Chiquinho Conde, quase com 37 anos, continua a ser um goleador de respeito. Agora, no Imortal de Albufeira, promete só "arrumar as botas" apenas quando estas lhe pesarem e alimenta o sonho de ser ministro do Desporto em Moçambique.
Correio da Manhã – A dois meses de completar 37 anos, quais as razões para apostar no Imortal da II Divisão B?
Chiquinho Conde – Terminei a época passada no Portimonense, na II Liga, onde fiz cinco golos e fui convidado por um clube francês, o Créteil. Fiz lá a pré-época, mas não me adaptei e vim-me embora. Apareceu então o convite do Imortal, gostei do projecto e cá estou para ajudar esta equipa.
CM – Pela primeira vez a descida aos escalões inferiores…
CC – É verdade. Vim para Portugal, aos 21 anos, para o Belenenses, onde estive quatro épocas, seguiu-se o Sp. Braga (1), V. Setúbal (6), Sporting (2), Alverca (1), Portimonense (1), sempre na I ou II Liga, e, pelo meio, ainda uma saltada aos EUA, seis meses muito enriquecedores.
CM – A sua idade foi obstáculo para estes últimos contratos?
CC – Senti isso, pois os dirigentes olham mais para o bilhete de identidade do que para o rendimento em campo. Só que, enquanto estiver motivado e correr o mesmo e, muitas vezes, mais, que a malta nova, vou continuar a prestigiar a minha profissão. Arrastar-me em campo é que não me vão ver, até pelo passado que tenho no futebol português.
CM – Um passado que lhe valeu a contratação pelo Sporting. Sente que foi bem aproveitado em Alvalade?
CC – Não. Faltaram-me oportunidades, mas é bom lembrar que tive a concorrência de jogadores como o Figo, o Sá Pinto, o Juskowiak, o Amunike, o Capucho, entre outros. Vinha de uma boa época no Setúbal, onde marquei quinze golos, fui a contratação mais badalada, mas depois os técnicos não apostaram em mim. Foi pena…
CM – Quase em final de carreira qual vai ser o seu futuro?
CC – A minha vida rege-se pela concretização de sonhos. Primeiro, em criança, sonhei em ser profissional de futebol e concretizei-o. Depois, influenciado pelo meu falecido pai, sonhei em jogar no Sporting e lá estive em Alvalade, com a frustração de não ter sido campeão nacional, mas a alegria de ter conquistado duas Taças de Portugal.
CM – Agora, qual o sonho de Chiquinho Conde?
CC – Até tenho medo de dizer pois podem considerar-me vaidoso, mas, olhe, quero ser Ministro do Desporto de Moçambique. O meu país precisa de mudar mentalidades e julgo que, com a minha experiência, posso ajudar nessa revolução. Aprendi muito nestes quinze anos em Portugal, EUA e França e posso agora transmitir aos moçambicanos os meus conhecimentos. É mais um sonho, talvez o mais difícil, mas como sou em sonhador…
PERFIL
Nascido na Beira (Moçambique), em 22/11/65, Chiquinho Conde depressa deu nas vistas e o Belenenses foi "pescá-lo" a terras bem longínquas. Uma longa carreira, povoada por sonhos, todos concretizados.
Só falta o seu país chamá-lo para a última missão: transmitir os ensinamentos colhidos com técnicos como Marinho Peres, John Mortimore ou Carlos Queiroz, entre outros.
Com discurso fácil, esclarecido e muitas ideias na cabeça, Chiquinho já transmitiu, às autoridades desportivas do seu país, a indisponibilidade para juntar mais internacionalizações à meia centena já alcançada. É a hora dos jovens futebolistas moçambicanos, afirma o ainda jogador do Imortal, em Albufeira a pensar no calor do seu país.
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