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Uso regular de aparelhos auditivos pode melhorar a concentração, a memória e a comunicação

A conclusão é de um estudo científico da Universidade do Texas, que descobriu que o uso de aparelhos auditivos pode melhorar algumas funções cognitivas em pessoas com perda auditiva
4 de Junho de 2021 às 13:12
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Um estudo da Universidade do Texas afirma que o uso regular de aparelhos auditivos pode melhorar algumas funções cognitivas – concentração, memória e comunicação – não em anos, mas apenas em duas semanas. Este estudo foi desenvolvido pela investigadora Jamie L. Desjardins, professora assistente do programa de patologia em fala-linguagem desta universidade, e publicado na revista científica Frontiers in Psychology.

É sabido que as dificuldades auditivas têm um forte impacto na vida das pessoas. Sabe-se também que a perda auditiva, quando não é tratada, pode ter sérias consequências emocionais e sociais. Pode ainda reduzir a produtividade no trabalho e diminuir a qualidade de vida.





A perda auditiva não tratada pode ainda interferir com as capacidades cognitivas, porque é necessário um esforço muito maior para entender e acompanhar uma conversa.



Desjardins explica que "quando uma pessoa tem dificuldades auditivas e não usa aparelhos auditivos, essa pessoa pode até compreender o que o outro interlocutor diz, mas à custa de muito mais esforço". A investigadora deste estudo explica ainda que, nestas circunstâncias, "as pessoas estão a utilizar a maioria dos recursos cognitivos, no fundo o poder do cérebro, para perceber uma determinada mensagem" e que isto é extremamente penoso e desgastante.





"Pense numa pessoa que está a trabalhar (e não utiliza aparelhos auditivos). Essa pessoa vai gastar recursos extraordinários apenas para se tentar concentrar em ouvir. O mais certo é que não seja capaz de executar as tarefas no trabalho da mesma forma e ter um bom desempenho. E, se conseguir, vai sentir-se exausta porque se está a sobrecarregar."



Esta pessoa acaba por despender muito mais energia e sentir-se muito mais cansada no final do dia. Afinal, consome demasiado "o seu cérebro" a tentar realizar uma atividade que não necessitaria de tanto esforço. A professora assistente da Universidade do Texas acrescenta ainda: "Isto afeta a qualidade de vida."


Testes comparam antes e depois


Neste estudo, a investigadora Jamie L. Desjardins avaliou um grupo de indivíduos, com idades à volta de 50 e 60 anos, com perda auditiva bilateral neurossensorial e que nunca utilizaram qualquer aparelho auditivo. Foram efetuados testes cognitivos para medir a memória de trabalho, a atenção seletiva, assim como a capacidade de processar discursos antes e depois de começarem a utilizar aparelhos auditivos.

Estas faixas etárias foram as escolhidas para a realização deste estudo porque se sabe que com o envelhecimento há um declínio de muitas das capacidades cognitivas básicas como: a memória de trabalho, a capacidade de prestar atenção a uma pessoa que fala num ambiente barulhento ou a habilidade de processar informação rapidamente. No entanto, não existiam muitos estudos que comparem o declínio destas capacidades com a perda auditiva ou com o uso de aparelhos auditivos.


Resultados impressionantes


Apenas duas semanas após terem começado a utilizar aparelhos auditivos, os testes revelaram que houve um aumento percentual na capacidade de recordar palavras associadas à memória de trabalho, assim como nos testes de atenção seletiva.

Além disso, a velocidade de processamento foi também superior nos participantes que acertavam nas perguntas, o que significa que não só respondiam corretamente como eram mais rápidos. No final do estudo, os participantes mostraram melhorias significativas nas funções cognitivas.



A investigadora Jamie L. Desjardins afirma que estudos mais detalhados vão ser necessários para aprofundar esta temática. Há ainda um longo caminho para se entender todos os benefícios da utilização de aparelhos.


Perda auditiva com números alarmantes


A perda auditiva não é um problema dos outros. A Organização Mundial da Saúde estima que, em 2050, quase 2,5 mil milhões de pessoas vão ter perda auditiva, e 700 milhões vão precisar de cuidados auditivos. Ou seja, uma em cada quatro pessoas terá, em 2050, algum grau de perda auditiva e o mais provável é que, se ainda não tem qualquer dificuldade, venha a sofrer de alguma perda auditiva ou conhecer alguém com estas limitações.

A professora Desjardins diz ainda que, apesar destes números, "apenas 20% das pessoas que precisam de aparelho auditivo efetivamente compram e utilizam", o que por si já é alarmante.

Este estudo alerta assim para a importância de procurar uma solução para as dificuldades auditivas e, se for o caso, começar a utilizar um aparelho auditivo. Os benefícios são muito mais imediatos do que se poderia pensar e o impacto na qualidade de vida dos utilizadores pode ser imenso.

 

 

 

 

 

 

FONTES
https://www.utep.edu/newsfeed/campus/professor-shows-that-hearing-aids-improve-memory-speech.html
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4456569/
https://www.who.int/news/item/02-03-2021-who-1-in-4-people-projected-to-have-hearing-problems-by-2050