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Sensor feito de ouro ajuda doentes com insuficiência cardíaca

Dispositivo que dispensa pilhas permite monitorizar o funcionamento cardíaco e seguir os doentes à distância.
Por Ana Maria Ribeiro 27 de Dezembro de 2020 às 01:30
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Doença cardíaca FOTO: Getty Images
Um sensor feito de ouro e com o tamanho aproximado de uma moeda de 2 cêntimos pode ajudar a salvar a vida a muitos doentes com insuficiência cardíaca, e acaba de ser introduzido no nosso país. O dispositivo já foi colocado em dois doentes, de idades entre os 50 e 60 anos, no Hospital de Santa Marta, em Lisboa.

O CardioMEMS – que já se utiliza nos Estados Unidos e em vários países da Europa, como Espanha, por exemplo – não tem pilhas, baterias ou duração e, por isso, não precisa de ser substituído. É colocado no interior do organismo (na artéria pulmonar) e é muito sensível a pequenas oscilações no estado de funcionamento cardíaco.

O doente só precisa de transmitir, todos os dias, a partir de casa, a leitura dos valores das pressões, um procedimento que demora alguns segundos. A informação é depois analisada por profissionais de saúde que, caso detetem alguma anomalia, contactarão, de imediato, o doente e tomarão decisões sobre o melhor a fazer. Incluindo ao nível da medicação.

A pandemia, que diminuiu drasticamente o acesso dos doentes aos cuidados de saúde, apressou a chegada deste dispositivo médico a Portugal, e promete fazer a diferença.

Segundo um estudo realizado nos EUA, o CardioMEMS reduz a mortalidade dos doentes cardíacos em 57% e a hospitalização em 43%.

SAIBA MAIS
5,2%
É a incidência da insuficiência cardíaca junto da população portuguesa, garante a Sociedade Portuguesa de Cardiologia, o que corresponde a cerca de 400 mil indivíduos adultos a sofrer desta síndrome.

Coração falha na função
Na insuficiência cardíaca o coração não consegue fornecer oxigénio suficiente ao organismo. Os sintomas da doença incluem a falta de ar, fadiga, tonturas, intolerância ao exercício, perda de apetite, cansaço excessivo e náuseas.

Prevenir a doença é a melhor opção
É possível prevenir a insuficiência cardíaca, evitando os fatores de risco: colesterol elevado, hipertensão arterial, diabetes, obesidade, sedentarismo, tabagismo e alcoolismo. Assim, para prevenir vir a sofrer de insuficiência cardíaca deve manter um estilo de vida saudável, praticar exercício físico regular, manter uma dieta equilibrada, não fumar nem beber álcool em excesso. Deve vigiar o colesterol, a tensão arterial e a diabetes.

Mata mais do que o cancro da mama
Em Portugal, a insuficiência cardíaca é responsável por duas a três vezes mais mortes do que o cancro da mama e do cólon, segundo a Sociedade Portuguesa de Cardiologia (SPC). A SPC estima que se perdem 32 vidas por dia por morte súbita cardíaca no País, com tendência a aumentar.
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