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Ursos podem ajudar a tratar obesidade em humanos

Cientistas descobriram semelhanças entre o genoma de animais que hibernam e pessoas obesas.
Por Leonor Riso 29 de Novembro de 2019 às 13:21
FOTO: Getty Images

Como é que os animais que hibernam - como os ursos - não sofrem problemas de saúde relacionados com a obesidade e a resistência à insulina? Investigadores da Universidade do Utah, Estados Unidos, quiseram saber a resposta. Num estudo publicado na revista Cell Reports, explicam que os hibernantes conseguem "desligar" os elementos genéticos que controlam a obesidade.

"O metabolismo cria riscos para diversas doenças, incluindo a obesidade, diabetes tipo 2, cancro e Alzheimer. Acreditamos que perceber as partes do genoma que estão ligadas à hibernação vão ajudar-nos a controlar os riscos de sofrer destas doenças", considera um dos investigadores, Christopher Gregg.

Antes, o urso tinha sido alvo de vários estudos acerca da hibernação. No estudo, foram analisadas várias espécies de mamíferos que hibernam, como o esquilo listrado, o tenreco, o microcebus e o morcego. Os investigadores perceberam que estes tinham desenvolvido regiões de fragmentos de ADN junto a genes ligados à obesidade em humanos.

Para perceber esta ligação, estes fragmentos foram comparados ao da síndrome de Prader-Willi, que provoca um apetite insaciável e leva à obesidade mórbida. Como nos mamíferos hibernantes, os genes relacionados com a doença têm estas regiões de ADN, ao contrário dos genes não relacionados com a síndrome. Isso significa que existem semelhantes entre os genes dos animais que hibernam e o dos humanos obesos.

A diferença, para Gregg, é que os animais que hibernam durante parte do ano desenvolveram maneiras de desligar os elementos genéticos que controlam a obesidade, ao contrário dos mamíferos que não hibernam. 

O estudo levou à identificação de 364 elementos potenciais que podem ter um papel na regulação da hibernação e obesidade. "Estas partes importantes do genoma [ligado à hibernação] estavam escondidas de nós em 98% do genoma que não contém genes – chamávamos-lhe ‘ADN lixo’", relata Gregg.

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