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Talvez ande a fazer microcheating e não saiba

Se publica fotografias em poses sexy, envia SMS ousados ou faz sempre gosto na página daquele colega, então é caso para dizer que sim.
Por Ana Catarina André 11 de Outubro de 2019 às 12:02
São 11 da noite. Está há uma hora no chat do Facebook a conversar com uma colega de trabalho, enquanto a sua companheira está a ver uma série na televisão, tão entretida que nem repara. Enquanto conversam, já viu as fotografias de perfil dela, fez gosto em algumas e comentou outras. Pergunta: ainda que à primeira vista sejam ações inofensivas, está ou não a cometer infidelidade? Resposta: talvez. Tudo tem a ver com a frequência, a intenção ou as consequências desse comportamento.

Este fenómeno ambíguo tem um nome, diz o psicólogo britânico Martin Graff, da Universidade de South Wales, no País de Gales: microcheating. Em português, microtraição. É, segundo ele, uma nova forma de infidelidade da era digital: "O microcheating é um comportamento intermédio, em que a pessoa não está a trair de facto, mas possivelmente tem essa intenção."

O especialista clarifica: "São pequenos sinais que denotam que alguém está interessado noutra pessoa." Se antes esses pequenos indícios de flirt se resumiam a elogiar demasiado um colega no trabalho, com as redes sociais o leque de possibilidades aumentou. "Nos últimos 10 anos, passámos a poder estar em contacto com mais pessoas. A forma como nos relacionamos mudou. E se isso tem vantagens – podemos estar em contacto com amigos que vivem longe –, também propicia novas formas de infidelidade", afirma o psicólogo. SMS insinuantes, comentários e gostos nas redes sociais começaram a fazer parte do dia-a-dia de algumas pessoas, observa.

Com o aparecimento do fenómeno, multiplicaram-se também os estudos sobre o tema. Um dos mais recentes foi conduzido por Martin Graff e concluiu que o microcheating incomoda mais as mulheres do que os homens. "Percebemos também que, quando as interações com terceiros ocorrem à noite, a perceção de microcheating é maior", refere o psicólogo. As conclusões do seu trabalho serão publicadas em breve no Journal of Personal and Social Relationships.

Para que não restem dúvidas sobre o que é o microcheating, deixamos-lhe um guia de comportamento. Para começar, e se não quer ser de todo associado ao fenómeno, esqueça o Tinder.

Gostos em fotos antigas
Passa os dias a consultar o perfil de outra pessoa? Faz gostos em posts ou imagens publicadas há mais de um ano? Os adolescentes chamam a estas atitudes deep like (gosto profundo), um comportamento que demonstra interesse pelo passado de outros. "Não é tanto a ação em si que indicia traição", diz Martin Graff. "É a intenção. Se para si isso significa especial interesse por outra pessoa que não o seu parceiro, trata-se de microcheating", garante.

Utilizar o Tinder
A utilização desta aplicação que permite conhecer novas pessoas é provavelmente um dos principais indícios de microcheating. "Se souber que o seu parceiro utiliza o Tinder, vai perguntar-lhe porquê, certo? Não há grande dúvida aqui das intenções associadas ao uso da app." E acrescenta: "Direi que quem tem parceiro não tem necessidade de usar este tipo de tecnologia."

Selfies em poses ousadas
Se usa o Facebook e o Instagram para publicar, com frequência, fotografias suas em poses sexy, é para chamar a atenção de quem? A resposta a esta questão pode evidenciar uma pequena forma de traição. Se passa a vida a querer mostrar a sua melhor fotografia ao mundo – e não apenas ao seu companheiro ou companheira – isso pode revelar insatisfação em relação ao seu relacionamento.

Emojis em excesso
Demasiados emojis sorridentes, a piscar o olho ou com corações podem demonstrar "interesse excessivo" por outra pessoa. "Na comunicação online perde-se a comunicação não verbal. Não podemos ver a cara do outro, os seus gestos", explica Martin Graff. "Os emojis são a única maneira de juntar alguma forma de expressão das emoções à conversa. Ainda assim, é preciso saber usá-los. Muitas vezes são ambíguos e levam a interpretações erradas da parte de quem os recebe." Por isso, é melhor esquecer os corações ou os emojis que piscam o olho.

Demasiadas pesquisas
Se as primeiras publicações que lhe aparecem no Facebook são sempre da mesma pessoa – e essa pessoa não é a sua namorada ou namorado – isso significa que "consulta com demasiada frequência" o seu perfil e faz muitos gostos e comentários nas suas publicações. Mas isto não quer dizer que deve ir a correr fazer uma investigação ao Facebook do seu companheiro/a. "Quando há confiança na relação, não há necessidade de controlar o que o outro faz."

Mensagens a toda a hora
Passa a vida a receber notificações de mensagens no WhatsApp, Messenger ou SMS, e são sempre da mesma pessoa? Fala-lhe das angústias, mas também das alegrias? E o seu parceiro não sabe de nada? Aqui há pouco lugar para ambiguidades: é mesmo microcheating, uma pequena traição.
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