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Estudo nacional melhora técnica cirúrgica para tratar incontinência

Introdução de elétrodo debaixo da pele do doente, na parte de trás da bacia, permite alargar campo de tratamento.
Por Cláudia Machado 3 de Dezembro de 2017 às 09:43
O elétrodo fica ligado a um neuro-estimulador, junto a um nervo que envia a informação para os órgãos que mantêm a continência. Acaba por funcionar como uma espécie de pacemaker e a cirurgia pode ser realizada em ambulatório
A incontinência urinária afeta muitas mulheres, com idades  entre os 45 e os 65 anos, o que pode estar relacionado com a gravidez e o parto
O elétrodo fica ligado a um neuro-estimulador, junto a um nervo que envia a informação para os órgãos que mantêm a continência. Acaba por funcionar como uma espécie de pacemaker e a cirurgia pode ser realizada em ambulatório
A incontinência urinária afeta muitas mulheres, com idades  entre os 45 e os 65 anos, o que pode estar relacionado com a gravidez e o parto
O elétrodo fica ligado a um neuro-estimulador, junto a um nervo que envia a informação para os órgãos que mantêm a continência. Acaba por funcionar como uma espécie de pacemaker e a cirurgia pode ser realizada em ambulatório
A incontinência urinária afeta muitas mulheres, com idades  entre os 45 e os 65 anos, o que pode estar relacionado com a gravidez e o parto
A técnica cirúrgica "já é realizada há décadas" para tratar a incontinência urinária e fecal, mas não podia ser usada, por exemplo, em casos nos quais os doentes que sofressem de malformações do osso sacro (localizado na base da coluna vertebral). Uma realidade posta de parte graças a um estudo realizado por Ana Povo, investigadora da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.

"A investigação foi realizada com base num estudo anatómico e imagiológico para otimizar o processo e melhorar a técnica, permitindo que esta possa ser aplicada nos casos em que os doentes sofrem dessa malformação do osso sacro", explica a médica cirurgiã do Centro Hospitalar do Porto. O avanço é importante porque a incidência da incontinência urinária e fecal "é maior neste grupo de doentes do que na população em geral", destaca Ana Povo, referindo que, devido às melhorias introduzidas por este estudo "já podem ser tratados, por exemplo, os doentes com espinha bífida".

A técnica consiste na introdução de um elétrodo debaixo da pele do doente, na parte de trás da bacia. "O elétrodo vai ficar junto a um nervo que envia a informação para os órgãos que mantêm a continência", afirma. O elétrodo fica ligado a um neuro-estimulador, que também é colocado sob a pele. "É como se fosse uma espécie de pacemaker", descreve Ana Povo. A melhoria da técnica foi desenvolvida através do "mapear da localização dos ‘buracos’ que existem no osso". Desta forma, e sabendo onde se encontram com exatidão, "passa a ser possível planear conforme as malformações específicas de cada doente e tratá-lo".

"Demora entre 30 e 45 minutos"
Como é realizada esta cirurgia?
Ana Povo cirurgiã do Centro Hospitalar do Porto  – É minimamente invasiva, realizada com anestesia local e uma sedação semelhante à que é administrada nas colonoscopias. A intervenção cirúrgica pode ser feita em regime ambulatório.

– Quanto tempo demora a intervenção e a recuperação dos doentes?
– A cirurgia demora, no máximo, entre 30 a 45 minutos. Os doentes têm uma recuperação rápida, até porque quase não são feitos cortes durante a intervenção: praticamente não têm dores no pós-operatório.

– Como avalia o impacto desta técnica na vida dos doentes de incontinência?
– Este procedimento permite um grande impacto na melhoria da qualidade de vida dos doentes.

PORMENORES
Problema afeta 600 mil
A incontinência urinária e fecal afeta cerca de 600 mil pessoas em Portugal. A maioria são mulheres, entre os 45 e os 65 anos. "É uma situação que pode estar relacionada com a gravidez e o parto", explica Ana Povo.

Exercício físico ajuda
A incontinência urinária é provocada, em muitos casos, pelo enfraquecimento dos músculos pélvicos. O exercício físico, como uma caminhada diária, pode ajudar a prevenir e a reduzir os efeitos deste problema.
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