OMS analisou 30 causas preveníveis, incluindo tabaco, álcool, inatividade física, poluição do ar e radiação ultravioleta.
Quase quatro em cada dez cancros a nível global podem ser prevenidos, uma vez que estão associados a fatores de risco evitáveis, como o consumo de tabaco e de álcool, alertou esta terça-feira a Organização Mundial da Saúde (OMS).
Em 2022, "aproximadamente 7,1 milhões dos 18,7 milhões de novos cancros diagnosticados em adultos foram atribuíveis a fatores de risco", salientou Isabelle Soerjomataram, uma das autoras do estudo apresentado em conferência de imprensa, na véspera do Dia Mundial do Cancro.
A investigação da OMS analisou 30 causas preveníveis, incluindo tabaco, álcool, elevado índice de massa corporal, inatividade física, poluição do ar, radiação ultravioleta e, pela primeira vez, nove infeções causadoras de cancro.
Segundo Isabelle Soerjomataram, os casos ligados a estas 30 causas evitáveis representaram cerca de 37,8% do total de novos cancros, o que constitui uma "proporção muito substancial" a nível mundial.
A especialista da agência de investigação sobre o cancro da OMS adiantou ainda que, dos 7,1 milhões de cancros ligados a fatores de risco evitáveis, 3,3 milhões foram associados ao tabaco, 2,2 milhões a várias infeções e 700 mil ao consumo de álcool.
"Estes três fatores apenas representam a grande maioria" dos casos de cancro associados a causas que podem ser evitadas, realçou Isabelle Soerjomataram, para quem os esforços de prevenção podem ter um grande impacto na redução de novos casos.
O estudo da OMS, que analisou 36 tipos de cancro em vários países, concluiu que os cancros do pulmão, do estômago e do colo do útero representaram quase metade de todos os casos evitáveis em homens e mulheres.
O cancro do pulmão foi associado principalmente ao tabagismo e à poluição do ar, o do estômago foi amplamente atribuído à infeção pela bactéria Helicobacter pylori e o do colo do útero foi causado predominantemente pelo papilomavírus humano (HPV), refere o estudo.
A carga de cancro evitável foi mais elevada nos homens do que nas mulheres, apurou ainda a OMS, que estima que estima que o tabagismo seja responsável por cerca de 23% de todos os novos casos de cancro nos homens, seguido das infeções com 9% e do álcool com 4%.
Entre as mulheres, as infeções foram responsáveis por 11% de todos os novos casos de cancro, seguidas pelo tabagismo com 6% e de um elevado índice de massa corporal com 3%.
Para a OMS, as conclusões realçam a necessidade de estratégias de prevenção específicas para cada contexto, que incluam "medidas rigorosas" de controlo do tabaco, regulamentação do álcool, vacinação contra infeções cancerígenas, como o papilomavírus humano (HPV) e a hepatite B, melhoria da qualidade do ar, locais de trabalho mais seguros e ambientes mais saudáveis para a alimentação e atividade física.
A ação coordenada entre setores, desde a saúde e a educação à energia, aos transportes e ao trabalho, "pode evitar que milhões de famílias sofram o fardo de um diagnóstico de cancro", alertou a organização das Nações Unidas para a área da saúde global.
"Hoje estamos aqui para celebrar boas notícias assentes na ciência. Muitos cancros são preveníveis", salientou Andre Ilbawi, líder da Equipa de Controlo do Cancro da OMS, para quem o estudo concluiu que os números de novos casos "podem ser alterados" com medidas de prevenção a vários níveis.
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