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Mães na era digital

O que leva uma mãe a criar um espaço online baseado nos filhos? Expondo a vida familiar – com fins comerciais ou não – como combate a um dos lados mais negros do digital: haters, pedófilos e outros perigos que se escondem por trás dele?
Por Pureza Fleming/MÁXIMA 18 de Março de 2021 às 15:00
FOTO: Unsplash

O empoderamento do online já não é surpresa para ninguém. Diariamente há um novo site que surge, abordando os mais diversos interesses: de moda, de beleza ou de ambos, de restauração, de fitness, de desabafos, pensamentos e emoções, pessoal, impessoal, etc. O céu – ou, neste caso, o espaço digital – é realmente ilimitado. Os interesses são variados, sendo que, quer se queira quer não, os comerciais vencem. Mas o que leva uma mãe a criar um espaço tão público como o online pode ser, onde os filhos são o conteúdo principal? Trata-se dos tais interesses comerciais ou as emoções falam mesmo mais alto?

Márcia D’Orey, de 36 anos, não criou Minnie Mars com o intuito de esta ser uma conta de Instagram focada na maternidade – ainda que as duas filhas, Juju e Pi, como são conhecidas, ocupem quase cem por cento do feed. "[A conta] é uma continuação do que sempre fiz, desde muito nova. Mantinha um diário, por ano, com mensagens, autocolantes e detalhes que permitiam reviver os momentos." É então que me assalta a memória dos (bons velhos) tempos em que um diário era um bloco trancado a sete chaves, onde nem pais, nem amigos, mesmo os mais próximos, podiam chegar perto. Dos tempos em que um diário era algo secreto, pessoal e intransmissível. O mesmo não se passa com uma conta de Instagram. Por mais controlo que se deseje e que se acredite ter em teoria, o que se passa é que assim que sejam publicados uma imagem ou um texto estes ganham corpo na vastidão que é o espaço digital. Ainda acerca dos diários de antigamente, recordo-me não só de os ter como, e principalmente, de os queimar assim que preenchia a última página e me preparava para passar ao próximo. Na Internet, não há fogo que incendeie o que já foi criado. Mas há outros propósitos por detrás da criação de espaços digitais baseados na vida pessoal e (ou) dos filhos – já que se pode incluir ambos na mesma categoria. Catarina Ferreira, 31 anos, inaugurou o seu espaço Ties há sete. Com dois filhos com menos de dois anos na altura (agora já vai em quatro filhos), havia terminado um curso de pintura e encontrava-se numa fase em que sentia necessidade de comunicar: "Tinha 24 anos, os meus amigos ainda não tinham filhos e estávamos em fases de vida desencontradas. O blogue era um espaço muito pessoal, publicado de uma forma muito espontânea para a família e amigos, apesar de ser público. Escrevia quase um diário de bordo, podia falar livremente das noites mal dormidas ou da ida ao parque, que tinha sido tão boa, ou das últimas conquistas ou graças dos miúdos. O blogue funcionava como uma companhia e uma ferramenta que me ajudava a dar mais sentido ao que estava a viver." O espaço Ties nascia numa altura em que blogues de todos os tipos brotavam do chão e Catarina rapidamente se apercebeu de que este era lido por outros e que aquilo que escrevia e fotografava fazia sentido para outras pessoas. "Deste ponto até se ter tornado um blogue de mãe para mães foi uma eternidade", esclarece. Apesar do nome A Mãe Já Vai, o blogue de Maria Ana Ferro, de 38 anos, não nascia para ser um site focado (só) na maternidade, mas antes de uma parceria entre a autora e um espaço ligado ao fitness chamado Fhit Unit - personal training, cujo objectivo seria, com o acompanhamento de um personal trainer, mostrar às pessoas que era possível levar uma rotina familiar normal e, ao mesmo tempo, um estilo de vida saudável. "A maternidade e os temas mais pessoais foram ganhando força. Quando engravidei do terceiro filho deixei o exercício, mas os assuntos relacionados com a maternidade e com tudo à sua volta eram sempre espontâneos e constantes e, por isso, o blogue manteve-se."

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