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Gravidez e coronavírus, o que se sabe até agora

Pouco se sabe sobre os riscos específicos para as grávidas, mas o certo é que é preciso redobrar os cuidados.
Por Aline Fernandez 2 de Abril de 2020 às 07:27
Gravidez e coronavírus, o que se sabe até agora
Gravidez e coronavírus, o que se sabe até agora FOTO: Pexels

Nem sempre as coisas acontecem como planeamos e muitas grávidas a lidar com a pandemia do novo coronavírus estão a mudar alguns planos enquanto esperam pelo seu bebé. Em apenas quatro meses sabe-se muito pouco sobre o Covid-19 e como o vírus afeta as grávidas e os fetos, mas pelo que se observou em países como a China e a Itália, as grávidas não correm necessariamente riscos maiores de contrair a doença. Contudo, importa lembrar que, na gravidez, devido às mudanças hormonais, o sistema imunitário está sobrecarregado, o que deixa as mulheres mais suscetíveis a contrair algo.

A recomendação emitida pela Sociedade Portuguesa de Medicina Interna é de que as grávidas devem ficar em isolamento profiláctico para se protegerem do contágio, pois pouco se sabe sobre a transmissão de mãe para filho durante o nascimento, mesmo que os dados indiquem que "parece ser reduzida". Recente e com uma amostra de poucas mulheres um estudo da revista científica The Lancet mostra que o vírus não é transmitido pelo leite materno. Apesar disso, o Núcleo de Estudos de Medicina Obstétrica da SPMI reforça a importância das mães que estão a amamentar usarem máscaras e desinfetarem as mãos antes de dar de mamar ao bebé. "Devemos assumir que o risco é o mesmo da população geral, pelo que as grávidas devem cumprir as medidas de redução de contágio como o isolamento social e a etiqueta respiratória", referem os especialistas.

Pat O’Brien, vice-presidente do Royal College de Obstetrícia e Ginecologia, no Reino Unido, falou em entrevista à New Scientist sobre um relatório que envolveu 15 mulheres, afirmando que não parecem existir diferenças nos sintomas das grávidas e não grávidas. E que as primeiras tiveram boa recuperação sozinhas, ou seja, sem precisarem de recorrer a antivirais. Outro relatório da Universidade de Ciência e Tecnologia de Huazhong, na China, acompanhou quatro grávidas próximas da hora do parto na cidade chinesa de Wuhan, onde surgiu o vírus. As mães não apresentaram complicações e estes bebés não nasceram com sintomas. Três dos quatro foram submetidos ao teste de Covid-19 e deram negativo – o quarto não foi testado porque os pais não autorizaram. Mesmo negativo e sem sintomas, alguns dos recém-nascidos apresentaram erupções cutâneas, um teve taquipnéia (respiração acelerada), mas logo recebeu um aparelho para auxiliar a ventilação e ficou bem após três dias.

Com tantas incertezas sobre o vírus, algumas mulheres estão a avaliar a possibilidade de ter bebés em casa. Os partos no domicílio serão seguros se forem conduzidos por profissionais altamente treinados e credenciados para tal. Contudo, a recomendação dos médicos continua a ser de que as grávidas só devem fazê-lo se realmente quiserem e não apenas por causa do vírus. 

Preparação para o parto e parentalidade online

Pensando em todas as mães e pais que estão em quarentena para evitar o contágio do Covid-19, a Bial disponibilizou um curso através do site www.vamosserpais.pt com 15 aulas que abordam os aspetos essenciais da gravidez, desde os primeiros momentos a partir da descoberta até ao parto, amamentação, cuidados no pós-parto e com o recém-nascido.

Este curso digital foi desenvolvido por uma equipa de enfermeiros especialistas em saúde materna e obstetrícia e disponibiliza material de apoio detalhado, assim como perguntas e respostas mais frequentes. O objetivo é transmitir informações relevantes e esclarecer as tantas dúvidas que surgem neste período, para que os pais que estão em isolamento e preocupados possam tirar o maior partido desta nova fase.

Além do curso, as dúvidas podem persistir, mas não é preciso cancelar a próxima consulta com médico – fisicamente sim, já que as grávidas só devem deslocar-se aos hospitais quando estritamente necessário, mas podem e devem optar pela teleconsulta ou videoconsulta em vez da presencial, já disponível em várias plataformas e hospitais. A opção pode ser especialmente útil numa primeira fase ou em consultas não urgentes de especialidades, pois reduz a demanda dos serviços de saúde numa fase crítica como a que vivemos atualmente, além de reduzir a possibilidade de contágio ao frequentar centros de saúde e hospitais. A Sociedade Portuguesa de Medicina Interna reforça que as futuras mães devem tomar todas as medidas de precaução para evitar qualquer possível transmissão.

Mantenha-se ativa

O exercício físico pode contribuir para uma boa gestação, mas é preciso lembrar que até completar os primeiros três meses, quaisquer atividades ou exercícios de impacto ou exigência na parede abdominal são perigosos, uma vez que neste período inicial o feto se fixa na parede do útero e os movimentos devem ser feitos com extrema cautela. A corrida, por exemplo, é um exercício que não é indicado por gerar impacto sobre o útero e a bexiga, e é importante que a grávida não fique ofegante e evite o hiperaquecimento corporal, controlando a hidratação constantemente.

A partir deste período, pode-se praticamente fazer de tudo, desde que a gestação não seja de risco e que a grávida não sinta desconforto. Certifique-se ainda de que não pratica arriscar nada que envolva o risco de queda. É benéfico fazer atividades com as quais se sinta bem, sem esforço excessivo e mantendo-se sempre bem hidratada. 

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