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Gaguez afeta mais de 100 mil pessoas só em Portugal. Conheça os mitos e estratégias para lidar com a condição

Perturbação na fala não tem cura. Existem mais de 68 milhões de pessoas com gaguez em todo o mundo.
Por Pedro Almeida 15 de Outubro de 2019 às 08:54
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A gaguez é uma alteração no ritmo da fala que pode surgir tanto nas crianças como nos adultos, sendo que no último caso terá de ser proveniente de alguma lesão ou distúrbio, nomeadamente um AVC ou outras questões neurológicas. Não tem cura, mas há várias estratégias para lidar com a situação.

"Existem algumas estratégias para atenuar e ganhar algum controlo da própria fluência, entre as quais o controlo respiratório, controlo de entoação ao nível da fala e o confronto da pessoa com situações e momentos do dia-a-dia", começou por dizer Andreia Pratas, terapeuta da fala com experiência profissional com crianças, jovens e adultos nas várias áreas de intervenção, explicando que, por vezes, no caso das crianças, não devemos dramatizar a situação perante os pais.

"Em termos de interação na sociedade, é necessário tentar minimizar e não valorizar tanto. Nas crianças, a estratégia que damos aos pais é para não dramatizar, uma vez que pode ser uma questão passageira. Se virem que é mais persistente, devem recorrer a um terapeuta da fala", explicou.

No caso das crianças, os primeiros sintomas surgem por volta dos dois anos ou dois anos e meio, quando começam a dizer as primeiras frases, mas, segundo a terapeuta, não há uma idade concreta para se perceber que a criança é, de facto, gaga. No entanto, devemos estar atentos aos sinais de alerta, pois podem surgir tiques ou outras questões associadas.

"Existem várias causas, entre as quais hereditárias, mas também pode estar relacionado com a linguagem, algo primário. A gaguez primária, com o passar do tempo, pode desaparecer completamente", sublinhou, reforçando que a prevalência da gaguez é superior nos rapazes. 

"Os rapazes têm mais prevalência. Há estudos que indicam isso", explicou Andreia Pratas, desmentindo o facto de que uma pessoa pode ficar gaga se apanhar um susto. "É mito. Não há nada que indique isso mesmo", esclareceu.

O que nunca devemos fazer ao lidar com a gaguez
Para lidar com alguém que sofre de gaguez é necessário também adotar estratégias para não perturbar o discurso do outro. Há quem acabe as frases de quem é gago, que olhe fixamente para o outro enquanto gagueja. No entanto, estas são medidas que devem ser evitadas.

"Nunca devemos interromper e acabar as frases, olhar fixamente enquanto gagueja e não forçar o outro a ter um discurso fluente. Há pessoas que ficam presas no seu discurso a falar com alguém que sofre de gaguez, mas não devem. Devem falar abertamente sobre o assunto", confessou Andreia Pratas, ressalvando que todas as pessoas são "disfluentes".

"Todas as pessoas têm alguma disfluência e isso nota-se, por exemplo, em entrevistas de emprego, reuniões, quando é necessário falar em público", reforçou.

Frequência da gaguez não aumenta com o estado do tempo ou as estações do ano
Há quem diga que a frequência da gaguez aumenta quando a chuva aparece e o sol vai embora, mas, segundo a terapeuta, não há nada que comprove essa teoria.

"Em termos emocionais, é normal que as pessoas estejam mais frágeis a nível emocional e, por isso, a gaguez possa ser mais frequente, mas não há nada que indique isso mesmo e que esteja comprovado", revelou. 

Quantas pessoas têm gaguez em Portugal
Segundo dados revelados pela Associação Portuguesa de Gagos, estima-se que haja cem mil pessoas com gaguez em Portugal e mais de 68 milhões em todo o mundo, ou seja, "1% da população mundial", sendo que o rácio de incidência é de quatro homens para uma mulher.

No que diz respeito às crianças, a Associação avança que "aproximadamente 5% de todas as crianças passam por um período em que o seu discurso tem como característica apresentar repetições, pausas, bloqueios e prolongamentos. Tal sucede durante cerca de três meses. Destas, três quartos recuperam espontaneamente. Sinais de alerta que isso não irá acontecer são a condição permanecer mais de três meses e surgirem comportamentos associados".

Traumas provocam gaguez?
A resposta é não. Crianças e adultos com gaguez não têm mais problemas emocionais do que qualquer outra pessoa. E não há razões para acreditar que traumas provocam gaguez, de acordo com dados revelados pela Associação Portuguesa de Gagos.
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