Barra Cofina
Conteúdo exclusivo para Assinantes Se já é assinante faça LOGIN Assine Já

Depois do cancro, um amor para a vida. A história de Liliana Teófilo

Liliana Teófilo viu-se com um tumor feroz aos 34 anos e conta-nos, num vale do Douro, como foi atravessar este deserto que a levou a uma fase nova – e a um amor para a vida.
17 de Março de 2021 às 08:55
Depois de passar pela experiência do cancro, Liliana apaixonou-se e vive agora no Douro vinhateiro
Depois de passar pela experiência do cancro, Liliana apaixonou-se e vive agora no Douro vinhateiro FOTO: D.R.

Chegou aos 18 anos a Lisboa para estudar Psicologia, interessava-lhe a área criminal e estagiou no Instituto de Reinserção Social com toxicodependentes e portadores de VIH, mas a falta de vagas na sua área obrigaram-na a desistir. Entre vários trabalhos, foi gerir o cabeleireiro de um amigo na Avenida da Liberdade, mas sentiu que "não crescia mais", o mercado de trabalho cada vez mais difícil e ela "perdida, sozinha, sempre irritada e instável. Não dormia bem e sentia que o meu corpo não estava bem."

Ao passar um creme no peito descobriu um caroço, dez dias depois estava no médico, parecia apenas um gânglio inflamado, mas fez uma ecografia. "Claro que viram qualquer coisa e pediram logo uma biópsia, achei estranho e fiquei aflita, fartei-me de chorar no dia em que a fui fazer." Um amigo médico levou-a a S. José para mostrar o resultado, quando o viu ficou "tão atarantado" que desviou a conversa, travou a fundo à chegada e passou-a à frente na consulta: "Eu estava tão a não querer acreditar, o teu inconsciente trabalha tão bem estas coisas, que nem consegui perceber." O médico "foi direto, curto e grosso, disse: é um temor maligno, muito mau e temos de agir já". "Preparei-me para tudo, tirei a tarde de trabalho e fui com as minhas amigas para uma esplanada beber copos e fumar cigarros" (risos). Tiraram-lhe gânglios para perceber "se estavam positivos ou negativos, neste último caso teria de ir para a mastectomia." Adorou o cirurgião, o Dr. Carlos Vitorino, "das pessoas mais incríveis e humanas", mas o pós-operatório "foi a pior dor que tive na vida".

Começou a maratona de exames e tratamentos que atravessaram o verão. Explicaram-lhe que havia uma possibilidade de não vir a ter filhos e "foi a primeira coisa que me fez mesmo chorar, tinha 34 anos." Propuseram conservar os ovócitos e fazer uma estimulação hormonal. "Foi uma decisão difícil, fui com as minhas amigas para o bar do Guincho – as amigas foram um apoio incondicional, foram comigo aos tratamentos, deram-me amor, ajudaram-me na minha reconstrução emocional." Decidiu não conservar os ovócitos, o que surpreendeu o médico, "não me ia encher de hormonas e criar ainda mais desatinos emocionais, nem pensar!"

Exclusivos

Assinatura Digital

Acesso sem limites em todos os dispositivos Assinatura válida na APP Correio da Manhã Newsletters exclusivas E-paper antecipado no Quiosque Ofertas e descontos do Clube CM+
Assine já! 1€ no 1º mês
Relacionadas
Notícias Recomendadas