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Bulimia atinge principalmente raparigas jovens e perfecionistas: os sintomas da doença e como se trata

Come-se em excesso e depois induz-se o vómito. Comportamento suscita vergonha.
Por Rogério Chambel 13 de Fevereiro de 2020 às 01:30
Bulimia
Bulimia FOTO: Getty Images
Bulimia é um distúrbio alimentar que se caracteriza pela ingestão de grandes quantidades de alimentos (geralmente às escondidas) num curto espaço de tempo, seguindo-se a indução do vómito, jejuns prolongados, uso de laxantes ou excesso de exercício físico. O grupo de risco está identificado: raparigas jovens, ansiosas, boas alunas, perfecionistas, preocupadas com o peso e o corpo.

Quem sofre de bulimia acha o seu comportamento vergonhoso, e por isso procura mantê-lo em segredo. A provocação repetida do vómito pode ter consequências graves. Habitualmente leva a que glândulas salivares aumentem. Pode também levar a esofagite (inflamação do esófago), que é um fator de risco para o cancro do esófago e pode acontecer que durante o episódio haja hemorragia ou mesmo rotura esofágica (com risco muito elevado de morte).

Podem surgir complicações como a desidratação, insuficiência renal, problemas cardíacos, deterioração dos dentes e gengivas, ansiedade, depressão e abuso de álcool e drogas.

Quem sofre de bulimia tem, normalmente, comportamentos paradoxais. Ou seja, se por um lado ‘controla’ aquilo que come, com recurso ao vómito, por outro, tem crises de voracidade alimentar totalmente descontroladas.

Muitos pacientes apresentam um peso normal, o que dificulta a identificação do problema. Daí ser importante, face aos sintomas, a realização de análises e uma avaliação psicológica.

SINTOMAS
Comida e vergonha
A principal doença é a hiperfagia ou alimentação em quantidades superiores, num curto espaço de tempo sem aumento proporcional de peso. Este ato é feito muitas vezes em segredo, já que o bulímico sente vergonha dos seus hábitos alimentares e, principalmente, dos seus métodos compensatórios.

Perda de peso
Perda de peso inexplicável, desmaios, fadiga, pressão baixa, tonturas, isolamento social.

Vómitos e jejum
Vómitos, utilização indiscriminada de laxantes ou diuréticos, longos períodos de jejum, prática excessiva de exercício físico, menstruação irregular.

Ritmo cardíaco
Em alguns casos há uma redução da taxa de potássio no sangue, que pode causar alterações no ritmo cardíaco.

Vários fatores
Fatores genéticos, ambientais e psicológicos também podem estar na origem desta doença. Problemas afetivos ou familiares, ansiedade, baixa autoestima e abuso de drogas e álcool constituem outros fatores de risco para o desenvolvimento desse distúrbio.

PREVENÇÃO
Identificar sinais
É essencial manter hábitos de vida saudáveis e identificar sinais. No caso dos mais jovens, a avaliação pediátrica regular permite uma identificação precoce de distúrbios alimentares. A criação de uma perceção adequada da imagem corporal por parte dos pais desempenha também um papel muito importante na prevenção da bulimia.

Família e amigos
Caso um familiar ou alguém próximo esteja com sintomas de bulimia, converse com essa pessoa. Muitas vezes o paciente não tem consciência de que está a passar por dificuldades e precisará de apoio para superar. Contudo, é importante não forçar uma decisão ou atitude sem que a pessoa se sinta confortável. Nunca se automedique ou interrompa o uso de um medicamento sem consultar um médico.

COMO SE TRATA
O tratamento da bulimia requer uma combinação de medicamentos e de psicoterapia. O apoio familiar é fundamental para ultrapassar esta perturbação. Ao nível farmacológico, os medicamentos mais utilizados são os antidepressivos, em particular a fluoxetina.

O internamento hospitalar só é necessário quando as crises de voracidade alimentar são incontroláveis ou quando há risco de suicídio.

É importante um adequado acompanhamento nutricional, por forma a adquirir boas-práticas alimentares, para um peso saudável.

O MEU CASO
"É uma doença terrível"
A russa Aleksandra Soldatova, medalhada em mundiais e europeus de ginástica rítmica, anunciou uma pausa para tratar a bulimia. "É uma doença terrível. Levei vários meses a admitir que precisava de ajuda", relatou.
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