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Memórias de José Pratas

Quando se trata de futebol, frequentemente, as coisas não são o que parecem. Tomemos como ilustração um exemplo recente: Pedro Proença, o árbitro de Lisboa, foi nomeado para dirigir o jogo entre o Benfica e o Tottenham na terça-feira passada no Estádio da Luz. Proença não voltou ao relvado depois do intervalo e foi substituído por José Gomes, o quarto árbitro apontado para a ocasião. O que é que se terá passado com o árbitro ao intervalo? – interrogaram-se os 30 mil espectadores que se deslocaram ao estádio para assistir ao jogo da Eusébio Cup.
07.08.10
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Era verdade que o Benfica perdia ao intervalo, por 1-0, mas as culpas não podiam, de modo nenhum, ser atribuídas ao juiz da partida e, assim sendo, não havia motivo algum para ter sido raptado durante o descanso ou mesmo castigado por algum dos stewards de serviço. Como se não bastassem estas dúvidas metódicas, para alimentar cenários piores, Pedro Proença haveria de surgir do túnel da Luz com um pé engessado quando a segunda parte do jogo estava prestes a iniciar-se. “Pronto, já está, bateram-lhe!”, concluiu precipitadamente o público da Luz. Pois enganaram-se redondamente! E para fazer prova da velha máxima que reza que “os árbitros também são humanos”, Proença resolveu – e muito bem – lesionar-se no pé direito no decorrer primeira parte e foi apenas esse o inocente motivo que o impediu de arbitrar a segunda parte do Benfica-Tottenham.

Logo que acabou o jogo, Proença explicou a situação aos jornalistas presentes pondo fim a uma especulação que não demorou mais do que 45 minutos a ser esclarecida. Assim é que as coisas se deviam passar, não deixando rasto a dúvidas maldosas e a teorias infundadas.

Curiosamente, nesta mesma semana, foi finalmente esclarecida uma outra situação, bem mais antiga e que demorou 18-anos-18 a ser explicada pelo seu protagonista, um outro árbitro, José Pratas, a quem coube dirigir em 1992 uma final da Supertaça entre o Benfica e o FC Porto, em Coimbra. O público nas bancadas e os espectadores que seguiram o jogo pela televisão ficaram com a ideia de que José Pratas foi perseguido ao longo do campo pela equipa do FC Porto depois de ter validado um golo ao Benfica, apontado por Isaías. Foi-nos explicado, há 18 anos, que a cena não passara de uma ilusão de óptica. Pratas nunca na vida andara a fugir da equipa do FC Porto e, por essa razão, não havia que advertir disciplinarmente nem expulsar ninguém.

José Pratas demorou, demorou mas veio, por fim, esclarecer-nos a todos. “Não foi uma fuga, foi uma reacção natural de quem se sente atacado e ameaçado. Devia ter acabado com o jogo por insubordinação da equipa do FC Porto”, disse a “A Bola” nesta quinta-feira. É capaz de ter razão. E o Benfica, se calhar, devia ter mais uma Supertaça no seu palmarés. 

ERRAR É HUMANO

HÁ UM TÚNEL EM AVEIRO?

João Ferreira foi o árbitro nomeado para dirigir, esta noite, a final da Supertaça a disputar entre o Benfica e o FC Porto e que marca a abertura oficial da temporada de 2010/2011. Arranque mais empolgante não se poderia desejar! Benfica ou FC Porto, um deles, vai levar para casa o troféu e, mais importante ainda, vai levar para casa uma dose substantiva de moralização e de confiança suplementar a uma semana do início da Liga. Hoje, em Aveiro, é este o objectivo a cumprir por Jorge Jesus e por André Villas-Boas: ganhar a taça e ganhar alento. A nomeação de João Ferreira, antes mesmo de apitar pela primeira vez, parece já ter cumprido o seu objectivo que é o de proporcionar ao FC Porto uma choradeira ofendida visto que foi Ferreira o quarto árbitro do Benfica-FC Porto de Dezembro de 2009 e o autor do relatório que levou à suspensão de Hulk e de Sapunaru.

O Estádio Municipal de Aveiro, palco da final, é um dos recintos construídos de raiz e estreados por ocasião do Europeu de 2004, realizado em Portugal. Depois transformou-se num deserto de betão e azulejaria, sobretudo a partir do momento em que o histórico Beira-Mar desceu para a divisão secundária e, consequentemente, perdeu parte significativa do público da casa. O Estádio Municipal de Aveiro, no entanto, há-de ter as comodidades exigíveis para albergar todos os protocolos inerentes a um jogo desta importância. Resta apenas uma dúvida premente: tem túnel ou não tem túnel?

POSITIVO

GOLO E SOSSEGO

Paulo César acabou com todas as dúvidas, em Glasgow, ao marcar, de cabeça, o primeiro golo do desafio, obrigando o Celtic a ter de fazer nem mais nem menos do que 5-golos-5 para discutir a eliminatória com os portugueses.

NEGATIVO

GAITÁN DEMORA

Enquanto Franco Jara vai encantando os adeptos do Benfica, já Gaitán, o outro argentino contratado pelos campeões nacionais, tarda em impor-se na equipa. O facto de se ter lesionado na pré-época também em nada o ajudou.

TORSIGLIERI ENCOSTADO

Chegou a Alvalade destinado à titularidade este central argentino que, aparentemente, não conseguiu convencer Paulo Sérgio. Torsiglieri nem sequer consta na lista de nomes inscritos para disputar a Liga Europa.

PÉROLA

“No futebol já nada me surpreende.”, JOSÉ MOURINHO

André Villas-Boas tem hoje, em Aveiro, um grande oportunidade para se defender do comentário depreciativo que sobre ele fez José Mourinho quando, finalmente, alguém se lembrou de perguntar ao “Especial” a sua opinião no que diz respeito às competências do novo treinador do FC Porto. Futebol é isto.

 

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