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Inteligência artificial pode ajudar a detetar cancro da mama

Estudo mostra que algoritmo do Google é mais fiável do que os médicos e pode reduzir os falsos negativos.
Por Correio da Manhã 6 de Janeiro de 2020 às 19:17
Rastreio do cancro da mama
Rastreio do cancro da mama FOTO: D.R.

Um estudo sugeriu que o sistema de inteligência artificial do Google pode conseguir detetar melhor o cancro da mama do que radiologistas e especialistas treinados para tal. A ferramenta de inteligência artificial pode ainda ajudar a reduzir o número de falsos diagnósticos.  

A pesquisa comparou a capacidade do computador criado pelos especialistas em IA (inteligência artificial) do Google com os profissionais da área médica, enquanto ambos examinavam mamografias. Constatou-se que o sistema do Google era tão bom quanto os humanos a detetar a doença e que era muito melhor a evitar os falsos positivos.

A comparação foi realizada por investigadores do Reino Unido e dos Estados Unidos da América e o estudo foi publicado na revista Nature. De acordo com a Sociedade Americana do Cancro, metade das mulheres que fazem os exames num período de 10 anos têm um resultado falsamente positivo.

O novo estudo da unidade DeepMind AI da Alphabet Inc., que se fundiu com o Google Health em setembro de 2019, apresentou um grande avanço na deteção precoce do cancro da mama. A equipa, que incluía investigadores de universidades norte-americanas e britânicas, treinou o sistema de inteligência artificial para identificar cancro da mama em dezenas de milhares de mamografias, criando um algoritmo baseado em mamografias de mais de 76 mil mulheres do Reino Unido e mais de 15 mil dos EUA.  

Os investigadores compararam o desempenho do sistema com os resultados reais de um conjunto de 25.856 mamografias no Reino Unido e 3.097 nos EUA. E mostraram que o sistema reduz o número de resultados positivos falsos em 5,7% no grupo com sede nos EUA e em 1,2% no grupo com base no Reino Unido.

De acordo com Connie Lehman, chefe do departamento de imagiologia da mama do Hospital de Harvard em Massachusetts, o problema é que os programas atuais foram treinados para identificar o que os cardiologistas humanos podem ver. Na inteligência artificial, os computadores aprendem a detetar cancros com base nos resultados reais das mamografias.

Essa descoberta tem o potencial de "exceder a capacidade humana de identificar pistas subtis que o olho humano e o cérebro não conseguem perceber", disse.

No entanto, o estudo recente tem algumas limitações, sendo que a maioria dos testes foi realizado com o mesmo tipo de equipamento de imagiologia e que o grupo norte-americano tinha muitos pacientes com cancro da mama confirmado.

Os especialistas em saúde esperam que uma tecnologia semelhante seja utilizada para melhorar a taxa de deteção de cancro da mama, que afeta uma em cada oito mulheres, e também outros problemas.

 

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