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Enfarte do miocárdio pode ser confundido com dores musculares e ansiedade

Doentes só procuram ajuda médica 140 minutos depois dos primeiro sintomas.
Por Miguel Balança 8 de Dezembro de 2019 às 01:30
Enfarte do miocárdio
Enfarte do miocárdio FOTO: iStockPhoto
Um doloroso aperto no peito que poderá estender-se aos braços, costas e pescoço, acompanhado por suores, náuseas e vómitos. A primeira manifestação de Enfarte Agudo do Miocárdio (EAM) é "traiçoeira", pois os sintomas "nem sempre são típicos de um enfarte, podendo ser confundidos com outras patologias, dificultando o seu diagnóstico diferencial", sublinha Sílvia Monteiro, coordenadora da área dos Cuidados Intensivos Cardíacos da Sociedade Portuguesa de Cardiologia (SPC).

"Os doentes tendem a reconhecer os sintomas e a procurar os cuidados médicos demasiado tarde, em média 140 minutos após o início dos sintomas, comprometendo de forma definitiva o seu prognóstico. E o diagnóstico precoce e o tratamento imediato do doente são determinantes para salvar o músculo cardíaco e evitar a morte das suas células, reduzindo de forma significativa a taxa de mortalidade e complicações", explica.

A idade é um fator de risco importante - a prevalência de EAM aumenta com a idade. "No entanto, é frequente que os jovens tenham dificuldade em reconhecer os sintomas, atribuídos a dores musculoesquelética ou ansiedade, atrasando a procura de ajuda médica, podendo levar a que o EAM seja mais extenso e associado a mais complicações, incluindo a morte", explica.

José Poças, de 42 anos, sofreu um enfarte há pouco mais de um ano. Acordou com náuseas, suores frios e diarreia. A dor no peito surgiu 30 minutos depois, já no hospital, em Oliveira do Hospital. "Para o médico, a dor no peito era distensão muscular e a diarreia, gastroenterite. A minha sorte foi que, às 08h00, o turno daquele médico chegou ao fim.

O médico que entrou ao serviço mandou-me fazer um eletrocardiograma, que revelou um enfarte agudo do miocárdio", recorda. Acabou por ser submetido a um cateterismo no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra.

DISCURSO DIRETO
Sílvia Monteiro, cardiologista
"A maior parte recupera"
CM: Em que doentes o diagnóstico tardio é mais preocupante?
Sílvia Monteiro - Nas mulheres os sintomas nem sempre são típicos de Enfarte Agudo do Miocárdio (EAM) e podem ser confundidos com outras patologias, sendo difícil o seu diagnóstico diferencial.

- Os EAM são mais frequentes nos homens?
- Nas mulheres, tendem a ocorrer 10 anos mais tarde do que nos homens, mas acaba por haver mais mulheres do que homens com doença coronária.

- Recupera-se totalmente?
- Felizmente, a maior parte dos doentes apresenta uma recuperação total.

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O que fazer
1. Solicite ajuda médica imediata, ligando para o 112. Quanto mais depressa a pessoa que sofreu um enfarte for assistida, maiores serão as probabilidades de lhe salvar a vida.
Na maioria dos hospitais centrais, há uma via prioritária nas urgências, chamada Via Verde Coronária.
2. O paciente deve ser colocado numa posição cómoda, levemente reclinada, com as costas apoiadas de forma a facilitar a sua respiração e o fluxo sanguíneo. 
3. Se o indivíduo estiver consciente, devemos prestar o nosso apoio mostrando-nos totalmente calmos.
As pessoas que já estiverem a ser seguidas por um cardiologista e tenham medicamentos por ele prescritos, como pastilhas de nitroglicerina, devem ter estes fármacos sempre à mão. Estas substâncias dilatam os vasos sanguíneos, permitindo desta forma que o coração receba o oxigénio de que precisa para funcionar corretamente. 

Aviso
Caso a pessoa deixe de respirar e de ter pulso, é imperioso aplicar técnicas de massagem cardíaca combinadas com respiração boca-a-boca (reanimação cardiorrespiratória) até que chegue assistência médica. 
Se estiver a conduzir e suspeitar que está a ter um enfarte, deve parar o veículo imediatamente e procurar ajuda urgente. 
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