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Insónias: o que são, sintomas e como prevenir

Para além da ansiedade, a dor e a depressão contam-se entre as principais causas do problema.
Por Vanessa Fidalgo 15 de Fevereiro de 2020 às 01:30
O ritmo de vida faz com que muitas pessoas sintam as consequências da  falta de sono
A dor ou outros problemas de saúde podem perturbar o sono
O ritmo de vida faz com que muitas pessoas sintam as consequências da  falta de sono
A dor ou outros problemas de saúde podem perturbar o sono
O ritmo de vida faz com que muitas pessoas sintam as consequências da  falta de sono
A dor ou outros problemas de saúde podem perturbar o sono
A insónia é um distúrbio que prejudica a capacidade de adormecer ou permanecer adormecido pelo tempo necessário, o que pode comprometer a qualidade de vida. Apesar de ser a perturbação do sono mais frequente a nível mundial, afetando milhões de pessoas, a insónia continua a ser um problema difícil de resolver.

" No último século verificou-se uma mudança drástica nos hábitos dos portugueses que se privam de muitas horas de sono em detrimento de atividades sociais, laborais e de lazer com privação crónica de sono, transversal a todas as faixas etárias. E para além deste tipo de privação ocorre a insónia não deliberada", afirma Isabel Luzeiro, presidente da Sociedade Portuguesa de Neurologia.

Quer um tipo quer outro interfere "nas capacidades cognitivas, gera alterações do humor e comportamento, limitações de reação física e psíquica e híper sonolência diurna identificados com uma péssima qualidade de vida, incapacidade de atingir objetivos nos diversos componentes da vida, insatisfação e surgimento de outras doenças", refere a especialista.

A insónia pode surgir associada a outras patologias: "a dor é responsável por 10% ( doenças reumatismais, dor oncológica, dor crónica em geral); as doenças neurológicas, como a síndroma das pernas inquietas, os pesadelos, as alterações do comportamento em sono REM (na doença de Parkinson e na Alzheimer, por exemplo), em 10%; a Apneia do Sono e vários medicamentos, de 8 a 10%", explica.

SINTOMAS
Duração do sono
A insónia traduz-se na dificuldade em adormecer mas também em permanecer a dormir durante toda a noite. O despertar precoce (sensação subjetiva de má qualidade de sono) é também considerada insónia.

Dias mais difíceis
Pessoas que sofrem de insónia geralmente começam o dia já cansadas, têm problemas de humor e sentem falta de energia.

Pontual ou crónica
Os episódios de insónia podem ser passageiros e provocados por circunstâncias especiais (doença, luto, perda do emprego, divórcio), melhorando tendencialmente com a relativização ou resolução dos problemas, ou pode ser crónica e sem causa aparente. O segundo caso carece de um estudo e de um acompanhamento mais aprofundado.

Doenças associadas
As doenças cardíacas, distúrbios psiquiátricos e os acidentes são mais frequentes com pessoas que dormem mal.

Memória
A dificuldade de concentração e as alterações de memória também são frequentes.

PREVENÇÃO
Longe dos ecrãs
Use a cama só para dormir. Não deve ver televisão, usar computador ou telemóvel.

Horas de sono
Levante-se e deite-se sempre à mesma hora, independentemente das horas que tenha dormido.

‘Chamar’ o sono
Se não conseguir dormir, tente relaxar, ouça música ou leia. Volte para a cama quando tiver sono

Maus hábitos
Evite exercício vigoroso três a quatro horas antes de se deitar ou refeições pesadas e bebidas estimulantes.

Luz é importante
Aproveite a luz solar para desenvolver atividades no exterior (correr, jardinar, passear o cão, etc). Estabeleça uma hora para parar de trabalhar.

COMO SE TRATA
O uso de medicamentos deve apenas ser considerado em situações agudas e quando é necessária uma redução imediata dos sintomas. O ideal, porém, é a terapia combinada, com recurso a psicoterapia ou simples técnicas de relaxamento. O tratamento com fármacos deve ser iniciado com a menor dose possível e pelo menor tempo possível e também deve ser descontinuado gradualmente.

Se houver necessidade de administrações durante um longo período de tempo, a sua utilização deve ser intermitente.

O MEU CASO: Síndrome de pernas inquietas
Maria Loureiro sofre de insónias desde os 25 anos, com agravamento progressivo. "Descobri que tenho síndrome de pernas inquietas e ansiedade. Tomo medicação e sou seguida por uma psicóloga. Estou muito melhor", conta.
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