page view

O que é um adenocarcinoma pulmonar, o cancro diagnosticado ao Papa Leão XIV?

Tumor que afeta o Sumo Pontífice é o mais frequente em não fumadores, segundo o diretor do Serviço de Pneumologia da Unidade Local de Saúde de Coimbra, Carlos Robalo Cordeiro.

14 de outubro de 2026 às 15:32

O Papa Leão XIV tem adenocarcinoma pulmonar, o tipo mais comum de cancro do pulmão. O diagnóstico foi confirmado através de exames realizados na sequência de uma intervenção cirúrgica, esta terça-feira, para tratar um nódulo detetado.

Ao contrário do que muitas pessoas podem pensar, o cancro do pulmão não afeta apenas fumadores. O adenocarcinoma pulmonar é o tumor mais frequente em não fumadores, sobretudo em mulheres, e pode surgir em pessoas mais jovens. Quem o explica é o diretor do Serviço de Pneumologia da Unidade Local de Saúde (ULS) de Coimbra, Carlos Robalo Cordeiro.

Segundo o especialista, este tipo de tumor, tal como aconteceu com Leão XIV, manifesta-se frequentemente através de um nódulo pulmonar. “Muitas vezes, estes tumores aparecem como um achado radiológico, num exame de rotina”, explica, sublinhando que nem sempre existem sintomas associados.

As queixas relacionadas com o cancro do pulmão tendem a surgir quando o tumor atinge uma determinada dimensão. “Os sintomas iniciam-se quando já há uma certa dimensão ou envolvimento de outras estruturas torácicas ou das vias aéreas centrais”, esclarece o médico.

Para perceber qual será o tratamento mais adequado, é fundamental avaliar a agressividade do tumor e o seu comportamento biológico. “Importa perceber se o tumor tem menos ou mais agressividade, porque isso vai determinar a necessidade de o Papa fazer quimioterapia”, explica Carlos Robalo Cordeiro.

No passado domingo, o Vaticano referiu que a lesão estava “circunscrita”. Ainda assim, será necessário aguardar pelos resultados do estudo das análises celulares e moleculares para determinar se a cirurgia foi suficiente ou se será necessário recorrer a tratamentos adicionais.

Em declarações ao Correio da Manhã, o especialista sublinha que a idade e o historial de tabagismo são fatores que podem influenciar o desenvolvimento da doença. No entanto, considera que os 71 anos do Papa não constituem, por si só, um obstáculo significativo aos tratamentos de que possa vir a necessitar.

Se a lesão tiver sido identificada numa fase muito precoce, estiver circunscrita e não apresentar sinais de disseminação, a cirurgia poderá ter sido curativa. A confirmação dependerá, contudo, dos resultados dos exames complementares.

“É necessário esperar pelo estudo patológico para perceber o comportamento do tumor e conhecer as suas características celulares e moleculares”, concretiza o pneumologista. Será igualmente importante determinar se existe envolvimento de outras estruturas, nomeadamente dos vasos sanguíneos ou linfáticos e da pleura, para avaliar a necessidade de quimioterapia.

Consoante as características do tumor, os tratamentos dirigidos a alterações moleculares específicas e a imunoterapia poderão também ser considerados.

Nos casos em que o tumor apresenta dimensões reduzidas e não existe envolvimento de estruturas adjacentes, poderá não ser necessário recorrer a outros tratamentos após a cirurgia.

“Se este tumor tiver menos de três centímetros e não houver envolvimento dos vasos sanguíneos ou linfáticos nem da pleura, poderá não ser necessário qualquer tratamento adicional”, esclarece Carlos Robalo Cordeiro, ressalvando a importância da avaliação anatomopatológica para determinar a abordagem mais adequada.

O especialista destaca ainda que a cirurgia pulmonar pode ser realizada através de técnicas minimamente invasivas, que permitem uma recuperação mais rápida.

Os pais de Leão XIV morreram com cancro e o irmão mais velho do Papa tem também uma doença oncológica do sangue, com origem na medula óssea.

Questionado sobre a eventual influência do historial familiar, Carlos Robalo Cordeiro admite que a predisposição genética poderá ter um papel no desenvolvimento da doença. No entanto, a existência de casos de cancro na família não permite, ainda assim, concluir que haja uma relação genética direta com o adenocarcinoma pulmonar do Papa.

Números em Portugal

O cancro do pulmão é um dos cinco mais prevalente em Portugal e continua a aumentar a incidência, sendo o que mais mata no País. Os dados do Observatório Global do Cancro dizem que 5589 pessoas morreram em Portugal, em 2024, com esta doença, que tem cerca de 6 mil novos casos por ano em Portugal. 

De acordo com o relatório da OCDE e da Comissão Europeia “UE Country Cancer Profile: Portugal 2025”, o cancro do pulmão representou 46% do total de mortes por cancro evitáveis. 

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

o que achou desta notícia?

concordam consigo

Logo CM

Newsletter - Bom Dia

As suas notícias acompanhadas ao detalhe.

Mais Lidas

Ouça a sua rádio nas frequências - Lisboa 90.4 // Porto 94.8