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Pandemia ‘silenciosa’

Ricardo Baptista Leite: "Serão sempre os mais vulneráveis a sofrer."
Por Ricardo Baptista Leite 24 de Outubro de 2020 às 00:30
Coronavírus
Coronavírus FOTO: Getty Images
Já perdi a conta ao número de homens e mulheres, residentes em lares, que me contactam por se sentirem deprimidos, sozinhos e, de certo modo, abandonados. Com a pandemia de Covid-19, viram-se limitados nos seus direitos de receber visitas dos filhos e netos. No outro extremo etário, vemos jovens que estão a crescer num mundo de confinamentos, medos e incertezas.

Consequência disto, já mensurável, é o aumento do consumo de medicamentos antidepressivos e ansiolíticos (para a ansiedade), entre os 16 e os 25 anos de idade. Esta crise sanitária, económica e social coloca uma lupa sobre a enorme fragilidade da resposta aos problemas da saúde mental.

O programa nacional da DGS para a saúde mental, que termina este ano de 2020, apesar da forte liderança do coordenador, falhou muitos dos objetivos por falta de recursos e, acima de tudo, por falta de determinação da cúpula política do governo.

Os países que melhor têm respondido a estes desafios são os que, ao invés de se limitarem a reagir à doença mental, e de a encarar como algo inevitável, assumem uma estratégia proativa de prevenção focada na saúde e bem-estar. Portugal tem de ser capaz de utilizar esta crise para assumir a humanização das respostas em saúde como prioridade. Se se falhar, serão sempre os mais vulneráveis a sofrer.
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