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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Obra no São João parada há dois anos

Pais de crianças em tratamento no hospital denunciam condições de terceiro Mundo.

12 de abril de 2018 às 09:01

Estas crianças têm que ser protegidas, não precisam de palavras e promessas." A revolta é de Raquel Jesus, mãe de uma menina tratada em instalações "indignas" no Hospital de S. João, Porto - cujo administrador, António Oliveira e Silva, admitiu, na terça-feira, ter condições "miseráveis".

"Se estivesse à frente de uma instituição onde deixo degradar as coisas a tal ponto que eu próprio as classifico de miseráveis, demitia-me. Era o que já devia ter sido feito", diz Pedro Arroja, presidente da Associação Joãozinho, responsável pela construção da ala pediátrica, com recurso a fundos privados e mecenas, cuja obra está parada há dois anos por existir ainda um serviço em funcionamento na frente de obra.

Esta quarta-feira, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, disse que "há uma sensibilidade do Governo para enfrentar e desbloquear" o problema no São João. Pedro Arroja aguarda há meses por uma audiência com Marcelo.

"Provavelmente, está à espera que morra alguma criança para depois vir ao Porto dar beijinhos aos pais das vítimas", critica. O responsável da Associação Joãozinho não entende porque razão o Governo pagará a ala pediátrica quando há um projeto à espera.

O Ministério da Saúde remete esclarecimentos para a Administração Regional de Saúde do Norte, que deve emitir hoje um comunicado.

Centeno não revela data para obras

O ministro das Finanças, Mário Centeno, escusou-se ontem a revelar quando serão desbloqueados os 22 milhões de euros para obras no Hospital de São João. No Parlamento, apenas disse que o investimento "vai avançar".

Ratos junto a leite e bactérias à solta

Relatos de ratos na copa onde há alimentos e o leite materno ou adaptado, uma criança de 7 anos internada desde que nasceu e cujos lençóis com vomitado, fezes e urina passam junto a outros utentes, e inúmeras infiltrações são alguns problemas referidos por André Campos, pai de uma menina que esteve um mês e meio internada no Joãozinho. "É inaceitável. Vemos de tudo ali. E ninguém resolve nada", explica ao CM, indignado.

SAIBA MAIS

1105

É o número de camas nas várias especialidades médicas e cirúrgicas do Centro Hospitalar de São João (CHSJ), que conta ainda com 45 berços.

Porto, Maia e Valongo

O CHSJ fica na cidade do Porto e presta assistência à população das freguesias do Bonfim, Paranhos, Campanhã e Aldoar, e aos concelhos da Maia e de Valongo.

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