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Os soluços dos bebés são mais importantes do que imagina

Um novo estudo diz que, quando um bebé soluça, são desencadeadas ondas cerebrais que poderão ajudá-lo a aprender a controlar a respiração.
18 de Novembro de 2019 às 17:46
FOTO: Unsplash

Apesar de assustarem muitos pais, os soluços são uma parte fundamental no crescimento dos bebés. Um estudo da University College de Londres, publicado no jornal académico Clinical Neurophysiology, encontrou a primeira prova científica de que os soluços têm um impacto na atividade cerebral.

Foram examinados treze bebés, alguns prematuros e outros nascidos no tempo normal da gestação, entre as 30 e as 42 semanas. A sua atividade cerebral foi controlada por electroencefalografias (EEG) através de elétrodos colocados no couro cabeludo e sensores de movimento de tronco. A equipa, liderada pela cientista Kimberley Whitehead, analisou ataques de soluços que ocorreram em ambos os grupos de bebés, observando que as contracções no músculo do diafragma provocadas pelos mesmos estimulavam uma resposta substancial do córtex cerebral. Registaram-se duas grandes ondas cerebrais seguidas de uma terceira, cujo significado Whitehead não sabe ainda explicar por completo. Sendo esta semelhante às ondas estimuladas por sons, pensa-se que o cérebro poderá estar a responder ao som do soluço através da contração do diafragma.

A equipa conclui assim que, com a informação sensorial enviada pelo diafragma ao cérebro, os soluços podem ter um papel fundamental no desenvolvimento dos bebés, ajudando-os a aprender a controlar os músculos associados à respiração. Lorenzo Fabrizi, investigador sénior da University College de Londres, acrescenta em comunicado que "quando nascemos, as sensações corporais não estão completamente desenvolvidas, por isso o estabelecimento dessas redes é crucial nesta etapa de desenvolvimento dos recém-nascidos". O estudo acrescenta ainda que os bebés começam a soluçar a partir das nove semanas de gestação e os bebés prematuros passam 1% do tempo (cerca de 15 minutos por dia) a soluçar. A função dos soluços explica-se, neste caso, pela possibilidade de o cérebro construir uma espécie de mapa da localização dos músculos da respiração como uma forma de aprender a controlá-los adequadamente.

A mesma equipa sugeriu no passado que os fetos dão pontapés no ventre da mãe de forma a ganhar perceção dos seus próprios corpos.

Quanto aos soluços nos adultos, Kimberley Whitehead disse à CNN que não existem vantagens conhecidas dos mesmos e que estes podem ser "vestígios de períodos iniciais da nossa vida que persistem numa idade mais avançada." A investigação vai continuar, desta vez com foco na forma como o movimento dos soluços desencadeia mudanças na atividade cerebral em bebés com lesões cerebrais.

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