Barra Cofina
Conteúdo exclusivo para Assinantes Se já é assinante faça LOGIN Assine Já

O meu filho é homossexual: e agora?

É possível que ‘sair do armário’ nem sempre seja uma tarefa fácil — ainda mais quando tal sucede em plena adolescência. O testemunho de uma mãe que não desistiu da felicidade do filho e aprendeu com ele pelo caminho.
Por Pureza Fleming/MÁXIMA 11 de Fevereiro de 2021 às 10:33
Com Amor, Simon (2018)
Com Amor, Simon (2018)
Com Amor, Simon (2018)
Com Amor, Simon (2018)
Com Amor, Simon (2018)
Com Amor, Simon (2018)

Em primeira instância, aquilo que mais queremos para os nossos filhos é que eles sejam felizes. Algumas pessoas também querem que eles sejam brilhantes, bem sucedidos; outras tantas sonham ver os filhos bem casados e com uma (bonita) família. Ah, e claro que sim, que sejam felizes — independentemente do que é que isso, da felicidade, significa, pois os sentidos são mais do que muitos. E também pouco discutíveis neste contexto. A certeza que se tem é esta: todos querem que os seus filhos sejam felizes.

Teresa, 38 anos, arquiteta, não é exceção a esta regra. E, à conversa connosco, deslinda acerca do momento em que o seu filho Zeca, hoje com 17 anos, lhe contou que era homossexual. Já lá vão uns anos… "O Zeca sempre foi um miúdo amoroso, todo ‘dos abracinhos’. Mas eu também sou dos ‘abracinhos’, portanto não era por aí. Nunca desconfiei [de que ele era gay]. Ele era um miúdo muito mais sensível [que a regra dos miúdos da idade dele], mas eu não desconfiava que ele pudesse ser homossexual. Até que há uma vez, há cerca de quatro anos, estava eu grávida da minha filha mais nova (e já de um segundo casamento), tinha ele 13 ou 14 anos, em que me apercebi que alguma coisa de errado se passava com ele. Foi na época daquele jogo, a Baleia Azul. Um jogo em que eles [os miúdos] se mutilavam… Estávamos a ir a um evento qualquer, e notei que ele usava muitas pulseiras e um relógio. Mas depois, reparei que, por baixo destas, ele estava muito arranhado, mas um arranhado profundo. Perguntei o que era aquilo, ao que ele me respondeu que tinha sido no jardim (perto do liceu que frequentava naquela altura), que tinha caído nas silvas… Eu engoli a história, mas fiquei a pensar nela. Pedi que me mostrasse mais de perto. E, em conversa, mencionei o jogo da Baleia Azul: ‘Zeca, de certeza que isso não tem nada a ver com aquele jogo que tanto se ouve falar agora?’. Se for isso, fala comigo. Ao que ele respondeu que não, ‘que disparate’, asseverou. Mas, passadas umas horas, já em casa, estava eu na cozinha, quando ele vem ter comigo e me diz: ‘Mãe, sabes os arranhões? Fui eu que me cortei’. Naquele momento eu fiquei sem chão, completamente desamparada, mas super forte. Pensei: ‘Se eu agora dou a mais pequena abertura para ele perceber que eu estou triste, ele não me conta mais nada’. Então, eu mantive-me forte e pronta para ouvir. E ele começou a falar: ‘Mãe eu corto-me porque prefiro sentir a dor física à dor psicológica’," conta Teresa. 

"Quando temos um filho, o que é que tentamos fazer por ele? Tentar dar uma boa educação e fazer de tudo para que ele seja feliz. São as duas coisas mais importantes, na minha perspetiva. Quando ele me diz que prefere cortar-se para sentir a dor física em detrimento da dor emocional… ‘Quando faço isso, a dor emocional passa’. Achei que o meu filho era um privilegiado por ter tanta coisa que eu nunca tive… Perguntava-lhe porquê… Ele dizia que tinha sido fruto do meu divórcio com o seu pai. E, depois, rematou: ‘Mãe, eu não sou bem aceite na escola. Tenho poucos amigos. As pessoas gozam comigo porque eu sou… homossexual’. E assim, no meio da conversa, largou a notícia, mas eu continuei a ouvi-lo como se nada fosse. No meio de tudo, esta parte da conversa — a revelação — era a que me estava a custar menos ouvir. E prosseguiu: ‘Mãe, eu sou totalmente diferente, eu não me enquadro naquele estereotipo da escola, em que são todos iguais. E eu sinto-me muito triste… E tenho momentos em que eu só quero é morrer…’. E, naquele momento, em que ouvimos um filho dizer que só quer morrer, pensamos: ‘Mas o que é que eu vou fazer? O que é que eu posso fazer para mudar a mentalidade dele? Para tirar aquele sofrimento de dentro do meu filho?’, desabafou.

Exclusivos

Assinatura Digital

Acesso sem limites em todos os dispositivos Assinatura válida na APP Correio da Manhã Newsletters exclusivas E-paper antecipado no Quiosque Ofertas e descontos do Clube CM+
Assine já! 1€ no 1º mês
Relacionadas
Notícias Recomendadas
Bem Estar e Nutrição

E se pudesse reiniciar o cérebro? Os conselhos de um neurologista

O cérebro humano está a ser gravemente manipulado pelos estímulos da tecnologia e as consequências refletem-se em comportamentos que nos deixam cada vez mais doentes. Em Limpeza Cerebral, o recém lançado livro do neurologista David Perlmutter e do médico internista Austin Perlmutter, reúnem-se técnicas para combater esta realidade.