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Tuberculose ainda assusta doentes

Sintomas são pouco evidentes, mas a doença é tratável.
16 de Março de 2014 às 15:54
Tratamento dura no mínimo seis meses, mas varia para cada doente
Tratamento dura no mínimo seis meses, mas varia para cada doente FOTO: AFP/Getty Images

Tosse e expetoração prolongadas, cansaço, febre noturna e emagrecimento. Os sintomas passam frequentemente despercebidos e atrasam a procura de cuidados de saúde. Porém, escondem o diagnóstico de tuberculose que, quando revelada, ainda assusta. "Os doentes lembram-se do tempo dos avós, em que a doença não era tratada e as pessoas ficavam em sanatórios.

O tratamento é relativamente recente", explica a pneumologista e membro do Plano Nacional Tuberculose e HIV, Raquel Duarte. Os números da Organização Mundial de Saúde confirmam a mudança: a morte por tuberculose diminuiu 45% desde 1990. Agora, com diagnóstico atempado e tratamento seguido à risca, a cura "é certa" e "sem sequelas".

O vírus pode estar instalado em vários órgãos. Os pulmões são o caso mais alarmante, já que a doença se torna contagiosa nas primeiras semanas. "Ao tossir ou falar, o doente liberta partículas que ficam no ar", explica. Quem mantém contacto prolongado e em locais não ventilados com o doente corre o risco de ficar infetado. No entanto, há forma de prevenir. "Se identificarmos quem convive com o doente em ambientes fechados, fazemos o rastreio.

Quem está infetado faz medicação preventiva". Também a medicação é o tratamento quando a infeção latente se desenvolve para doença. "Durante pelo menos seis meses, são sete a nove comprimidos, tomados todas as manhãs, num Centro de Diagnóstico Pneumológico". A exigência e duração do tratamento podem levar a desistências. "O doente começa a melhorar, mas começa a sentir os efeitos adversos da medicação e a tentação é deixar de tomar", alerta. Uma situação "perigosa" por dificultar o tratamento quando retomado.

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Sintomas 
  • Febre
  • Falta de apetite e perda de peso
  • Suores noturnos
  • Tosse persistente com expetoração (pode apresentar sangue)
  • Existe a possibilidade de se espalhar para outros locais do corpo e formar abcessos e infeções, como no cérebro, ossos, rins, fígado, entre outros.

Prevenção
Se esteve em contacto com uma pessoa infetada por tuberculose, deve fazer um rastreio. Existe uma vacina contra esta doença, a BCG. Até 2016, era administrada a todas as crianças em Portugal, mas, atualmente, só é dada a pessoas em alto risco de adquirir a infeção. No entanto, dados recentes sobre o aparecimento de novos casos levaram as autoridades a pensar em reintroduzir a vacinação obrigatória nas maternidades.

Como se trata
Dada a grande resistência da bactéria a antibióticos, a infeção deverá ser tratada com antibióticos em combinação, mais frequentemente rifampicina, isoniazida, pirizinamida e etambutol, durante no mínimo seis meses, podendo até chegar a dois anos em alguns casos. Quem tenha estado em contacto com pessoas infetadas também poderá ter de ser tratado com antibióticos, normalmente durante três meses. 
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