorganização dos serviços de saúde para fazer face à pandemia, terão ficado por diagnosticar 15 mil cancros. A LPCC alerta que a mortalidade vai aumentar a médio prazo.

"É um impacto muito grande. Houve dificuldades de diagnóstico através dos rastreios ou de exames complementares e a desmarcação ou adiamento de consultas resultou em milhares de casos de cancro com atraso no diagnóstico", avisa Vítor Rodrigues, presidente da LPCC. Ao CM, o responsável refere que "basta um atraso no diagnóstico e tratamento de um cancro para que este deixe de poder ser controlado".

Frisando que "não se trata de um aumento brutal" na mortalidade, Vítor Rodrigues assinala que "a médio prazo vai registar-se esse aumento" e que a ausência de rastreios "diminui a sobrevida e a qualidade de vida dos pacientes". Para o dirigente da LPCC, "vai ser muito difícil normalizar" o trabalho dos últimos anos de aumento contínuo dos rastreios (mama, colo do útero e colorretal), que permitiram reduzir a mortalidade por estes cancros em 30 % (mama), 20% (colorretal) e 80% (colo do útero). Só em 2018, foram identificados 1744 casos de cancro da mama graças ao rastreio.

Ministério está a "acelerar o processo"
O secretário de Estado Adjunto e da Saúde, António Lacerda Sales, afirmou na quinta-feira que o Ministério da Saúde está a “acelerar o processo” dos rastreios aos diferentes cancros. “Para nós é uma situação muito preocupante. Se não parámos e conseguimos manter fora deste processo [Covid] os IPO [Instituto Português de Oncologia] - embora com algum decréscimo -, a nossa preocupação na área da Oncologia vai exatamente para os rastreios do cancro da mama, do cancro do colo do útero e do cancro colorretal”, disse Lacerda Sales.

PORMENORES
Três rastreios oncológicos
A mamografia deve ser realizada a cada dois anos, dos 50 até aos 69. O rastreio do cancro colorretal inclui a pesquisa de sangue oculto nas fezes dos 50 aos 74. Para o colo do útero, o teste papanicolau é feito em mulheres (20-30) e até aos 60.
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